Bélgica: governo de coligação pode estar perto do fim

O primeiro-ministro belga quer assinar o pacto da ONU sobre imigração, mas os nacionalistas flamengos, parceiros da coligação, não querem ouvir sequer falar de semelhante documento. O Parlamento decide hoje o que deverá fazer Charles Michel.

Um debate decisivo para o governo belga está decorrer no parlamento daquele país e os analistas concordam em assumir que pode ser o fim de mais uma coligação que, tudo indicava, tem tudo para correr mal. Em causa está o facto de o liberal Charles Michel, líder do governo, querer assinar o pacto da ONU para a migração – coisa que os seus parceiros de coligação, a ultra-direita da N-VA, afirma que não poderá manter o apoio a um governo que decisa assinar semelhante documento.

A coligação é composta por quatro partidos. Três deles, incluindo o movimento reformista do primeiro-ministro, aprovam o texto da ONU que deve ser assinado próxima semana em Marrakesh, mas a Aliança Neo-Flamenga (N-VA), profundamente nacionalista e separatista, opõe-se ferozmente.

Nos últimos dias, Charles Michel usou todos os expedientes para salvar a maioria: consultas, uma declaração interpretativa segundo a qual o pacto com a ONU não é vinculativo, negociações com vice-primeiros-ministros do grupo flamengo, explicações de especialistas ao Parlamento, mas nada mudou.

A formação liderada por Bart De Wever, presidente da N-VA e presidente da autarquia de Antuérpia – e também um dos apoiantes do exilado político catalão Carles Puigdemont, mantém que um governo que assine a declaração da ONU deixará de poder contar com o seu apoio.

Os argumentos de que se serve o N-VA para recusar liminarmente o pacto são os mesmos que já foram usados pelo agrupamento de extrema-direita alemã, o AfD, segundo o qual a decisão da ONU vai promover a imigração ilegal, a possibilidade de os países signatários avançarem unilateralmente com medidas de contenção da imigração e a obrigação de os nacionais terem que ‘aturar’ os que procuram a Europa para fugir à guerra, à fome ou a qualquer outra calamidade vivida nos países autóctones.

Durante o dia de hoje, o Parlamento belga votará sobre se o país deve ou não assinar o pacto. Para todos os efeitos, Charles Michel averbará uma derrota política: se puder assinar o pacto, deixará de contar com o apoio do N-VA e possivelmente ver-se-á na contingência de marcar eleições antecipadas. Se o Parlamento votar contra, o primeiro-ministro deixará de assinar um pacto com que concorda e ficará encurralado nas mãos de um dos partidos que fazem parte da coligação.

Recomendadas

Ucrânia: Putin defende perante Erdogan “direito de autodeterminação” de regiões anexadas

Num contacto com homólogo turco, informou o Kremlin em comunicado, Putin sublinhou que os referendos separatistas “decorreram em condições de transparência e em plena consonância com as normas e princípios do direito internacional”.

Ucrânia: Forças ucranianas recuperam controlo de cidade de Kupiansk

Parte da zona naquela região já tinha sido retomada aos russos no início de setembro, graças à contraofensiva ucraniana na região de Kharkiv.

Banco Popular da China pede aos bancos para suportarem a moeda chinesa nos mercados internacionais

A China pediu aos seus bancos que se preparem para socorrer o yuan, face à crescente agitação provocada pela valorização do dólar face ao yuan, face ao euro e face à libra, avança o El Economista.
Comentários