BdP aponta a crescimento de 6,7% e inflação de 7,8% este ano

As atualizações de outubro das projeções macro do banco central mostram revisões em alta em relação aos 6,3% de crescimento e 5,9% de inflação projetados em junho, com o consumo privado e o turismo a apoiarem a recuperação.

O Banco de Portugal (BdP) reviu em alta as suas projeções para o crescimento e inflação este ano, apontando agora a 6,7% de aumento do PIB e a uma variação de 7,8% do índice de preços no consumidor (IPC), embora sublinhando a elevada incerteza que reveste esta análise.

O banco central atualizou as suas projeções macro esta quinta-feira, no Boletim Económico de outubro. Na edição anterior, de junho, a expectativa era de 6,3% de crescimento e uma inflação de 5,9%.

A economia nacional continuará a beneficiar da recuperação do turismo e do consumo privado, projeta o BdP, bem como pela forte prestação do mercado de trabalho, que permitem atenuar os efeitos da subida das taxas de juro e do aumento generalizado de preços, que deverão impactar negativamente o rendimento disponível no próximo ano.

“A deterioração do enquadramento internacional resulta da sucessão de choques associados à invasão da Ucrânia, com reflexos sobre a inflação, o fornecimento de energia e a confiança dos agentes económicos”, explica o documento, acrescentando que esta “subida dos preços de importação de matérias-primas energéticas e de bens alimentares traduz-se numa perda de termos de troca que conduz a uma transferência de rendimento real das economias importadoras para os países exportadores”.

Assim, o BdP reconhece que a pressão nos preços tem sido maior e mais duradoura do que inicialmente esperado, embora projetando que o pico do fenómeno tenha já sido atingido no terceiro trimestre deste ano.

Já os salários devem crescer 5,4% no sector privado, o que supera os 4,9% do ano passado, mas fica abaixo da inflação esperada para o ano, o que implica uma perda de poder de compra dos portugueses.

“Em contraste, o investimento cresce apenas ligeiramente, decorrente da maior incerteza, dos constrangimentos da oferta e do aumento dos custos de financiamento”, acrescenta o Boletim, que aponta também para a desaceleração na vertente externa.

Na mesma linha, o estímulo orçamental também cai em 2022, mesmo considerando o pacote avaliado em cerca de 1,5% do PIB de medidas para conter os efeitos da crise energética na Europa e da subida generalizada dos preços.

[notícia atualizada às 11h35]

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