BdP melhora projeções de crescimento para 2022 e 2023

Banco de Portugal prevê um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,8% e de 3,1% em 2022 e 2023. Regulador alerta que a evolução da atividade é condicionada no curto prazo por uma nova vaga da pandemia na Europa e pelos problemas nas cadeias de fornecimento globais.

O Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, apresenta o Boletim Económico de outubro de 2021, na sede da instituíção em Lisboa, 06 de outubro de 2021. O Boletim Económico de outubro inclui projeções macroeconómicas para o conjunto do ano e faz uma primeira análise da evolução da economia portuguesa em 2021. TIAGO PETINGA/LUSA

O Banco de Portugal (BdP) está ligeiramente mais otimista sobre o crescimento da economia portuguesa no próximo ano e em 2023, esperando uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,8% e de 3,1%, respetivamente. O regulador bancário manteve a projeção para este ano e prevê que em 2024 a atividade económica irá situar-se cerca de 7% acima de 2019.

“O Banco de Portugal projeta um crescimento da economia portuguesa de 4,8% em 2021 e de 5,8% em 2022, seguido de um ritmo de expansão mais moderado em 2023 e 2024, 3,1% e 2,0%, respetivamente”, refere o regulador bancário, no Boletim Económico de dezembro divulgado esta sexta-feira.

A instituição liderada por Mário Centeno assinala que a recuperação da atividade se irá traduzir num aumento do emprego e numa redução da taxa de desemprego para níveis inferiores aos pré-pandemia, prevendo que a taxa de desemprego se fixe em 6,6% este ano, em 6% em 2022 e 5,7% em 2023.

No que toca à inflação espera um aumento em 2021 e 2022, para 0,9% e 1,8%, fixando-se em 1,1% e 1,3% nos dois anos seguintes. Excluindo bens energéticos, a inflação aumenta gradualmente ao longo do horizonte de projeção, situando-se em 1,5% em 2024.

Ainda assim, o BdP explica que a evolução da atividade é condicionada no curto prazo por uma nova vaga da pandemia na Europa e pelos problemas nas cadeias de fornecimento globais.

“A reintrodução de medidas restritivas para conter a pandemia, incluindo sobre a mobilidade internacional, a par do aumento da incerteza, terá impacto sobre o ritmo de recuperação, em particular dos serviços relacionados com o turismo”, sublinha, acrescentando que também se assume “que as perturbações nas cadeias de fornecimento globais, que se têm refletido na escassez de matérias-primas e outros bens e num aumento dos seus custos, se dissipam a partir da segunda metade de 2022”.

O BdP destaca que a trajetória projetada de crescimento económico é suportada pela manutenção de condições financeiras favoráveis e por maiores recebimentos de fundos da União Europeia. “Não se antecipam efeitos adversos significativos sobre a atividade agregada do m de alguns apoios temporários, que foram substituídos, em parte, por medidas direcionadas aos setores e empresas mais afetados pelo choque pandémico”, refere.

O regulador defende ainda que “a previsibilidade dos processos de decisão de política económica (monetária, orçamental, regulatória) é essencial para contrabalançar o aumento de incerteza que caracteriza os processos de saída de crises económicas”, salientando que “no período atual esta incerteza é acrescida pela necessidade de controlo da pandemia”.

(Atualizado às 11h18)

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