BCE: Incertezas políticas têm impacto negativo nos preços dos ativos

Os mercados accionistas da área do euro continuaram a ser caracterizados por pequenos choques regulares, com um impacto sectorial particularmente acentuado nos bancos, diz o BCE no seu Relatório para a Estabilidade Financeira.

Reuters

A incerteza dos mercados financeiros e políticos aumentou temporariamente na área do euro após o referendo do Reino Unido, diz o  relatório de estabilidade financeira do BCE.

Na perspectiva de estabilidade financeira, há novos ventos contrários, diz  o BCE. Estes ventos adversos estão relacionados com a possível intensificação das tensões geopolíticas, um ressurgimento do stress das dívidas soberanas nos países da área do euro. Bem como um novo aumento da incerteza, tal como reflectido no aumento global da aversão ao risco, no aumento da volatilidade nos mercados financeiros e elevada incerteza política a nível nacional e supranacional. Em especial, as futuras negociações UE-Reino Unido que permanecem sujeitas a um considerável grau de incerteza não apenas em termos da demora para a saída do Reino Unido, mas também pelo impacto económico do Brexit a longo prazo.

Diz o BCE, num relatório publicado ontem, que a maior incerteza política tem um impacto global nos preços dos ativos. Tanto o referendo britânico como a eleição presidencial dos EUA levaram a episódios de curta turbulência no mercado, seguidos de recuperações rápidas. Esse padrão foi especialmente pronunciado após o referendo britânico em junho. O resultado do referendo inicialmente provocou uma forte reacção nos preços globais dos ativos. Esta reacção foi particularmente notável não apenas no Reino Unido, mas também na zona euro.

A queda do apetite dos investidores pelo risco acentuou-se, e provocou uma correcção nos mercados de acções (sobretudo nas acções do sector financeiro), um quebra do rendimentos das obrigações e uma depreciação do libra esterlina.

Os mercados accionistas da área do euro continuaram a ser caracterizados por pequenos choques regulares, com um impacto sectorial particularmente acentuado nos bancos.

O resultado do referendo britânico levou a um impacto particularmente pronunciado de  aversão a risco. Analisando os diferentes setores, o setor financeiro – e os bancos em particular – têm tido um desempenho inferior ao do ano passado. Uma decomposição dos preços das acções da zona euro, utilizando um modelo de desconto de dividendos, mostra que a maior parte da queda dos preços das ações durante a turbulência em junho (Brexit) esteve relacionada com expectativas de ganhos mais baixos e com o elevado prémio de risco de acções exigido pelos investidores. A correção foi no entanto de curta duração, devido às, não menos importantes, decisões de política monetária do Banco de Inglaterra.

Os bancos da zona Euro permanecem com vulnerabilidades significativas e as “perspectivas para a rentabilidade permanecem reduzidas devido ao ambiente de fraco crescimento económico”, refere o BCE.

O BCE voltou ainda a escrever que a recuperação da economia da área do euro deverá prosseguir a um ritmo constante. A procura interna continua a ser apoiada pela passagem para a economia real BCE dos estímulos da política monetária.

Condições de financiamento favoráveis. a par com melhorias nas perspectivas de procura e na rentabilidade das empresas continuar a promover uma recuperação do investimento, ao passo que o aumento do emprego sustenta o consumo privado.

Em contrapartida, os necessários ajustamentos aos balanços de empresas de vários sectores, e o ritmo lento na implementação das reformas estruturais continuam a pesar sobre a recuperação da economia da área do euro.

 

 

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