Bankinter revê em alta crescimento do PIB para 1,8% em 2020 mas alerta para a fraca produtividade nacional

“É, portanto, fundamental resolver o tema da produtividade, de forma a impulsionar o crescimento potencial do PIB”, vincou o Bankinter na nota de research. O investimento será impulsionado pelas baixas taxas de juro e pela construção. No imobiliário, o banco espanhol considera que o mercado ainda não está equilibrado entre procura e oferta e antevê que os preços das casas subam 4,5% em 2020.

Cristina Bernardo

A dois dias do início de 2020, o Bankinter publicou a nota de research “Estratégia de Investimento no primeiro trimestre de 2020” onde reviu em alta o crescimento da economia portuguesa mas deixou um alerta: é imprescindível fortalecer a produtividade no mercado de trabalho nacional, que continua em níveis muito baixos, para impulsionar o crescimento potencial do PIB português.

“Recordamos que o forte crescimento do PIB nos últimos anos não foi gerado por um aumento da produtividade do trabalho, mas sim por um aumento do número de trabalhadores”, assinalou o banco espanhol. “Contudo, esta época do crescimento ‘fácil’, por via da criação de emprego, parece estar a chegar ao fim perante a estagnação da taxa de desemprego. É, portanto, fundamental resolver o tema da produtividade, de forma a impulsionar o crescimento potencial do PIB”, vincou o Bankinter na nota de research.

O Bankinter considera que o PIB vai crescer 1,8% em 2020, mais dois pontos base do que anteriormente projetado, mas alerta que o ritmo do crescimento já está a abrandar – o ritmo do crescimento atual (1,9%) é metade do verificado no segundo trimestre de 2017 (3,8%), já depois do Instituto Nacional de Estatísticas ter alterado a base de referência de 2011 para 2016 e revisto em alta a série de crescimento da economia portuguesa.

Para o Bankinter, “este abrandamento reflete a menor procura externa, num contexto de desaceleração do crescimento mundial, e alguns desafios de índole interna, nomeadamente o baixo nível de produtividade, aliado a um abrandamento no ritmo de criação de novos postos de trabalho”.

Consumo moderado das famílias

A procura interna deverá continuar a ser o motor do crescimento da economia acima da média do crescimento da zona euro até 2021, explicou o Bankinter. O consumo privado deverá manter a “tendência favorável” que se tem verificado nos últimos trimestres, apesar do abrandamento das vendas de retalho, que ainda assim cresceram 3,5% em outubro.

No entanto, “é inevitável que ocorra uma moderação no consumo das famílias daqui para a frente”, reconheceu o Bankinter. “Sobretudo porque o efeito da rápida criação de novos empregos, que foi o grande impulsionador do crescimento do consumo nos últimos anos, começará a deixar de exercer pressão”, frisou o banco espanhol.

O Bankinter recordou ainda que foram “apenas” criados 35 mil novos postos e trabalho no terceiro trimestre de 2019, um valor abaixo da média dos últimos três anos, situada em 113 mil empregos por trimestre, numa altura em que a taxa de desemprego “parece ja ter alcançado um nível que pode considerar de ‘pleno emprego'”.

Baixas taxas de juro e imobiliário impulsionam investimento

Na nota de research, o Bankinter prevê que a formação bruta de capital fixo (investimento) cresça 3,9% no próximo ano, abrandando para 2,5 em 2021. Mas, apesar do abrandamento, o Bankinter realçou que o ritmo de crescimento do investimento se mantém “bastante robusto”.

A impulsionar o crescimento do investimento estão as taxas de juro, que deverão manter-se nos níveis atuais durante os próximos dois anos, “pelo menos”, vincou o Bankinter. Além disso, o Bankinter destacou “o dinamismo no setor da construção” devido à “crescente procura por imóveis e a significativa escassez de oferta”. Atualmente, Portugal é o país da zona euro que apresenta o rácio de casas novas por cada mil habitantes mais baixo da zona euro – 1,20. “É, portanto, expectável que grande parte do investimento realizado em Portugal continue a ser canalizado para o setor da construção”, anteviu o Bankinter.

Além disso, no imobiliário, o Bankinter projetou que os preços no setor residencial continuem a subir porque “o mercado ainda se encontra longe de um equilíbrio entre procura e oferta, pelo que os preços continuarão a ser pressionados em alta pela escassez de oferta de imóveis para venda”.

“Dado que os restantes pilares do mercado imobiliário também não vão desaparecer – baixo custo de financiamento e aumento da procura – os preços deverão manter uma tendência de crescimento, embora a um ritmo mais moderado”, apontou o Bankinter, que previu que os preços das casas subam 4,5% em 2020 e 3% em 2021.

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