BE diz que PSD Madeira “tenta sacudir água do capote” depois de renúncia de Sérgio Marques

A renúncia do deputado do PSD Madeira, eleito para a Assembleia da República, surge depois de ter admitido a existência de obras inventadas na Madeira e favorecimento a grupos económicos.

O BE diz que o PSD Madeira “tenta sacudir a água do capote” depois do anúncio da renúncia de Sérgio Marques, ao mandato como deputado do PSD Madeira da Assembleia da República considerando, no Facebook, não ter “condições políticas” para o prosseguimento das suas funções parlamentares. Sérgio Marques saiu também da comissão política regional do PSD Madeira.

Isto surge depois de Sérgio Marques ter denunciado, em declarações ao DN, a existência de obras inventadas na Madeira e também de favorecimento a grupos económicos.

No Facebook Sérgio Marques refere que no trabalho do DN foi abordado o sucesso dos 47 anos de poder do PSD na Madeira, e que depois de declarações oficiais conversou com o jornalista informalmente sobre “as suas opiniões que todos conhecem, que não são segredo, mas que se referem a momentos do passado, e que estão distantes da atualidade política regional”.

O social democrata continua referindo que parte das declarações prestadas ao DN foram efetuadas em off pois seguiam o contexto das declarações em on. “Uma parte informal que não foi obviamente respeitada. Porque, como referi, estão longe de ter atualidade e pertinência”.

A líder do BE Madeira, Dina Letra, sublinha que esta renúncia de Sérgio Marques “em nada diminui a gravidade das declarações” que são feitas por Sérgio Marques e por Miguel de Sousa, relativamente aos governos da Madeira presididos por Alberto João Jardim e Miguel Albuquerque.

“Temos a confissão de uma reiterada gestão danosa quer do orçamento regional quer de fundos comunitários, de uma declarada interferência e ingerência de determinados grupos económicos na atuação do Governo Regional ao longo de vários anos”, refere a dirigente bloquista.

Dina Letra salienta que a Região teve uma dívida “escondida e descomunal” que afetou e continua a afetar “a vida de todas e todos os madeirenses, trazendo dificuldades económicas acrescidas a quem cá vive e a acelerada degradação dos serviços públicos, de que a Saúde é o maior exemplo”.

A dirigente do BE Madeira acrescenta que foram gastos sem controlo 15 mil milhões de euros que estão a ser pagos pela população. “Ganhar eleições não é uma carta em branco e devemos ser exigentes com quem assume funções públicas”, refere Dina Letra.

A líder do BE considera que se está perante a “total perda de credibilidade institucional dos governos PSD Madeira, a que Miguel Albuquerque e o seu Governo não ficam incólumes. Também por isso, a exigência da investigação mantém-se e não pode passar indiferente perante a República e os poderes judiciais”.

Obras inventadas e favorecimento a grupos económicos

Em declarações ao “DN” Miguel Sousa e Sérgio Marques admitem “obras inventadas” na Madeira.

Sérgio Marques admitiu também ao “DN” que “esta governação social-democrata” levou a que se afirmassem quatro ou cinco grupos económicos, que acumularam “muito poder”, identificando Sousa, Avelino, Pestana, Trindade e Trindade/Blandy. “E principalmente dois grupos […], o Luís Miguel Sousa, com quem eu trabalhei oito anos, e o Avelino Farinha acho que foram os mais beneficiados da governação regional”, disse à mesma publicação.

O social democrata continua referindo que estes grupos foram “muito protegidos” e cresceram “muito à conta dos negócios” com a região, acrescentando que “acumularam muito poder” e “começaram a condicionar a governação”.

Sérgio Marques acusa Luís Miguel Sousa de ter conseguido afastar Eduardo Jesus do Governo porque este tinha uma agenda para “reformular o porto” e que Avelino Farinha o “consegue afastar das obras públicas. Ele não queria que eu saísse do governo, ele queria era só afastar-me das obras públicas”.

O social democrata acusa também “os grupos viram-se na necessidade de controlar os media regionais”, e admite que quando deixou o Governo “houve ali muito dedo de Alberto João Jardim”.

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