Berlim vê proposta da Grécia como um “cavalo de Troia”

O Governo alemão vê a proposta que a Grécia apresentou ao Eurogrupo como um “cavalo de Troia”, ou seja, “algo atraente por fora e perigoso por dentro”, segundo um documento interno do Ministério das Finanças alemão, hoje citado pela comunicação social alemã.   De acordo com o jornal Süddeutsche Zeitung, os especialistas do Ministério das […]

O Governo alemão vê a proposta que a Grécia apresentou ao Eurogrupo como um “cavalo de Troia”, ou seja, “algo atraente por fora e perigoso por dentro”, segundo um documento interno do Ministério das Finanças alemão, hoje citado pela comunicação social alemã.

 

De acordo com o jornal Süddeutsche Zeitung, os especialistas do Ministério das Finanças consideram que a carta do ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, como uma “obra-prima de ambiguidade”, no qual são aponta todas as exigências feitas pelo Eurogrupo, para depois as relativizar.

 

O mesmo jornal diário cita uma frase do ministro, segundo a qual, “Atenas reconhece as suas obrigações financeiras com todos os credores e está disposta a cooperar com os parceiros para evitar problemas técnicos na implementação do seu próprio programa de resgate”.

 

No entanto, para Berlim esta passagem, em que o compromisso de Atenas se limita a questões “financeiras e processuais”, faz com que “o alegado pedido de prorrogação do programa seja um mero pedido de prolongamento de crédito”, deixando de lado as reformas acordadas no memorando de entendimento.

 

Além disso, de acordo com o ministério, “a carta é ambígua”, mesmo na frase em que Varoufakis reconhece as obrigações gregas.

 

O verbo usado pelo ministro Varoufakis é “honrar”, o que se pode traduzir como “pagar”, “respeitar”, “aceitar” ou “reconhecer”, aponta Berlim.

 

Os especialistas do Ministério das Finanças alemão encontraram ainda “uma ambiguidade perigosa” na expressão de Varoufakis para declarar a intenção do governo grego de “avançar em direção a uma conclusão bem sucedida do programa”, considerando que a mesma não indica que Atenas tem a intenção de implementar o programa.

 

O ministério considera também “menos comprometedor” o uso pelos gregos do termo “supervisão”, em vez de controlo, quando se referem ao papel que podem desempenhar o Banco Central Europeu, o Fundo Monetário Internacional e a Comissão Europeia (instituições da ‘troika’).

 

Os ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo) fazem hoje mais uma tentativa de acordo sobre a ajuda à Grécia após o termo do atual programa de resgate, havendo divergências públicas sobre o pedido formalizado por Atenas.

 

OJE/Lusa

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