Bem-vindos à quarta revolução industrial

A indústria, enquanto impulsionadora de uma economia forte e de desenvolvimento do país, tem no seu percurso evolutivo um progressivo aumento da sua complexidade. Este elemento aparentemente irrelevante é, na verdade, crítico para assegurar as respostas aos novos desafios que nos vão sendo colocados. Se antes estávamos formatados para modelos “preto e branco”, lineares e […]


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A indústria, enquanto impulsionadora de uma economia forte e de desenvolvimento do país, tem no seu percurso evolutivo um progressivo aumento da sua complexidade. Este elemento aparentemente irrelevante é, na verdade, crítico para assegurar as respostas aos novos desafios que nos vão sendo colocados.

Se antes estávamos formatados para modelos “preto e branco”, lineares e inflexíveis, hoje a indústria tem a capacidade para suprir as necessidades individuais dos seus clientes. Uma elasticidade relativamente recente, ancorada cada vez mais na inovação tecnológica, e que catapultou os modelos de produção local para modelos de base digital.

Este salto tecnológico fez deste setor um motor de crescimento da economia global e permitiu uma crescente procura por produtos e soluções cada vez mais específicos e adaptados à realidade de cada negócio. Em suma, a expressão “taylor made” nunca fez tanto sentido mas, ao mesmo tempo, nunca foi tão redutora dado o atual nível de oferta e de entrega.

É evidente que esta globalização trouxe desafios de produtividade, flexibilidade e de capacidade de resposta. Os próprios tempos de resposta mudaram elevando estes desafios para um patamar totalmente novo. E é nesta conjuntura que se inicia uma nova revolução industrial, a quarta, que, tal como as três revoluções industriais anteriores, assinala uma nova era na produção.

O foco: interligar os fluxos de dados entre parceiros, fornecedores e clientes e a integração vertical dos ciclos produtivos dentro das organizações, desde o desenvolvimento até ao produto acabado. Um desafio ambicioso que pode simplesmente vir a mudar as regras do jogo.

Parece-nos evidente que o mundo real irá fundir-se com o virtual neste processo, em sistemas onde sensores e chips identificam e localizam produtos e em que estes conhecem o seu próprio histórico e o seu estado atual. É verdade que o processo não irá decorrer de um dia para o outro, mas as bases do futuro já estão lançadas, até porque muitos componentes da Indústria 4.0 já estão disponíveis. Basta lembrar que o Fórmula 1 de Sebastian Vettel e o Mars Rover “Curiosity” foram desenvolvidos no mundo virtual, com a ajuda do software de gestão do ciclo de vida do produto (PLM) da Siemens, o que dispensou meses de testes práticos desnecessários.

Olhando para dentro, a empresa digital que a Siemens prevê para o futuro consiste numa abordagem holística que se estende por uma cadeia completa de valor agregado num ecossistema cada vez maior. Utiliza os seus recursos de forma eficiente poupando, por exemplo, 70% da energia através do uso de tecnologias de acionamento de velocidade variável em motores que poupam energia. Dos possíveis exemplos de processos produtivos extremamente otimizados destaca-se a unidade fabril da Siemens na cidade alemã de Amberg, onde são produzidas cerca de 1.000 referências diferentes, de forma flexível e eficiente, através do uso das mais recentes ferramentas de software. Estas contribuíram para melhorias significativas de qualidade nos últimos anos e vários aumentos dos volumes de produção realizados pelo mesmo número de pessoas.

Em suma, este novo panorama trará crescentes ganhos de eficiência, um aumento exponencial no dinamismo do setor, novos players e tecnologias para o mundo industrial. Enquanto o universo da Indústria 4.0 começa a ganhar forma, vamos aprendendo e desenvolvendo o potencial que tem, não só em Portugal, como também no resto da Europa. O momento é de ação, quem parar… ficará para trás.

 

António Mira

Diretor-geral Indústria Siemens Portugal

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