Banco Montepio passa de prejuízos a lucros de 23,2 milhões no primeiro semestre

O Banco Montepio, entre junho de 2021 e junho de 2022, gerou mais 56,3 milhões de euros de resultados, passando assim de prejuízos a lucros. A melhoria da qualidade da carteira de crédito e a redução de 413 trabalhadores desde o último trimestre de 2020 são os outros destaques.

No primeiro semestre de 2022, o Banco Montepio apurou um resultado líquido consolidado de 23,3 milhões de euros, comparando favoravelmente com os prejuízos de 33 milhões registados no período homólogo de 2021.

O banco liderado por Pedro Leitão diz que estes resultados “evidenciam o progresso registado pelo produto bancário, com destaque para a margem financeira e para as comissões, pela redução dos custos operacionais, bem como pelas menores dotações para imparidades e provisões, em particular as relacionadas com o risco de crédito”.

O produto bancário core, correspondente ao agregado da margem financeira e das comissões, subiu 6,5% entre o primeiro semestre de 2021 e de 2022.

A conta de resultados do banco revela um aumento do produto bancário em 18,9 milhões de euros, com destaque para a subida da margem financeira e das comissões.

A margem financeira totalizou 120,6 milhões nos primeiros seis meses de 2022, comparando com os 114,3 milhões de euros registados no período homólogo de 2021, “refletindo o aumento dos proveitos nas aplicações em títulos e tomadas de fundos, parcialmente mitigado pelo menor contributo da margem financeira comercial”.

As comissões líquidas atingiram os 59,6 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2022 e são superiores em 4,7 milhões às reveladas no período homólogo de 2021 “ao beneficiarem dos maiores proveitos relacionados com operações de crédito (+2,6 milhões de euros), com a manutenção e gestão de contas (+0,9 milhões de euros) e com serviços de pagamento (+0,5 milhões de euros)”.

Os resultados em operações financeiras contabilizados no primeiro semestre somaram 20,7 milhões, “observando-se um aumento de 24,0 milhões de euros face ao valor do período homólogo de 2021, traduzindo o maior resultado com a reavaliação cambial em 20,3 milhões de euros e com a carteira de títulos em 4,0 milhões”, disse o banco.

No final de junho de 2022,a carteira de títulos do banco totalizou 4.420 milhões de euros, “evidenciando um aumento de 1.081 milhões de euros (+32,4%) face ao valor de final de 2021, resultante do incremento da posição detida em Dívida Pública, em consequência da implementação da politica de investimento em ativos elegíveis como forma de aplicação do excesso de liquidez, otimizando a margem financeira e o perfil de maturidades da carteira bancária”, diz a instituição que acrescenta que a estrutura da carteira de títulos em 30 de junho de 2022 era constituída em 95,2% por títulos de dívida pública soberana face aos 92,3% verificados no final de 2021.

Os outros resultados nos primeiros seis meses de 2022 foram negativos, no montante de 23,4 milhões de euros, que comparam com os -8,1 milhões de euros no período homólogo de 2021, tendo esta evolução sido determinada pelo menor proveito na alienação de ativos em 5,5 milhões de euros, pelo custo com a reavaliação de rubricas do passivo, líquido de proveitos com recompras, no valor de 9,8 milhões de euros e pelo aumento do custo com as contribuições aplicadas ao setor bancário em 3,2 milhões de euros, explica o banco.

Assim, do lado dos custos, os resultados líquidos no primeiro semestre de 2022 incorporam um custo de 25,9 milhões relacionado com as contribuições obrigatórias aplicadas ao setor bancário.

Houve um acréscimo das contribuições extraordinárias sobre o setor bancário para o Fundo de Resolução e para o Fundo de Garantia de Depósitos de, no agregado, 3,2 milhões de euros (25,9 milhões de euros no primeiro semestre de 2022 face a 22,7 milhões de euros no período homólogo de 2021).

Os custos operacionais apurados nos primeiros seis meses de 2022 totalizaram 121,4 milhões de euros, que comparam com 129,3 milhões de euros apurados no período homólogo de 2021, o que traduz uma redução dos custos operacionais em 8 milhões de euros.

O banco que tem um plano de redução de pessoal em curso revelou que os custos com pessoal caíram 6,8 milhões de euros, ou seja, desceram 8,5%, “capturando as sinergias resultantes da implementação do plano de ajustamento do quadro de colaboradores, das depreciações e amortizações em 0,3 milhões de euros. (-1,7%) e dos gastos gerais administrativos em 0,9 milhões de euros (-2,8%).

