BCE antecipa agravamento dos défices na zona euro em 2019

Instituição presidida por Mario Draghi antecipa o abrandamento da economia mundial em 2019. Frankfurt prevê ainda que os défices orçamentais dos países da zona euro deverão aumentar nos próximos dois anos.

O Banco Central Europeu (BCE) alerta para o abrandamento da economia mundial e para um agravamento dos défices nos países da zona euro no próximo ano, depois de uma descida acentuada este ano. As previsões constam do Boletim Económico da instituição presidida por Mario Drgahi, publicado esta quinta-feira.

“Embora a atividade económica mundial tenha continuado resiliente, tornou-se mais desigual e estão a emergir sinais de moderação”, assinala Frankfurt, acrescentando que “o amadurecimento do ciclo económico global, o declínio do apoio às políticas das economias avançadas e o impacto das tarifas entre os Estados Unidos e a China estão a pesar na actividade global”.

O BCE realça o abrandamento do comércio mundial e o aumento da incerteza sobre o futuro das relações comerciais e antecipa que “a actividade económica global deverá desacelerar em 2019 e permanecer estável a partir de então”.

Frankfurt antecipa uma expansão económica de 1,9% para a zona euro este ano e 1,7% no próximo ano, tal como assinalado por Mario Draghi na conferência de imprensa de 13 de Dezembro, após a reunião de política monetária do Conselho de Governadores. As projeções comparam com os 2% previstos para 2018 e de 1,8%, do Boletim de setembro. Para 2020, o BCE prevê uma expansão de 1,7%, desacelerando no ano seguinte para 1,5%.

“Os riscos em torno das perspetivas de crescimento da zona euro podem ainda ser avaliados como amplamente equilibrados”, sublinha, identificando a pressão dos fatores geopolíticos, ameaça do protecionismo, as vulnerabilidades em mercados emergentes e a volatilidade do mercado financeiro.

O BCE antecipa ainda que apesar de uma “diminuição significativa” em 2018 dos défices orçamentais nos países da zona euro, estes “aumentem um pouco um no próximo ano”.

“A queda em 2018 resultou principalmente de condições cíclicas favoráveis e do declínio do pagamento de juros. Espera-se que a orientação orçamental agregada para a zona euro seja globalmente neutra em 2018, alargue em 2019 e 2020 e volte a ser neutra em 2021”, assinala.

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