Bancos estão focados na cibersegurança e inovação tecnológica

Com o aumento da utilização da tecnologia, subiram os riscos associados a falhas operacionais e a ataques externos, pelo que o investimento em cibersegurança é prioritário.

A inovação tecnológica e a alteração de comportamento dos consumidores conduziu ao desenvolvimento de novos modelos de negócio na banca e ao desenvolvimento de novos serviços de pagamento.

É certo e sabido que todos os trimestres os bancos reportam a subida exponencial dos clientes digitais ativos e dentro destes a escalada de clientes mobile, que usam o telemóvel para as operações que antes faziam nos balcões e até nas caixas multibanco. Só isso serviria para justificar o forte investimento em infraestruturas de tecnologias que a banca tem vindo a fazer. A banca têm invocado a necessidade de adequar a oferta à tipologia da procura e à evolução e incorporação de tecnologia nos modelos e processos de negócio.

O CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, defendeu esta semana o forte investimento tecnológico e em cibersegurança como desafios da banca do futuro.

Na vanguarda da inovação, o BPI foi o primeiro banco até agora a lançar um balcão imersivo 100% virtual em Portugal, através da plataforma Metaverso. Este é o primeiro resultado do centro de excelência e inovação para novos negócios liderado por Afonso Eça. O BPI espera que este balcão virtual, no futuro, possa funcionar como um novo canal para operações bancárias e de distribuição de produtos e serviços, a exemplo do que sucedeu com a evolução da banca digital móvel há uma década que evoluiu de apenas websites para homebanking.

Com o aumento crescente da utilização da tecnologia, aumentaram os riscos associados a falhas operacionais e a ataques externos às instituições de crédito. O Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, numa intervenção esta semana, disse que “a identificação, definição e implementação de medidas que permitam mitigar este risco é fundamental”. Neste domínio, “a cooperação entre todos os intervenientes de mercado assume um papel essencial, pelo que não poderia deixar de reconhecer publicamente o envolvimento do setor no Fórum com a Indústria para a Cibersegurança e Resiliência Operacional, promovido pelo Banco de Portugal desde 2020”, defendeu Mário Centeno.

Ao Jornal Económico, o Santander Totta lembra que “a disrupção tecnológica e as capacidades de distribuição digitais levaram ao aparecimento de diferentes modelos de negócio e de novos players, que operam em nichos específicos, de uma forma inovadora e que, por não terem o enquadramento regulatório que os bancos estão sujeitos, conseguem ser mais rápidos na sua execução”.

A banca tradicional tem assim o desafio de se adaptar a esta nova realidade. “Não é suficiente investir em tecnologia, temos de apostar também no talento, em novas formas de colaboração e de métodos para conhecer os nossos clientes, que permitam servi-los em todas as suas necessidades e de uma forma personalizada”, refere o banco liderado por Pedro Castro e Almeida. O Santander lembra que “está a investir em muitas Fintechs, mas está também a criar as suas, combinando todas as suas valências com as de um banco tradicional, para no final termos um modelo de relacionamento mais imediato e funcional, que permita a cada um ter o banco no seu bolso, a qualquer hora e em qualquer lugar”.

Também Miguel Maya, CEO do BCP, ao Jornal Económico, diz que o banco “está constantemente a investir em inovação para superar os desafios de hoje e para simultaneamente se preparar para o futuro”. “Mantemos uma trajetória de acelerada transformação digital que potencia o modelo de negócio de banca comercial que nos caracteriza, assente nas relações simbióticas que advêm da utilização da tecnologia conjugada com um atendimento personalizado de elevada qualidade”, refere Miguel Maya.

A alteração dos hábitos e preferências de interação dos clientes, os quais aderiram aos canais digitais com a mesma naturalidade com que no passado incorporaram nas suas rotinas a utilização das ATM, está a marcar a agenda da banca.

“A forte incorporação de tecnologia nos modelos e processos de negócio no setor financeiro está bem patente nos investimentos que a banca tem vindo a fazer de forma continuada de modo a assegurar a inovação necessária para merecer a confiança dos clientes em contexto de Open Banking na União Bancária Europeia”, tem dito Miguel Maya.

“Novas atividades e novos players no mercado financeiro exigem o acompanhamento/ajuste da regulação e supervisão”, defendeu recentemente o administrador do BdP, Hélder Rosalino.

Na área dos serviços de pagamentos é que a inovação tecnológica é mais visível em grande parte devido à alteração de comportamento dos consumidores que exigem opções de pagamento seguras, fáceis e convenientes. É aqui que o sector financeiro sente mais a concorrência das Big Techs (por exemplo com as wallets virtuais) e das Fintechs. Segundo dados do BdP, 17% das FinTechs portuguesas atuam na área de pagamentos e transferências de fundos.

Na lista dos desafios futuros da banca está ainda a moeda digital do BCE. O euro digital, se vier a ser emitido, será a MDBC do Eurosistema, complementar ao numerário e disponibilizada ao público em geral (particulares e empresas) para utilização nos pagamentos de retalho. Recentemente, o administrador do BdP, Hélder Rosalino, disse que “o euro digital terá funcionalidades equivalentes às situações de pagamento modernas, será usado em toda a área do euro, terá o objetivo de contribuir para redução da exclusão financeira, atenderá a questões de privacidade, será livre de riscos e encargos e deverá coexistir com soluções de pagamento privadas”. A fase de investigação ficará concluída no fim de 2023 e deverá ser emitido e a circular entre 2025 e 2026. Em que situações pode o euro digital vir a ser usado? No comércio eletrónico, através de dispositivos de pagamento físico (seja cartões, seja wallets, etc); vai ser possívell usar nas transferência de valores entre pessoas e para fazer pagamentos a instituições governamentais.

No entanto, também este euro digital cria um risco para os bancos. As contas vão estar custodiadas no banco central, portanto haverá dois tipos de contas bancárias, uma no banco comercial e outra no banco central, o que significa que haverá uma transferência de poupança (recursos) da banca comercial para o Banco de Portugal. Mas o BdP diz que se está a criar mecanismos para evitar isso.

Sobre o futuro da banca, também o presidente da associação do sector, Vítor Bento, defende que a sustentabilidade da banca vai depender da capacidade de adaptação às exigências das transformações tecnológicas e da agenda climática.

Já Centeno lembrou esta semana que “as alterações regulamentares em curso em Portugal e na Europa serão desafiantes, quer para o sistema bancário português, quer para o próprio Banco de Portugal. Mas serão também fundamentais para construirmos em conjunto a nossa Banca de Futuro”.

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