Saíram do banco 413 quadros desde o fim de 2020 

No âmbito da implementação do processo de ajustamento operacional, o total de colaboradores do Grupo Banco Montepio e de balcões da atividade em Portugal diminuiu, respetivamente, em 192 e em 17 face ao final de junho de 2021. No agregado, o programa de ajustamento operacional iniciado no último trimestre de 2020 revela uma redução de 413 trabalhadores. Isto significa  uma redução de 11% do quadro de pessoal. Destaque ainda para o encerramento de 74 balcões “geograficamente redundantes (-23%)”, até junho de 2022.

Excluindo os custos extraordinários e não recorrentes relacionados com o programa de ajustamento do quadro de colaboradores, os custos operacionais dos primeiros seis meses de 2022 registaram uma diminuição de 3,7%, ou seja, -4,6 milhões de euros, face ao valor do período homólogo de 2021.

Assim, o rácio de eficiência, medida pelo rácio Cost-to-income e excluindo o efeito dos resultados de operações financeiras e dos outros resultados, fixou-se nos 67,0% no final de junho de 2022, “denotando uma evolução favorável face aos 75,7% apurados no período homólogo de 2021”.

Verificaram-se ainda menores dotações para imparidades e provisões em 48,8 milhões de euros face ao período homólogo, refletindo, essencialmente, o desempenho das Imparidades para crédito.

O agregado das Imparidades e Provisões totalizou o valor líquido de 11,9 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2022,

As Imparidades para crédito no final de junho de 2022, “que considera a análise efetuada à carteira de crédito nas vertentes individual e coletiva”, atingiu 3,2 milhões de euros, tendo determinado um custo do risco de 0,1%, que compara favoravelmente com o valor de imparidade de 55,1 milhões de euros e com o custo do risco de 0,9% reportado no período homólogo de 2021.

“Esta evolução beneficiou da política definida pelo Banco Montepio para a tomada de risco de crédito e das medidas que têm vindo a ser concretizadas nas áreas de acompanhamento e de recuperação de crédito”, diz o banco em comunicado.

Já as imparidades de outros ativos financeiros, de outros ativos e outras provisões totalizaram 8,7 milhões no final de junho de 2022, face aos 5,6 milhões de euros contabilizados no período homólogo de 2021, “traduzindo o reforço das imparidades para imóveis de negociação, parcialmente mitigado pelas menores dotações efetuadas para outros ativos financeiros e a atualização resultante da reversão de provisões”.

No balanço, o banco reporta que o crédito a clientes (líquido de imparidades) totalizou 11.921 milhões de euros no final de junho de 2022, evidenciando um aumento de 253 milhões de euros (+2,2%) face ao valor registado no final de 2021.  Para isto contribuiu o aumento do crédito a empresas em 195 milhões de euros. Excluindo o efeito dos créditos abatidos ao ativo (write-off) efetuados nos primeiros seis meses de 2022, o crédito a clientes (bruto) relevou um aumento de 266 milhões de euros face a dezembro de 2021.

Já os depósitos de clientes ascenderam a 13.036 milhões de euros em 30 de junho de 2022, representando um aumento de 249 milhões de euros (+1,9%) relativamente aos 12.787 milhões de euros contabilizados no final de 2021, com o segmento de Particulares a representar 73% do total. Esta variação positiva está suportada nos clientes empresa que aumentaram os seus depósitos em 519 milhões de euros face ao final de 2021, por contrapartida da redução observada nos particulares de 270 milhões de euros.

O ativo total ascendeu a 19.842 milhões de euros em 30 de junho 2022, correspondendo a um acréscimo de 129 milhões (+0,7%) quando comparado com os 19.713 milhões registados no final de 2021.

Rácio de malparado cai

O Banco Montepio regista  uma melhoria da qualidade da carteira de crédito, medida pela proporção das exposições não produtivas (NPE) sobre o total do Crédito a Clientes (bruto), com o respetivo rácio NPE a situar-se em 7,7% no final dos primeiros seis meses de 2022, o que compara com 9,3% no período homólogo de 2021. “Para esta evolução têm contribuído a implementação da política definida para a tomada de risco de crédito e as medidas que têm vindo a ser adotadas nas áreas de acompanhamento e de recuperação de crédito”.

A cobertura das NPE por imparidades evoluiu favoravelmente de 53,5% em 31 de dezembro de 2021 para 53,8% no final de junho de 2022 e considerando, para além das imparidades, também os colaterais e garantias financeiras associadas, a cobertura as NPE eleva-se para 95,2% em 30 de junho de 2022.

Os capitais próprios progrediram favoravelmente de 1.363 milhões de euros no final de 2021 para 1.541 milhões em 30 de junho de 2022, “demonstrando os efeitos positivos apurados ao nível do resultado líquido (+23 milhões de euros), da reserva cambial positiva (+22 milhões) e do impacto favorável relacionado com os desvios atuariais do Fundo de Pensões (+131 milhões de euros).

