BCE reforça programa de compra de ativos para compensar fim do PEPP

O Banco Central Europeu afirmou que irá “interromper” as compras de ativos no âmbito do PEPP no final de março de 2022, tendo decidido alargar o horizonte de reinvestimento deste programa, pelo menos até ao final de 2024. Conselho de Governadores aumentou o ritmo de compra de ativos no âmbito do APP.

O Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE) decidiu reforçar o programa de compra de ativos (APP), permitindo uma transição nos mercados face ao fim do Programa de Compra de Emergência Pandémica (PEPP), agendado para março, ainda que tenha decidido prolongar o horizonte de reinvestimento até 2024. A instituição presidida por Christine Lagarde deixou ainda inalteradas, esta quinta-feira, as taxas de juro, que continuam em mínimos históricos.

“No primeiro trimestre de 2022, o Conselho de Governadores espera realizar compras de ativos líquidos no âmbito do Programa de Compra de Emergência Pandémica (PEPP) a um ritmo mais lento do que no trimestre anterior”, anunciou o BCE, em comunicado divulgado esta quinta-feira, após a conclusão da reunião.

O BCE afirmou que irá “interromper” as compras de ativos no âmbito do PEPP no final de março de 2022, tendo decidido alargar o horizonte de reinvestimento deste programa, pelo menos até ao final de 2024.

O Conselho de Governadores anunciou ainda que, “em linha com uma redução passo a passo nas compras de ativos e para assegurar que a orientação da política monetária se mantém consistente com a estabilização da inflação no seu objetivo a médio prazo”, decidiu um ritmo de compra líquida mensal de 40 mil milhões de euros no segundo trimestre e de 30 mil milhões de euros no terceiro trimestre no âmbito do programa de compra de ativos.

A partir de outubro de 2022, o Conselho de Governadores prevê depois manter as compras de ativos ao abrigo do APP a um ritmo mensal de 20 mil milhões de euros “durante o tempo necessário para reforçar o impacto acomodatício” das taxas de política. O Conselho do BCE assinala ainda que espera que as compras líquidas terminem pouco antes de começar a aumentar as taxas e juro diretoras do BCE.

“O Conselho do BCE também pretende continuar a reinvestir, na íntegra, os pagamentos de principal de títulos com vencimento adquiridos ao abrigo do APP por um período prolongado após a data em que começa a aumentar as taxas de juro directoras do BCE e, em qualquer caso, enquanto necessário para manter condições de liquidez favoráveis ​​e um amplo grau de acomodação monetária”, refere.

As taxas de juro mantiveram-se, assim, inalteradas, sendo a taxa aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas aplicáveis à facilidade de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito permanecem em 0%, 0,25% e -0,5%, respectivamente.

“Com vista a apoiar o seu objetivo simétrico de inflação de 2% no médio prazo e em consonância com a sua estratégia de política monetária, o Conselho do BCE espera que as taxas de juro diretoras do BCE permaneçam nos níveis atuais ou em níveis inferiores até observar que a inflação atinge 2%, muito antes do final do horizonte de projeção e de forma durável durante o resto do horizonte de projeção, e considerar que os progressos realizados em termos de inflação subjacente estão suficientemente avançados para serem consentâneos com uma estabilização da inflação em 2% no médio prazo”, refere, salientando que tal pode também implicar um período transitório, durante o qual a inflação se situe moderadamente acima do objetivo.

As atenção estão agora centradas na conferência de imprensa da presidente do BCE agendada para as 13h30.

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