Bancos receberam milhares de pedidos de reestruturação mas só há “mil ou dois mil” concretizados, diz CEO da CGD

Os bancos terão já recebido “alguns milhares de pedidos de reestruturação” de créditos à habitação, reconheceu o presidente da CGD. Mas, disse, “no sentido em que se está a aguardar muita informação das famílias”, desses pedidos, só terão sido concretizados “mil ou dois mil”.

Cristina Bernardo

Os bancos já receberam milhares de pedidos de reestruturação do crédito, mas os pedidos concretizados devem rondar os “mil ou dois mil” entre as várias instituições financeiras, afirmou Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, no Encontro Fora da Caixa que se realizou em Vila Nova de Gaia esta terça-feira.

“Há uma preocupação generalizada com o aumento das taxas de juro. A preocupação é maior no caso das famílias porque as prestações da casa aumentam”, começou por dizer o CEO do banco estatal. “Há famílias que têm dificuldades com o aumento das taxas. Se as taxas continuarem a aumentar poderão ainda ter maiores dificuldades”, referiu.

Ainda assim, e apesar de estimar que os “bancos terão alguns milhares de pedidos de reestruturação”, os “pedidos feitos, concretizados” devem rondar os “mil ou dois mil”, numa altura em que “ainda se está a aguardar muita informação das famílias”.

“Há muitas famílias que querem aguardar para saber qual será a evolução da taxa de juro”, disse ainda Paulo Macedo, relembrando que as dificuldades das famílias sentem-se sobretudo na classe média, uma vez que “a classe baixa não teve possibilidades de endividar-se para comprar casa”.

Nos Encontros Fora da Caixa que decorreram no Hotel Hilton Porto Gaia, em Vila Nova de Gaia, Paulo Macedo, Presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos (CGD), defendeu ainda o ganho de dimensão das empresas e o fim das empresas zombie.

Paulo Macedo abordou seis aspectos que considerem ser desafios dos CEO das empresas: a competitividade, a cadeia logística, os modelos de negócios, os novos riscos, as pessoas, e os requisitos ESG.

As empresas portuguesas levam mais tempo a resistir às crises, face às empresas anglo-saxónicas, reconheceu o presidente da Caixa.

No que toca às cadeias de logística, o CEO da CGD lembrou que “ninguém vai voltar ficar de dependente de um só fornecedor, nomeadamente daqueles que vêm da Ásia, porque as cadeias de abastecimento foram bastante afectadas com os acontecimentos recentes” e “menor desglobalização é sinónimo de custos de mais altos”.

O CEO falou ainda dos custos de contexto e abordou o tema da morosidade da justiça. “Ainda hoje se estão a resolver casos de créditos de grande empresas com origem na crise de 2007 e 2008”, disse Paulo Macedo que pediu que houvesse uma melhoria na justiça.

O primeiro Encontro Fora da Caixa de 2023 teve como tema “2023: desafios para as empresas”. A abertura do Encontro Fora da Caixa, pelas 15 horas, foi assegurada por António Morais, Presidente do Conselho de Administração da Caixa, seguindo-se um enquadramento das “Tendências Macroeconómicas e Novos Desafios”, por Paulo Moita de Macedo, Presidente da Comissão Executiva da Caixa.

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