Banif. Governo tem propostas de compra

Quinta-feira, o regulador comunicou aos mercados que as ações do Banif vão estar suspensas “até à prestação de informação relevante relativa ao processo de venda voluntária do mesmo”.


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No momento em que esta decisão foi tomada, as ações do banco subiam 45%, mantendo a recuperação.

A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários emitiu um comunicado oficial onde informa que deliberou “suspender a negociação em mercado regulamentado dos valores mobiliários emitidos pelo BANIF – Banco Internacional do Funchal, até à prestação de informação relevante relativa ao processo de venda voluntária do mesmo”. As ações do Banif ganhavam 45,45% para 0,2 cêntimos, um avanço de 0,06 cêntimos face ao fecho de quarta-feira. Os títulos mantiveram durante esta sessão uma tendência sempre positiva.

As propostas para aquisição da instituição financeira, liderada por Jorge Tomé, já chegaram à administração que as irá encaminhar para o acionista, o Estado, avançam alguns órgãos de comunicação social. Mas o que se passa no Banif?

O banco tem que mostrar à DGComp, em Bruxelas, que há uma solução para os problemas que atravessa. Não marca prazo para os seis concorrentes (que diz ter à compra de capital) apresentarem proposta mas pede-lhes que se apressem, pois o inquérito às ajudas do Estado pode morrer se a solução privada for confirmada. A data limite para apresentação de propostas, ao que o OJE sabe, mantém-se inalterada. O banco, em coordenação com o Ministério das Finanças, está na expectativa que haja antecipação de alguns compradores.

Bancos espanhóis, como o Santander e o Popular, além da gestora de “private equity” Apollo, são apontados como interessados em diferentes “Banifs”. A uns interessará mais a carteira de clientes, a outros as sucursais e a todos o excelente mercado que são as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores e os seus emigrantes da Venezuela e da África do Sul.

O homem do leme
E Jorge Tomé tem sido o homem do leme nesta dura missão. Estava mais tranquilo na sua Caixa Geral de Depósitos, onde granjeou nome pela seriedade e competência. Mas a paixão por um projeto privado foi mais forte que o banco público. Jorge Tomé já tinha estado para sair para CFO do Millennium BCP quando Santos Ferreira foi escolhido pelos acionistas angolanos para liderar o banco fundado por Jorge Jardim Gonçalves. Mas a política e a necessidade de na CGD se manter alguém forte tecnicamente levaram a que o seu nome fosse preterido.

Quando “pegou” no Banif já foi numa fase difícil do banco. Guerras de sucessão, envolvendo a seguradora e o banco, modificações na gestão e a crise já instalada fizeram com que o banqueiro dedicasse o seu tempo a recuperar a casa e a cumprir as exigências de Bruxelas quanto a venda de ativos e a ajustamento de dimensão. Pouco tempo teve para cuidar da reputação e da banca de retalho. O banco foi diminuindo de dimensão. O negócio foi rareando e a confiança dos depositantes foi sendo fragilizada.

Jorge Tomé está quase a concluir um negócio de alienação quando fracassa o processo de venda do Novo Banco. A confiança dos investidores externos, que depois da desistência dos homens da Guiné Equatorial ficou enfraquecida, levou tempo a voltar a atrair. O Novo Banco, as eleições em Portugal e a instabilidade que um Governo apoiado pelos inimigos dos banqueiros e da banca privada poderia trazer, atrasaram ainda mais o processo. A pressão da Comissão Europeia mantém-se. O tempo urge. E surge a notícia descabida que leva o pânico aos balcões. Na Madeira e nos Açores os pequenos aforradores não param de vir pedir informações e de resgatar as suas poupanças.

Jorge Tomé reage rapidamente e emite um comunicado em que descansa os depositantes, muito com base na garantia de Estado para os depósitos até 100 mil euros, e informa que agirá judicialmente contra a TVI. A estação de televisão vem desculpar-se. Jorge Tomé decide ir a outro canal de televisão dar explicações e simultaneamente o primeiro-ministro, António Costa, chama os partidos a São bento, juntamente com o seu ministro das Finanças, emitindo uma declaração que deixa o país descansado, ou pelo, menos retira pressão. O problema existe mas o Banif nada tem a ver com o BES/GES, com o BPN ou com o BPP.

No Banif pode haver crise e pode haver gestão menos correta, mas não há ninguém acusado de crimes, nomeadamente, cometidos em proveito próprio. O Banif pode ser um banco pequeno mas foi fundado por gente de grande nome e é gerido por gente séria. O estado de alma dos portugueses não leva muito a bem que se digam verdades positivas. Mas a verdade é que o que falta ao Banif é o que aconteceu já a outros bancos que estiveram como o banco fundado por Horácio Roque, falidos até à intervenção do Estado: um acionista de bolsos fundos.

PM assertivo
Transmitir tranquilidade e confiança aos clientes do Banif parece, pois, ser um objetivo comum: o Governo, o banco e, embora tarde, também o Banco de Portugal asseguram a “plena proteção dos depositantes”. O líder do Banif fez o mesmo na segunda-feira à noite em declarações à RTP Madeira. O Banco de Portugal pronunciou-se apenas terça-feira e “garantiu a segurança dos depósitos”. Jorge Tomé retoma o barco, os meios de comunicação social assumem um comportamento sério e responsável no tratamento do tema, não deixando de criticar o que é criticável, mas não alimentando especulações.

Hoje será mais um dia na vida do Banif. Os acionistas anseiam por novos parceiros de capital, os trabalhadores questionam-se sobre os seus postos de trabalho, os depositantes (clientes) estão muito mais tranquilos e Jorge Tomé e a sua equipa lutam por um projeto difícil.

Por Vítor Norinha/OJE

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