Banco de Portugal estima que as Euribor vão continuar a subir até 3% em 2023

O regulador liderado por Mário Centeno estima que a prestação média do crédito à habitação deverá subir 92 euros até dezembro de 2023 face a junho deste ano.

A subida das taxas de juro pelo Banco Central Europeu está a ser acompanhado por um aumento das Euribor, agravando as prestações que as famílias pagam ao banco. E esta tendência vai manter-se durante o próximo ano. O Banco de Portugal estima que as taxas de juro vão continuar a subir até alcançarem os 3% no final de 2023.

“Os encargos com o serviço da dívida nos empréstimos bancários à habitação, maioritariamente contratados a taxa de juro variável, têm vindo a aumentar”, refere o regulador no relatório de estabilidade financeira para novembro, apresentado esta quarta-feira.

“Para quantificar o impacto da subida das taxas Euribor no serviço da dívida dos empréstimos à habitação considera-se a evolução esperada para as taxas Euribor a 3, 6 e 12 meses até dezembro de 2023, tendo por base as expetativas de mercado presentes nos futuros da Euribor a 3 meses, que se traduz em valores de 3% em dezembro de 2023 para as taxas Euribor a 3, 6 e 12 meses”, detalha.

A taxa Euribor a seis meses, a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação, avançou esta quarta-feira para 2,360%, um máximo desde janeiro de 2009. No prazo de 12 meses, a Euribor subiu para 2,854%.

“Estima-se que o valor total das prestações pagas pelos particulares em empréstimos à habitação passe de cerca d e 390 milhões de euros, em junho d e 2022, para 520 milhões de euros, em dezembro de 2023. O valor médio em dívida dos particulares, de cerca de 64 mil euros, traduz-se numa prestação média estimada de 279€ em junho de 2022”, diz, estimando um aumento de 92 euros na prestação até ao final de 2023.

A subida dos juros acaba por agravar a taxa de esforço das famílias e, consequentemente, o risco de incumprimento. “A desaceleração da atividade económica e a subida da inflação, conjugada com o aumento das taxas de juro de mercado, aumentam o risco de incumprimento das famílias”, afirma o regulador, uma vez que em  Portugal mais de 90% dos créditos à habitação têm taxa variável.

“Estima-se que em dezembro de 2023, 11% dos contratos de crédito à habitação passarão a ter um rácio entre a prestação e o rendimento (LSTI, loan service-to-income) superior a 40%”, estima a entidade liderada por Mário Centeno, acima do patamar indicado pelo Governo, de 36%, para a obrigatoriedade da renegociação do crédito – uma das medidas adotadas pelo Executivo para apoiar quem tem crédito da casa.

Além disso, “a subida da inflação poderá levar a uma estagnação do rendimento disponível real dos particulares em 2022 e 2023, o que conjugado com maiores encargos com a dívida, pode condicionar o nível de consumo real”, diz.

No caso das empresas, o Banco de Portugal refere que a “subida das taxas de juro de mercado já impacta os custos de financiamento das sociedades não financeiras”, notando que, “até setembro, a taxa de juro média de novos empréstimos aumentou um ponto percentual face a dezembro de 2021, situando-se em 3%”. Já a taxa média do saldo de empréstimos aumentou 0,4 pontos percentuais desde o início do ano, situando-se em 2,5%.

Entre 2021 e 2023, o regulador estima que haja um aumento da proporção de empresas em vulnerabilidade de 18% para 26% (24% em caso de utilização dos depósitos para amortizar dívida). Uma percentagem, ainda assim, inferior ao que se verificou durante a crise soberana, de 29% em 2013.

Notícia atualizada às 15:27

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