BES: Ministério Público abre inquérito ao desaparecimento de 60 milhões de euros sob custódia do Novo Banco

Verba iria servir para indemnizar os lesados na queda do BES e encontravam-se sob custódia do Novo Banco, mas, em 2016, foram extintos. Só agora a justiça soube do sucedido. Juiz Carlos Alexandre diz-se “estupefacto” com o acontecimento, segundo o jornal online “Observador”.

O Ministério Público (MP) abriu uma investigação ao Novo Banco para descobrir o que aconteceu a uma parcela de 60 milhões de euros em produtos financeiros que deveria servir para indemnizar, no futuro, os eventuais lesados do caso Banco Espírito Santo (BES)/Grupo Espírito Santo (GES). Segundo conta o jornal online “Observador” esta segunda-feira, o MP também abriu uma investigação sobre um alegado crime de desobediência qualificada ao Novo Banco, que tinha a custódia dessas obrigações.

De acordo com o “Observador” existia um conjunto de produtos financeiros avaliados em 60 milhões de euros que estavam apreendidos à ordem do principal processo que investiga factos em torno do BES, e que iriam servir em conjunto com os arrestos preventivos decretados sobre bens de gestores para indemnizar as vítimas da queda do BES, bem como do seu principal acionista, o GES.

Contudo, essas obrigações foram declaradas extintas, quando estavam sob a custódia do Novo Banco e, no final de 2016, os títulos tinham sido extintos. Porém, só em 2019 foi transmitida esta informação à justiça, algo que deixou o juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal, Carlos Alexandre, “estupefacto”.

Já foram feitas buscas à instituição financeira liderada por António Ramalho. O MP quer que o Novo Banco deposite uma caução de 60 milhões de euros para substituir aqueles bens – uma pequena porção do montante superior a mil milhões de euros que, juntamente com arrestos preventivos, possam minimizar as perdas dos lesados por atuações irregulares no banco e no grupo. O Novo Banco vai contestar a medida.

Recomendadas

BNA levanta suspensão da participação no mercado cambial imposta ao Finibanco Angola

O Finibanco Angola tinha sido suspenso de participar no mercado cambial, por um período de 45 dias, pelo Banco Nacional de Angola (BNA), depois de o supervisor bancário angolano detectar incumprimentos durante uma inspecção pontual, em meados de agosto.

Banco de Portugal mantém a zero a exigência aos bancos de um “reserva contracíclica de fundos próprios”

O Banco de Portugal revelou o tradicional comunicado sobre a reserva contracíclica de fundos próprios, desta vez relativa ao 4.º trimestre de 2022. O supervisor vai manter a dispensa de constituição de reserva contracíclica para a banca no quatro trimestre deste ano, à semelhança do que sucedeu nos anteriores.

Merlin Properties compra sede do Novobanco na Avenida da Liberdade por 112 milhões

A informação do comprador foi confirmada pela entidade bancária esta sexta-feira em comunicado, depois de já ter avançado com o valor do negócio nas últimas semanas.
Comentários