“As responsabilidades com benefícios pós-emprego e de longo prazo no final do primeiro semestre de 2022, considerando também as provisões relevadas no balanço, encontravam-se totalmente financiadas, com o rácio de cobertura a situar-se em 121%”, refere o banco.

Em 30 de junho de 2022, as responsabilidades com o Fundo de Pensões ascenderam a 671,6 milhões, evidenciando uma diminuição de 184,8 milhões face ao valor contabilizado no final de 2021, “refletindo o efeito da alteração dos pressupostos, em particular o ajustamento da taxa de desconto no contexto da subida das taxas de juro”.

O banco liderado por Pedro Leitão regista ainda que, em 30 de junho de 2022, os rácios de capital voltaram a evoluir favoravelmente e “consolidaram a tendência de subida registada nos últimos trimestres em consequência da continuada redução dos ativos ponderados pelo risco (RWA) e do contributo dos resultados do exercício nos primeiros seis meses de 2022”. O capital core (CET1 soma 1.137 milhões de euros), sendo o rácio de CET1 de 12,6% que compara com os 10,3% em junho de 2021. O rácio de capital total (na versão fully loaded) está em 15,0%. Na versão phasing in o rácio de capital está em 15,5% (ou seja, este é o rácio que reflete a implementação gradual da legislação CRD IV/CRR, que em traços gerais, estabelece o reforço das exigências de capital e a introdução de buffers de conservação de capital).

O Banco Montepio ressalva que nos últimos 12 meses registou uma melhoria significativa nos rácios de capital, “suportada numa eficiente performance financeira e na evolução favorável no corrente ano da componente cambial associada ao kwanza resultante da atividade do Finibanco Angola”.

“Os RWA [ativos ponderados pelo risco] registaram uma diminuição de 105 milhões de euros no final do primeiro semestre de 2022 face ao valor apurado no final de 2021 em resultado da estratégia adotada de redução dos ativos não produtivos e da promoção de crescimento do negócio core de concessão de crédito em segmentos com menor risco e menor consumo de RWAs”, refere o comunicado.

O buffer de liquidez, correspondendo ao montante agregado da rubrica de balanço “Caixa e disponibilidades em Bancos Centrais” e ao valor de mercado dos ativos elegíveis para obtenção de liquidez junto do BCE, fixou-se em 3,8 mil milhões de euros, traduzindo, assim, uma confortável posição dos rácios de liquidez, diz ainda o banco. O Rácio LCR atingiu os 262,7% em 30 de junho de 2022, 162,7 p.p. acima do requisito mínimo regulamentar de 100%, evoluindo favoravelmente face ao rácio de 261,0% registado no final do período homólogo.

Em 30 de junho de 2022, o valor total da carteira de ativos elegíveis para operações de cedência de liquidez de política monetária europeia do Eurosistema ascendia a 4.982 milhões de euros, que compara com 3.808 milhões de euros (+30,8%) face ao final de 2021.

“No final de junho de 2022, esta carteira incluía ativos transacionáveis, nomeadamente instrumentos de dívida elegíveis, no montante de 4.414 milhões de euros, e ativos não transacionáveis, tais como direitos de crédito concedidos a empresas não financeiras e entidades do setor público, designadamente empréstimos bancários e linhas de crédito utilizadas, que cumpram com os critérios de elegibilidade específicos, avaliados em 568 milhões de euros”, refere o banco.

O montante de financiamento junto do Banco Central Europeu (BCE) obtido através das TLTRO-III ascendeu a 2.939,8 milhões de euros no final de junho de 2022, em linha com o valor registado no final de 2021. Por seu lado, no final de junho de 2022, o valor da carteira de colaterais elegíveis não comprometidos totalizou 2.027 milhões de euros, face aos 850 milhões registados no final de 2021.

“Adicionalmente, o Banco Montepio mantém uma confortável base de financiamento estável, determinada por uma estrutura de funding com recurso a instrumentos de médio e longo prazo, e que contribuiu para que o rácio NSFR se situasse em 121,1% em 30 de junho de 2022, 21,1 p.p. acima do requisito mínimo regulamentar de 100%, com uma variação favorável de 0,5 p.p. face ao registado no final de junho de 2021”, explica a instituição.

O Banco Montepio no final de junho de 2022, tinha um total de dívida emitida de 1.673 milhões de euros, “evidenciando uma redução face aos 1.834 milhões registados no final de 2021, em resultado da diminuição das responsabilidades representadas por títulos em 155 milhões, sendo que os Outros passivos subordinados se fixaram nos 211 milhões, com um decréscimo de 6 milhões face ao valor apurado no final de 2021”.

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