Bem vindos à era dos ‘Superfluid Markets’

Na física, certos fluídos exibem “viscosidade zero”. Não perdem energia cinética enquanto se movem, podendo até subir muros, desafiando as leis da gravidade. Estes líquidos, que fluem sem fricção, são classificados de superfluidos.

Da igual forma, a onda de recentes inovações – Inteligência Artificial, robótica, blockchain ou realidade virtual – transporta-nos para uma realidade onde fricções e ineficiências de mercado são reduzidas ou mesmo eliminadas. Para um mundo em que a oferta chega à procura pelo canal ótimo, ao melhor preço e o mais rápido possível; um mundo em que deixa de existir excesso de capacidade e a confiança entre compradores e vendedores é determinada por algoritmo.

Um dos argumentos originais para o desenvolvimento das empresas residia na redução de custos de transação e na coordenação das tarefas necessárias à participação em mercados “viscosos”. Com a Internet, o paradigma começou a mudar. O acesso facilitado à informação e a revolução na comunicação mitigou fricções antigas. Uma nova vaga de empresas digitais rompeu cadeias de intermediários e provocou a disrupção do panorama competitivo. Os mercados tornaram-se mais fluidos.

Nos últimos anos, porém, o mundo entrou num novo ponto de inflexão. As tecnologias emergentes vão convergindo, eliminando ineficiências e conectando compradores e vendedores de formas inovadoras. O mundo físico é sensorizado e ligado à rede, gerando volumes massivos de dados. Esta informação é digerida, permitindo otimizar múltiplos processos, desde a transação de ativos até à antecipação de necessidades e preferências pessoais. A ligação de ativos digitalizados a sistemas inteligentes baseados em tecnologia blockchain incita o florescimento de mercados autónomos em que dispositivos “falam entre si”, prestando serviços ou escolhendo fornecedores de forma automática. Por exemplo, casas inteligentes podem tornar-se agentes autónomos, licitando energia numa smart grid em que a confiança entre máquinas é estabelecida por blockchain.

Neste novo mundo, em que os mercados continuarão a evoluir em formas ainda difíceis de imaginar, o que será das empresas tal qual as conhecemos? Que novas formas de organização irão emergir? Qual o papel dos governos e dos reguladores? Bem-vindos à era dos Superfluid Markets.

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