Bancos envolvidos na aquisição do Twitter por Elon Musk poderão perder milhões

Dos 44 mil milhões que Musk terá de pagar pela compra da rede social, 12,5 mil milhões serão garantidos por empréstimos bancários. Exemplos recentes e cenário económico sombrio pesam nas projeções da banca envolvida.

Rebecca Cook / Reuters

A compra do Twitter por Elon Musk, confirmada esta terça-feira a meio da sessão após meses de vai-não-vai, poderá trazer dores de cabeça para os bancos e instituições financeiras envolvidas no financiamento do negócio de 44 mil milhões de dólares (cerca de 44,6 mil milhões de euros).

Elon Musk já tinha dado sinais de que estaria disposto a vender uma parte (ou o todo) da sua participação na Tesla para garantir a maior fatia da soma que necessita. Mas mesmo com a liquidez que virá do fabricante automóvel e com o financiamento já acordado de outros grandes investidores, pelo menos 12,5 mil milhões de dólares virão de alguns dos maiores bancos mundiais.

A lista de bancos envolvidos inclui o Morgan Stanley, o Bank of America Corp. e o Barclays Plc, entre outras instituições como o Societé Genereale SA, o BNP Paribas SA ou o Mitsubishi UFJ Financial Group Inc.

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Os alarmes para a banca soaram esta quarta-feira, menos de 24 horas desde a confirmação da venda – que já tinha recebido luz verde dos acionistas no mês passado. Em causa está a dificuldade que os bancos terão em vender dívida do Twitter, como confirmou uma dezena de banqueiros e analistas à agência Reuters.

O pacote de dívida do Twitter ascende aos 12,5 mil milhões de dólares. A maioria deste valor (6,5 mil milhões) vem de financiamento bancário e o restante em emissões de títulos de dívida.

A Apollo Global Management tinha acordado financiar o negócio em mil milhões de dólares, mas o acordo foi rasgado esta quarta-feira, avança a Reuters.

Como acontece na maioria das grandes aquisições, a estratégia tipicamente adotada pela banca passa por tentar desfazer-se ao máximo da dívida do ativo que financia. Mas o interesse dos investidores para este tipo de ativos tem arrefecido em virtude da escalada das taxas de juro pelos principais bancos centrais e por uma volatilidade generalizada nos mercados, apesar de o tecnológico Nasdaq continuar a animar Wall Street.

Não ajuda, contudo, que as nuvens de uma possível recessão se comecem a adensar no horizonte.

Essencialmente, os bancos envolvidos na transação estão “entre a espada e a parede”, como ilustra um analista citado pela mesma agência. “Não têm escolha senão financiar o negócio”, diz, mesmo que as perdas cheguem às centenas de milhões de dólares, um cenário que, à luz de exemplos recentes, se torna bem possível.

Estes receios surgem depois da tentativa falhada de vários bancos de vender 3,9 mil milhões de dívida usada para financiar a compra da empresa de telecomunicações Lumen Technologies pela Apollo Global Management. Antes disso, o resgate da empresa de software Citrix Systems pela banca deixou um buraco de cerca de 700 milhões.

No segundo trimestre deste ano, vários bancos norte-americanos começaram a sentir efeitos nefastos associados à exposição de certos ativos, como as alavancagens, à medida que as projeções de fusões e aquisições (M&A) se tornam mais contidas.

Até palavra em contrário (não seria inédito), o negócio de Musk para comprar o Twitter poderá ficar finalizado dentro de poucos dias a semanas, enquanto que os bancos se preparam para apresentar ganhos do terceiro trimestre já a partir da próxima semana.

Recorde-se que Musk expressou inicialmente interesse público em comprar o Twitter em abril deste ano. Depois de recuar na palavra – ação que prejudicou o valor da empresa na bolsa norte-americana – o caso deu entrada nos tribunais. A primeira audiência estava agendada para 17 de outubro, mas até lá o negócio pode ficar fechado.

Notícia atualizada às 22h19 dando nota de que a Apollo Global Management recuou na decisão de financiar o negócio

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