BCP cai 5% e arrasta bolsa de Lisboa para terreno negativo numa Europa mista

“O índice nacional esteve pressionado pela queda de 5% do BCP, numa sessão onde o setor Bancário demonstrou a pior performance na Europa”, escreveu o analista do Millennium BCP, Ramiro Loureiro, na sua análise de fecho de mercados.

As ações do BCP afundaram 5,20% para 0,1275 euros e arrastaram o índice PSI para uma queda de 1,08% (fechou nos 5.385,14 pontos).

“O índice nacional esteve pressionado pela queda de 5% do BCP, numa sessão onde o setor Bancário demonstrou a pior performance na Europa”, escreveu o analista do Millennium BCP, Ramiro Loureiro na sua análise de fecho de mercados.

Destaque ainda para a queda da Jerónimo Martins de -3,10% para 20,60 euros; da Semapa que recuou -2,68% para 12,34 euros; da Mota-Engil que perdeu -2,16% para 1,086 euros e da queda da GreenVolt de -1,41% para 8,42 euros depois de ter sido cortada na recomendação pela Alantra Equities.

Dos quatro títulos que fecharam no verde, o destaque vai para a Navigator que subiu 0,99% para 3,46 euros e para a Altri que avançou 0,88% para 5,13 euros. Depois a REN fechou a subir 0,61% para 2,455 euros e a Galp Energia valorizou 0,42% para 9,59 euros. Recorde-se que a Galp disse à Bloomberg que planeia investir cinco mil milhões no Brasil em 10 a 15 anos. O CEO da Galp admite que mais de metade do investimento no Brasil seja canalizado para a produção eólica e solar.

As bolsas europeias encerraram entre as perdas do PSI e os ganhos do DAX, num dia em que as principais praças europeias estiveram a recuar mais de 2%.

O EuroStoxx 50 subiu 0,20% para 3.335,3 pontos e o Stoxx 600 avançou 0,30%. O FTSE 100 subiu 0,30% para 7.005,4 pontos; o CAC 40 cresce 0,19% para 5.765 pontos; e o DAX avançou 0,36% para 12.183,3 pontos. Já o FTSE MIB caiu 0,52% para 20.852,7 pontos; e o IBEX recuou 0,05% para 7.442,2 pontos.

“A animar os mercados esteve a intervenção do Banco de Inglaterra, onde adiou as vendas de obrigações do Reino Unido para o fim de outubro e anunciou um programa de compra ilimitado de obrigações de longo prazo do país, para tentar estabilizar o mercado”, salienta o analista da MTrader.

Os mercados financeiros britânicos têm estado à beira de um ataque de nervos desde que o ministro das Finanças, Kwasi Koarting, anunciou, na sexta-feira, cortes históricos de impostos e enormes aumentos dos juros dos empréstimos. Segundo o Instituto de Estudos Orçamentais (IFS), este é o maior corte fiscal em meio século e estima-se que irá eliminar 45 mil milhões de libras (50 mil milhões de euros) das receitas anuais do Estado durante os próximos cinco anos.

As taxas de juro da dívida pública britânica dispararam nos dias a seguir ao anúncio do plano de cortes de impostos do Governo liderado por Liz Truss, forçando o banco central a ter de intervir.

“As declarações da Naftogaz, empresa energética ucraniana, de que a Gazprom já pagou as taxas de trânsito de outubro em relação ao fornecimento de gás natural, podem aliviar parcialmente as preocupações de um corte gás no pipeline que liga a Rússia à Europa via Ucrânia”, adianta o analista da MTrader.

“Apesar da notícia os preços do gás natural europeu encerraram o dia a subir mais de 9%, à medida que as tensões entre a Rússia e a Europa sobem em torno das explosões nos gasodutos Nordstream. Como resposta aos acontecimentos a União Europeia pretende propor um novo pacote de sanções à Rússia”, segundo a mesma análise de mercados do BCP.

O euro sobe 1,06% para 0,9696 dólares.

A dívida pública acabou por corrigir depois das subidas expressivas. As obrigações alemãs a 10 anos caem 11,08 pontos base para 2,12%. Já Portugal vê os juros a recuarem 13,46 pontos base para 3,19% e Espanha idem com  juros a corrigirem em baixa 13,47 pontos base para 3,29%. Itália vê os juros caírem 22,52 pontos base para 4,52%.

O petróleo Brent sobe 3,03% para 88,88 dólares o barril.

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Dos quinze títulos apenas três fecharam em alta em Lisboa. Lá fora, “o ambiente de contestação social que se vive na China, onde se intensificam os protestos contra a política de Covid zero, está a gerar desconforto aos investidores e que desta forma descontam o mesmo nas bolsas”, realça o analista da MTrader.

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