BES: Técnica do BdP não quis ser filmada e protagonizou a audição mais curta

Uma técnica do Banco de Portugal (BdP) em permanência no BES que hoje foi ouvida na comissão de inquérito sobre o banco não quis ser filmada e fotografada e foi protagonista da audição mais curta das primeiras semanas. O presidente da comissão, Fernando Negrão, deu por concluída a audição de Susana Conceição Caixinha, técnica do […]

Uma técnica do Banco de Portugal (BdP) em permanência no BES que hoje foi ouvida na comissão de inquérito sobre o banco não quis ser filmada e fotografada e foi protagonista da audição mais curta das primeiras semanas.

O presidente da comissão, Fernando Negrão, deu por concluída a audição de Susana Conceição Caixinha, técnica do BdP que integra a equipa de acompanhamento permanente do BES, pouco mais de duas horas depois do seu início.

A pedido da própria, e com fundamento na salvaguarda de direitos fundamentais, não foi possível hoje recolher imagens da audição, e mesmo a presença de jornalistas foi menor do que noutras audições, casos da do gestor Vítor Bento ou do presidente da KPMG Portugal, Sikander Sattar, que decorreram na terça-feira.

Susana Conceição Caixinha, cuja audição foi requerida pelo PCP, integra a equipa de acompanhamento prudencial do Espírito Santo Financial Group (ESFG) desde abril de 2012 e apresentou aos deputados um enquadramento e uma cronologia sobre a sua atuação desde então.

Miguel Tiago, parlamentar comunista, insistiu em várias questões, nomeadamente em torno da idoneidade do ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, e a retirada da mesma, com a técnica a dizer que essa matéria era avaliada por “estruturas próprias” que não aquela onde exercia funções.

De todo o modo, “pode ter havido interação com o núcleo de supervisão direta”, reconheceu, embora tenha dito que esse contacto, a ter existido, não foi tido consigo.

Antes, Susana Conceição Caixinha havia dito que nunca sentiu hostilidade do banco pela sua presença nas instalações e pelo acompanhamento regular de exercícios e atas.

“Penso que a nossa presença nunca foi sentida como hostil. Sempre sentimos cooperação da parte do banco. Pelo menos, por mim falo”, declarou.

Susana Conceição Caixinha acrescentou, nas informações enviadas à equipa pela administração do banco, que era por vezes difícil “identificar” eventuais fraudes ou matérias menos corretas.

A técnica sublinhou também perante os deputados que o facto de ser uma profissional alocada em permanência ao BES não quer dizer que esteja “todos os dias, permanentemente” nas instalações do banco: “As atividades cingiram-se muito às análises das atas e não tivemos dificuldades de acesso aos exercícios transversais”, sublinhou.

Na quinta-feira, a comissão parlamentar de inquérito tem agendada a audição de uma outra técnica do banco central, Sara Raquel Santágueda, que também pediu para não ser filmada e fotografada.

A comissão de inquérito arrancou a 17 de novembro e tem um prazo de 120 dias, que pode eventualmente ser alargado.

A 03 de agosto, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades: o chamado banco mau (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas) e o banco de transição que foi designado Novo Banco.

OJE/Lusa

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