Banco de Portugal diz que bancos devem ser “prudentes” na aplicação de dividendos

“É fundamental a adoção de políticas prudentes da aplicação de resultados gerados, em especial no que concerne à distribuição de dividendos”, refere o Banco de Portugal (BdP) no Relatório de Estabilidade Financeira de dezembro.

Cristina Bernardo

O Banco de Portugal avisou esta quarta-feira que os bancos devem adotar políticas “prudentes” na aplicação dos seus resultados, nomeadamente no que se refere à distribuição de dividendos, de forma a garantir níveis adequados de resiliência a choques.

“No caso das empresas financeiras e dos bancos é importante continuar a reforçar a capacidade de absorção de choques negativos através de níveis de capital adequados. Assim é fundamental a adoção de políticas prudentes da aplicação de resultados gerados, em especial no que concerne à distribuição de dividendos”, refere o Banco de Portugal (BdP) no Relatório de Estabilidade Financeira de dezembro, hoje divulgado.

No documento, o BdP reconhece a evolução favorável do sistema bancário, com a redução “significativa” dos empréstimos não produtivos (NPL), mas avisa que a melhoria “tem de continuar, tendo em conta as fontes de risco sistémico associadas à atual conjuntura internacional” e ao “agravamento da incerteza geopolítica e económica”.

“É essencial a manutenção da atual trajetória de redução de ativos não produtivos e de reconhecimento de perdas nos ativos com menor probabilidade de serem recuperados, de acordo com os planos de redução de ativos não produtivos que foram submetidos às autoridades de supervisão”, refere.

As ‘fintech’ também são identificadas no relatório do BdP como uma “fonte de risco” para os bancos, embora ainda não haja evidência no contexto europeu de materialização desse risco.

O BdP considera que o investimento em infraestruturas tecnológicas deve ser prioritário para fazer face à potencial concorrência de empresas especializadas e reduzir os custos operacionais.

“As ‘fintech’ podem alterar de forma significativa o relacionamento com o cliente de serviços financeiros e, neste contexto, torna-se essencial a salvaguarda de confiança no sistema financeiro”, refere o documento.

Desde 2016, segundo a instituição, observam-se progressos significativos na redução do ‘stock’ de NPL e no aumento da sua cobertura por imparidades.

Em junho de 2018, o rácio de NPL reduziu-se 3,6 pontos percentuais para 11,7% e o rácio de cobertura por imparidade aumentou 7,1 pontos percentuais para 52,9%, face aos valores de há um ano.

“O aumento da solvabilidade dos principais bancos, a melhoria da atividade económica e a evolução dos preços do imobiliário têm criado um contexto favorável à redução dos ativos não produtivos”, refere.

Outro fator de vulnerabilidade do sistema bancário, sinaliza também, continua a ser a elevada concentração do sistema bancário português em determinadas classes de ativos, em particular a exposição a títulos de dívida pública, sobretudo doméstica (cerca de 9% do ativo total).

“No caso do setor segurador, a exposição ao soberano doméstico tem vindo a reduzir-se nos últimos anos, mas mantendo-se em percentagem do ativo num nível bastante superior ao do setor bancário”, segundo o BdP.

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