Bancos europeus obrigados a cobrir riscos associados ao malparado

Acordo político obriga os bancos europeus a criarem reservas de fundos para cobrir os riscos associados ao crédito malparado.

Alessandro Bianchi/Reuters

A União Bancária deu mais um passo na sua integração com o acordo político alcançado, esta terça-feira, entre o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia, que obriga os bancos europeus a criarem reservas de fundos para cobrir os riscos associados aos empréstimos que possam vir a ter mau desempenho, isto é, o crédito malparado (conhecido em inglês como non performing loans, ou NPL).

Segundo o boletim informativo da Comissão Europeia, “o acordo político de hoje [terça-feira] é um passo importante na redução dos riscos do setor bancário europeu e no reforço da sua resiliência” e “contribui para a rápida conclusão da União Bancária”.

As medidas acordadas obrigam que os bancos evitem acumular exposições de mau desempenho nos balanços, permitindo-lhes, “em última análise, que (…) desempenhem o seu papel indispensável no financiamento da economia e no apoio ao crescimento”, lê-se na nota.

Para o vice-presidente da Comissão responsável pela Estabilidade Financeira, Serviços Financeiros e União dos mercados de Capitais, Valdis Dombrovskis, o acordo político entre as duas instituições europeias “garante que os bancos tenham menos NPL nos seus balanços, tornando-os mais sólidos e permitindo que financiem as nossas empresas”. Dombrovskis conta “com o Parlamento Europeu e com o Conselho para que cheguem rapidamente a acordo sobre as propostas que estão em cima da mesa, que visam desenvolver os mercados secundários de NPS e facilitar a cobrança de dívidas”.

Estas últimas, por sua vez, visam permitir a rápida execução extrajudicial de empréstimos cobertos por garantias, bem como um plano técnico de criação de sociedades nacionais de gestão de ativos.

As medidas acordadas esta terça-feira integram um lote de ações apresentadas pela Comissão em março deste ano para resolver o problema do NPL na União Europeia. Foi a 14 de março de 2018 que a Comissão propôs um pacote de medidas para resolver o malparado na banca da União Europeia, que foi elaborado depois de os ministros das Finanças europeus terem aprovado, em julho de 2017, o “Plano de Ação para a redução dos empréstimos de mau desempenho (NPL)”.

Relacionadas

“União Económica e Monetária pode, a prazo, ficar em causa”, alerta vice-governador do BdP

Luís Máximo dos Santos defende que reforma da União Económica e Monetária “é tão difícil quanto necessária”. E considera que as alterações até agora introduzidas, ainda que positivas, são “insuficientes para garantir a sustentabilidade a longo prazo da UEM e assegurar a estabilidade financeira” tanto a nível da União como dos países que a integram.

Respostas rápidas: O que foi decidido sobre a reforma da zona euro?

Líder do Eurogrupo, Mário Centeno, anunciou esta terça-feira que os Estados-membros chegaram a acordo após uma maratona de negociações de 18 horas.

Bruxelas destaca redução de 24 mil milhões de euros de malparado em Portugal

A Comissão Europeia apelou esta quarta-feira a que o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu dêem ‘luz verde’ aos restantes 10 fundamentos para concluir a União dos Mercados de Capitais. Portugal mereceu aplausos em matéria de NPLs.
Recomendadas

Juro médio dos novos depósitos de particulares dispara em outubro para máximo de cinco anos

Segundo os dados divulgados hoje pelo Banco de Portugal (BdP), “em outubro o montante de novos depósitos a prazo de particulares foi de 4.726 milhões de euros, remunerados a uma taxa de juro média de 0,24%”.

PremiumBanca antevê dificuldades em identificar todos os clientes em 45 dias

Os bancos têm 45 dias para verificar se têm clientes do crédito à habitação que qualifiquem para efeitos da aplicação do diploma do Governo, mas o apuramento dos rendimentos reais é um obstáculo.

Juro médio nos novos créditos à habitação em outubro com maior subida mensal desde 2003

“Trata-se da maior subida mensal desde o início da série estatística, em 2003”, salienta o Banco de Portugal (BdP), explicando que “esta evolução acompanha a subida das taxas médias da Euribor”.
Comentários