BCP atribui apoio excecional aos bancários e sindicatos pedem mais abrangência

“Efetivamente, o pagamento extraordinário e suplementar de 500 euros, além de se justificar ser em montante superior, deveria ocorrer quanto a todos trabalhadores sem exceção”, defendem os sindicatos.

O Sindicato Nacional dos Quadros Técnicos e Bancários e o Sindicato Independente da Banca (SIB) viram implementadas pelo BCP as medidas reivindicadas. No entanto defendem que deveriam ser muito mais abrangentes.

“Conforme consta no Comunicado n.º 31/2022, o Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) e o Sindicato Independente da Banca (SIB) propuseram aos bancos a implementação de medidas de mitigação dos efeitos da inflação e do aumento do custo de vida que têm vindo a penalizar duramente os bancários”.

O BCP acatou a proposta e vai dar um bónus de 500 euros que vai ser pago no próximo mês a todos os colaboradores que não têm viatura atribuída pela empresa, ou seja, à grande maioria. Este apoio poderá abranger cerca de seis mil trabalhadores.

“Efetivamente, o pagamento extraordinário e suplementar de 500 euros, além de se justificar ser em montante superior, deveria ocorrer quanto a todos trabalhadores sem exceção”, defendem os sindicatos.

O Sindicato dos Quadros e o SIB revelam em comunicado que as medidas de mitigação dos efeitos da inflação e do aumento do custo de vida anunciadas pelo banco BCP, na sequência das propostas neste sentido que tinham já sido feitas aos bancos pelos dois Sindicatos, “têm de abranger todos os trabalhadores e não deixar bancários de fora”.

Os dois Sindicatos entendem ainda que atualização dos subsídios de estudo e infantis e o valor pago por quilómetro nas deslocações para o local de trabalho “carecem de particular atenção por parte dos bancos e discordam também da exclusão da atribuição destes apoios aos trabalhadores que, em 2022, tenham sido objeto de sanção disciplinar superior a repreensão verbal”.

No entender do SNQTB e do SIB não deve, nem pode existir dupla penalização disciplinar.

Quanto ao apelo dos sindicatos relativamente aos reformados, “não foi obtida até à data qualquer resposta”. Recorde-se que o SNQTB e o SIB não aceitaram a proposta do BCP de atualização para 2022 de 1,1% até ao nível 13 e 0,7% do nível 14 ao 20 da tabela salarial e pensões, bem como de 1,1% das cláusulas de expressão pecuniária, que outros sindicatos leviana e irresponsavelmente se dispuseram a assinar quando era já evidente que o valor da inflação iria díspar.

“O SNQTB e o SIB garantem continuar a negociar com o BCP e a defender uma atualização salarial e das pensões para 2022 que seja justa e ajustada à realidade”, reforçam.

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