Bancos globalmente sistémicos com melhor performance dos resultados no primeiro trimestre

O Goldman Sachs fez uma análise aos resultados dos bancos no primeiro trimestre comparando, por um lado, os globalmente sistémicos dos outros e, por outro, os bancos da zona euro e de fora do euro. Em termos de rentabilidade o ROTE caiu 1,4 pp nos G-SIBs e subiu 0,5 pp nos outros bancos. Sendo nos G-SIBs em média de 7,7% e nos bancos não sistémicos, em média, de 10,3%.

NEW YORK – APRIL 27: Financial professionals sit in the Goldman Sachs booth on the floor of the New York Stock Exchange watch a television showing market news April 27, 2010 in New York City. U.S. stocks dropped sharply April 27 after Standard & Poor’s downgraded the debt of Greece and Portugal, sending the Dow Jones industrial average down more than 200 points. (Photo by Chris Hondros/Getty Images)

O banco norte-americano Goldman Sachs publicou o seu “European Banks Earning Tracker”, relativo ao primeiro trimestre de 2022.

Nele é possível ver que os Global Systemically Important Banks (G-SIBs) – bancos globais sistemicamente importantes – viram os resultados líquidos no primeiro trimestre caírem 9% face ao mesmo período do ano anterior, enquanto os bancos não globalmente sistémicos onde se inclui o banco português Millennium BCP viram os lucros caírem 23% no mesmo período.

A lista de bancos globais sistemicamente importantes não tem nenhum banco português e dentro da zona euro inclui o BBVA, o Santander, o BNP Paribas, o Deutsche Bank, o francês Groupe BPCE, o Groupe Crédit Agricole, o ING Bank, o Société Générale e o Unicredit Group num grupo de quase 40 instituições com essa classificação mundial.

Já nos resultados antes de impostos verifica-se que os bancos globais sistemicamente importantes (G-SIBs) caíram 3% e os não sistémicos a nível global subiram 10%.

Em termos da conta de resultados, a margem financeira dos bancos globalmente sistémicos melhorou 7% e nos outros bancos subiu 12%. Nas comissões nos primeiros a subida foi de 9% e nos segundos de 11%. O total das receitas evoluiu 3% e 13%, respectivamente.

Já do lado dos custos a análise do banco globalmente sistémico norte-americano revela que subiram 8% e 3% nos respetivos grupos de bancos.

Já em termos de imparidades, os bancos sistémicos libertaram imparidades (-11%) e os bancos não globalmente sistémicos reforçaram em 52% o nível de imparização dos ativos.

No primeiro trimestre o custo do risco, em percentagem da carteira de crédito, caiu nos bancos globalmente sistémicos, 8 pontos base, ao passo que nos outros subiu 9 bps.

O único banco português na análise do Goldman Sachs é o BCP que viu as suas ações subirem 7% em reação à apresentação de contas trimestrais. Os lucros do BCP subiram 95% e foram 31% acima do consenso dos analistas segundo o documento. A rentabilidade do BCP medida pelo ROTE é de 8,6%, o que traduz uma melhoria anual de 4,4 pontos percentuais. Em termos de receitas a margem subiu 24%; as comissões 13%; o produto bancário avançou 21%. Os custos aumentaram apenas 1% e as imparidades recuaram 19%.

Se olharmos para a comparação bancos da zona euro versus os que estão fora do euro, o custo do risco subiu 14 pontos base nos primeiros e caiu 24 bps nos segundos.

As maiores subidas de lucros numa comparação anual, no primeiro trimestre, foram do austríaco Raiffeisen (+105%) e do espanhol Sabadell (+192%).

O BBVA e o Bankinter comparam bem na rentabilidade medida pelo Return on Tangible Equity (ROTE), com 16% e 13,5% respetivamente.

Na área do euros, os bancos viram no conjunto os lucros caírem 23% numa comparação anual, segundo os números do primeiro trimestre. Já os bancos fora do euro registaram uma queda inferior de 6%.

Recomendadas

Banco BAI viu lucros em Cabo Verde aumentarem 384% em 2021

O BAI Cabo Verde, participado também pela petrolífera Sonangol, registou um resultado líquido superior a 150,2 milhões de escudos (1,3 milhão de euros).

Banco de Fomento aprova candidaturas ao programa de recapitalização no valor de 77 milhões de euros

Estas são as primeiras operações ao abrigo do programa criado no contexto do Plano de Recuperação e Resiliência “para ajudar a reforçar o capital e a solvência de empresas viáveis”.

Miguel Raposo Alves é o novo CEO do angolano Millennium Atlântico

Além de Miguel Raposo Alves, que assume o cargo de presidente da comissão executiva, o banco passa a contar com Mauro Santos Neves enquanto administrador executivo e com José Carlos Burity na qualidade de administrador independente, não executivo.
Comentários