BCE reduz fortemente a compra de Obrigações portuguesas em janeiro

“Apenas 50% da dívida portuguesa é elegível para compras pelo BCE. Significa isto que se o BCE mantivesse o ritmo de compra mensal médio de 1.100 milhões de euros, como tem feito desde Março de 2015, não haveria dívida portuguesa suficiente para comprar”, diz um gestor da XTB.

Reuters

O Programa de Compra de Ativos do Sector Público (PSPP) do BCE está a desacelerar para Portugal e em janeiro a compra foi de 688 milhões de euros – menos de metade do pico registado em maio de 2015 (1.451 milhões de euros), que foi o mês de maior volume de compra de activos.

Nuno Mello, gestor da corretora XTB, diz que a redução da compra de dívida portuguesa “deve-se à limitação introduzida pelas regras actuais que impedem que o BCE detenha mais de 33% de cada linha de obrigações”.

O mês passado até marcou um mínimo nas compras do BCE de títulos de dívida nacionais desde o início do programa em março de 2015.  Em dezembro o volume de compras tinha sido de 726 milhões de euros e em novembro de 1.023 milhões de euros.

Esta redução é apontada como uma das explicações para a subida dos juros da República portuguesa a 10 anos desde o início do ano. A taxa das obrigações benchmark, ou seja a 10 anos, superaram hoje os 4,2%. Desde 26 de janeiro que os juros a 10 anos não descem abaixo dos 4,1%.

O gestor da XTB relembra que, “em declarações recentes a presidente do IGCP referiu que apenas 50% da dívida portuguesa é elegível para compras por parte do BCE. Significa isto que se o BCE mantivesse o ritmo de compra mensal médio de 1.100 milhões de euros, como tem feito desde Março de 2015, não haveria dívida portuguesa suficiente para comprar”.

“Impreterivelmente, o BCE terá que continuar a reduzir o montante de compra de dívida portuguesa, à medida que o stock de dívida pública diminui. A única solução seria o BCE aumentar o montante que pode comprar por cada linha de obrigações”, refere Nuno Mello.

 

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