Banco de Portugal apela à redução da dívida pública e privada

“Dado o baixo crescimento potencial da economia, é fundamental prosseguir com a redução da alavancagem do setor privado, para tornar a economia mais resiliente à normalização futura das taxas de juro oficiais”, diz o Banco de Portugal no seu Relatório de Estabilidade Financeira de dezembro.

Andrew Harrer/Bloomberg

“Dado o baixo crescimento potencial da economia, é fundamental prosseguir com a redução da alavancagem do setor privado, para tornar a economia mais resiliente à normalização futura das taxas de juro oficiais”, diz o Banco de Portugal no seu Relatório de Estabilidade Financeira de dezembro.

“A poupança das empresas contribuiu significativamente nos últimos anos para o financiamento do investimento empresarial”, diz o supervisor. Para o conjunto das empresas privadas com dívida financeira verifica-se que o maior crescimento do investimento entre 2013 e 2015 ocorreu em empresas com menor nível de endividamento. Por seu turno, as reduções do investimento estão associadas a empresas com maiores rácios de dívida financeira, diz o relatório. O elevado endividamento dos setores público é também alvo de preocupação do BdP. Ao nível das vulnerabilidades detectadas, o BdP destaca ainda os baixos níveis de rendibilidade, num contexto de baixas taxas de juro e de ajustamento ainda insuficiente das estruturas de custos; o elevado nível de NPL; e a concentração de exposições (soberano doméstico, mercado imobiliário e economias de mercado emergentes).

O BdP refere ainda que se “tem assistido nos anos mais recentes a práticas menos restritivas na concessão de crédito à habitação e a um forte crescimento do crédito ao consumo, num contexto de subida dos preços do imobiliário, de recuperação económica e de maior concorrência entre os bancos”. Para fazer face a isso o Banco de Portugal pondera a adoção de medidas tendo em vista o reforço da avaliação da capacidade creditícia dos clientes particulares pelas instituições, nomeadamente calculara a taxa de esforço num cenário de subida de juros. “Os desafios regulatórios e institucionais a nível europeu mantém-se relevantes”, acrescenta.

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