Banco Nacional de Angola desce juros, em contraciclo com os outros bancos centrais

O comité que decide a política monetária angolana justificou a descida dos jurps com a “consistência do abrandamento da evolução de preços na economia nacional, particularmente desde o início do ano, como resultado do contínuo e rigoroso controlo da liquidez, da apreciação do kwanza em relação às principais moedas utilizadas nas transacções com o exterior”.

Foi hoje decidido pelo Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (BNA) descer a taxa básica de juro de 20% para 19,5%; reduzir taxa de juro da facilidade permanente de cedência de liquidez de 23% para 21%; e manter inalterada a taxa de juro da facilidade permanente de absorção de liquidez em 15%.

O comité que decide a política monetária angolana justificou este movimento com a “consistência do abrandamento da evolução de preços na economia nacional, particularmente desde o início do ano, como resultado do contínuo e rigoroso controlo da liquidez, da apreciação do kwanza em relação às principais moedas utilizadas nas transacções com o exterior e do aumento da oferta de bens essenciais de amplo consumo”.

“O Banco Nacional de Angola entendeu estarem reunidas condições para a redução da taxa de juro directora”, lê-se no comunicado.

No domínio monetário, “a trajectória da base monetária em moeda nacional continua consistente com os objectivos de política monetária, tendo recuado 0,12% no mês de Agosto, correspondendo a contração no ano de 2,74%”, detalha o BNA.

Além do ambiente interno, a decisão tomada pelo BNA de descer os juros teve em consideração o contexto externo e os riscos inerentes, dada a exposição da economia angolana ao sector petrolífero e ao peso dos bens alimentares importados no cabaz de oferta ao mercado interno.

“O Banco Nacional de Angola continuará a acompanhar de perto os desenvolvimentos internacionais mais impactantes sobre a nossa economia, de modo a poder actuar atempadamente caso a evolução justifique”, afirma o banco central.

“A nível global, a larga maioria das economias continua a observar taxas de inflação elevadas, provocadas pelo conjunto de medidas tomadas para contrariar os efeitos da pandemia da Covid-19 e pelo choque negativo dos preços dos combustíveis e dos alimentos, em consequência de um contexto internacional influenciado pelo conflito militar no leste europeu”, refere o BNA.

Face a esta situação, os bancos centrais têm vindo a optar por políticas monetárias com sentido contracionista, operacionalizadas principalmente através do aumento continuado das taxas de juro de referência.

Mas, diz o BNA, no plano nacional, “os fundamentos macroeconómicos continuam animadores”.

“O sector externo da economia tem vindo a beneficiar da melhoria dos termos de troca, com a conta de bens a registar um saldo superavitário de 23,3 mil milhões de dólares norte-americanos em termos acumulados até Agosto de 2022”, o que traduz “um aumento de 78,5% comparativamente a igual período de 2021”.

“Este desempenho positivo reflecte o aumento do valor das exportações em 67,8% que excedeu o crescimento de 49,2% observado nas importações”, destaca o BNA.

As projecções do sector externo para os restantes meses do ano em curso mantêm-se positivas, “não obstante a previsão de pressão em baixa do preço do barril de petróleo nos mercados internacionais, dadas as expectativas de abrandamento do ritmo de crescimento das principais economias mundiais”, refere o banco central.

O BNA destaca que “as Reservas Internacionais, no final do mês de Agosto, situaram-se em 13,8 mil milhões de dólares norte-americanos, o que se traduz numa cobertura de cerca de 7 meses de importações de bens e serviços”.

Em Angola, segundo o banco central, “no sector real, os dados sobre o emprego e o clima de confiança dos gestores e empresários, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao segundo trimestre de 2022, evidenciam a consolidação do crescimento da actividade económica”.

Por sua vez, em Angola, “o desemprego reduziu pelo terceiro trimestre consecutivo, atingindo uma taxa de 30,2%, abaixo da registada no mesmo período do ano transacto que foi de 31,6%, ao passo que a confiança dos gestores e empresários do sector não financeiro relativamente à evolução da economia nacional no curto prazo se mostrou optimista”.

“Não obstante as incertezas sobre a economia internacional e potencial impacto sobre a economia nacional, a perspectiva do crescimento da actividade económica no país é positiva, tanto para último trimestre do corrente ano, como para 2023”, refere o BNA.

No que se refere à actividade financeira, comparativamente a Dezembro de 2021, destaca-se o crescimento em 7,1% do stock de crédito concedido em moeda nacional (kwanza). “Apesar da preocupação com o crédito mal parado que se situa em 21%”, diz o supervisor bancário de Angola.

A inflação prossegue o seu percurso de desaceleração em Angola e no mês de Agosto fixou-se em 19,8%, abaixo dos 21,4% do mês anterior e dos 26,1% do período homólogo.

“As classes de alimentação e bebidas não alcoólicas; hotéis, cafés e restaurantes e de lazer recreação e cultura foram as que mais contribuíram para a queda do ritmo de crescimento da inflação homóloga”, diz o comunicado.

O Comité de Política Monetária do BNA mantém a perspectiva de a taxa de inflação no final do ano em curso situar-se abaixo da previsão inicial de 18%, caminhando para o objectivo de um dígito no médio prazo.

“A próxima reunião do Comité de Política Monetária, realizar-se-á no dia 25 de Novembro de 2022, devendo ocorrer na cidade do Uíge”, anuncia o banco central.

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