Bens alimentares essenciais aumentaram mais de 22 euros desde o início da invasão

Desde que a guerra na Ucrânia começou, o preço de um cabaz de bens alimentares já aumentou mais de 22 euros. O alerta é da Deco Proteste que revela que para abastecer a despensa de alimentos essenciais, os consumidores podem agora ter de gastar mais de 200 euros. Nas categorias de produto com maiores subidas de preços, destaca-se o peixe a carne.

José Coelho/Lusa

A Deco Proteste revela que para abastecer a despensa de alimentos essenciais, os consumidores podem agora ter de gastar mais de 200 euros. A organização de defesa do consumidor fez as contas e conclui que desde que a guerra na Ucrânia começou, o preço de um cabaz de bens alimentares já aumentou mais de 22 euros. Carne, cereais, ervilhas ultracongeladas, massa fusilli/espirais e farinha para bolos, cenoura, salmão, queijo e fiambre estão entre os 10 produtos que mais aumentaram.

“O preço de um cabaz de bens alimentares essenciais registou, entre 27 de abril e 4 de maio, um aumento de 3,06 euros (mais 1,51%), passando a custar um total de 205,99 euros. Desde que iniciámos esta análise, a 23 de fevereiro, um dia antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, o preço do mesmo cabaz já aumentou 12,18%, ou seja, 22,37 euros”, avança hoje a Deco Proteste.

Segundo esta organização, desde fevereiro, tem monitorizado todas as quartas-feiras, com base nos preços recolhidos no dia anterior, os preços de um cabaz de 63 produtos alimentares essenciais que inclui bens como peru, frango, pescada, carapau, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.

“Começamos por calcular o preço médio por produto em todas as lojas online do nosso simulador em que se encontra disponível, e depois, somando o preço médio de todos os produtos, obtemos o custo do cabaz para um determinado dia”, explica.

Esta análise tem, diz, revelado aumentos quase todas as semanas, com alguns produtos a registarem subidas de preços de dois dígitos de uma semana para a outra. Entre 27 de abril e 4 de maio, os dez produtos que registaram as maiores subidas de preço foram os cereais (mais 20%), as ervilhas ultracongeladas (mais 16%), os douradinhos de peixe (mais 16%), a perca (mais 13%), a massa fusilli/espirais e a farinha para bolos (ambos com um aumento de 10%), a couve-coração (mais 9%), a cenoura e o salmão (com uma subida de 8%) e o queijo curado fatiado embalado (mais 7%).

“Se analisarmos exclusivamente as categorias de produto com maiores subidas de preços entre 23 de fevereiro e esta semana, a carne e o peixe são as que mais se destacam, com incrementos percentuais de 12,70% e 22,50%, respetivamente”.

Já entre 23 de fevereiro e esta semana (4 de maio), a Deco Proteste conclui que os produtos que registaram os maiores aumentos de preço foram o salmão (mais 55%), o óleo alimentar 100% vegetal (mais 50%), a pescada fresca (mais 47%), o carapau (mais 30%), o tomate (mais 30%), o frango (mais 28%), o peixe-espada-preto (mais 23%), o bife de peru (mais 22%), a farinha para bolos (mais 22%) e o café torrado moído (mais 17%).

Porque aumentaram os preços? Devido à dependência externa e aumento de custos de produção

Na base do aumento dos preços dos bens alimentares, a Deco Proteste destaca que o problema é histórico: “Portugal está altamente dependente dos mercados externos para garantir o abastecimento dos cereais necessários ao consumo interno. Atualmente, estes representam apenas 3,5% da produção agrícola nacional — sobretudo milho (56%), trigo (19%) e arroz (16%)”.

E, prossegue, se no início da década de 90 a autossuficiência em cereais rondava os 50%, atualmente, o valor não ultrapassa os 19,4%, “uma das percentagens mais baixas do mundo”, frisa, dando conta que obriga o País a importar cerca de 80% dos cereais que consome.

“A invasão da Rússia à Ucrânia, de onde provém grande parte dos cereais consumidos na União Europeia, e em Portugal, veio, por isso, pressionar ainda mais um sector há meses a braços com as consequências de uma pandemia e de uma seca com forte impacto na produção e na criação de stocks”, conclui a Deco Proteste. Destaca aqui que a limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente da energia, necessária à produção agroalimentar, podem, por isso, estar a refletir-se num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor de produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço ou o óleo vegetal.

No peixe, por sua vez, conclui, a subida dos preços poderá estar a refletir o aumento dos preços dos combustíveis, que tem um elevado impacto na indústria da pesca.

Aumento de preços pressiona inflação

A Deco Proteste alerta ainda que os consecutivos aumentos dos preços ao consumidor, nomeadamente em produtos como os combustíveis e a alimentação, estão a contribuir para um aumento da taxa de inflação. De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação acelerou para 7,2% em abril deste ano, 1,9 pontos percentuais em relação a março, mês em que a inflação já tinha atingindo os 5,3%.

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