BI4ALL avança para a Suíça e quer contratar mais 50 trabalhadores este ano

O crescimento estimado para 2022 é de 23 milhões de euros, contando duplicar a faturação, em 2023, para 47 milhões com 500 colaboradores. A multinacional especializada em analítica de dados e algoritmos de inteligência artificial ambiciona tornar-se, no futuro, o primeiro hub tecnológico português.

A consultora tecnológica BI4ALL vai abrir a primeira sucursal internacional em setembro, na Suíça, como parte do plano de expansão da empresa, que deve gerar frutos sobretudo a partir de 2023, quando planeia duplicar a faturação de 23 para perto de 47 milhões de euros. A companhia também está a contratar e prevê recrutar mais 50 trabalhadores até ao final deste ano.

O plano de expansão foi apresentado aos jornalistas esta quarta-feira. Já em 2021, ano em que a empresa manteve o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) nos 4 milhões, a empresa cresceu em todos os sectores — seguros de 5% para 7,7%, transportes de 6% para 6,2%, energia de 6% para 6,5%, banca de 25% para 27,1% —, exceto na área farmacêutica, onde houve uma quebra de 41% para 35,5%, correspondente a uma quebra de faturação de 700 mil euros.

“Com as empresas a perder receitas com a pandemia e a cortar custos, um projeto em específico [de um cliente] passou para uma equipa indiana e nós não conseguimos fazer nada, não temos preços competitivos”, explicou o CEO José Oliveira.

Para o presente ano, a multinacional especializada em analítica de dados e algoritmos de inteligência artificial (IA) estima um crescimento de 35% de 17 para 23 milhões. Em termos de trabalhadores, se em 2021 passaram de 255 para 263, incluindo externos, esperam terminar este ano com 400, 50 dos quais a ser contratados no próximo semestre.

A aposta internacional e no Porto

No que à dispersão geográfica diz respeito, a empresa está a analisar oportunidades de criação de novos centros de Nearshore espalhados pelo mundo uma vez que “mais de 20 trabalhadores estão no Brasil, dez na Macedónia do Norte, e na Polónia”, para além de “cerca de 40 no Porto” — sendo que é necessário duplicar o espaço de escritório na ‘Invicta’ tendo em conta o rápido crescimento da equipa.

A escolha da Suíça como primeira delegação da BI4ALL no mercado internacional é multifatorial, conforme explica José Oliveira. Em primeiro lugar, para além de ser um país “com uma capacidade financeira muito interessante”, está próximo do principal mercado da empresa, a Europa do Norte — nomeadamente Dinamarca, Alemanha, Suécia e Noruega — , pelo que o objetivo é captar negócio diretamente da região, e apenas multinacionais. Só na Suíca, contam com 12 clientes. A sucursal será de pequena dimensão, e iniciará com “um ponta de lança” local, como descreveu Nuno Barboza, responsável da expansão comercial, para além da equipa que vai trabalhar a partir de fora.

“Estamos com grandes expetativas para os próximos três anos, tanto para Portugal, como para o mercado global, quer ao nível de reforço da estratégia de internacionalização, quer ao nível da contratação nacional e internacional de forma a acompanhar o crescimento”, refere o CEO.

“Empresas como a nossa são boutiques especializadas. Nós só fazemos isto e não podemos ser comparados com empresas de milhares de pessoas que fazem tudo, como a Cognizant e a Tata Consultancy Services (TCS), mas que não são especialistas. É a diferença da noite para o dia”. Assim, explica que não a multinacional não tem concorrentes em Portugal “a esse nível” e que o seu mercado “é lá fora”.

A captação e fixação de talento

Relativamente à captação de talento, que sofreu com a pandemia, José Oliveira afirma que a taxa de retenção é “muito grande”. O plano de internacionalização, já em curso, serviu para “acalmar a azáfama” uma vez que as pessoas querem ficar em “equipas vencedoras e em projetos com talento que crescem”, segundo Nuno Barboza.

De resto, para além de instrumentos de fixação na empresa próprios para trabalhar a cultura e espírito profissional, que incluem torneios dentro da BI4ALL, passa por procurar talento junto das universidades e através das academias próprias que desenvolve. No presente, o foco está sobretudo na NOVA Information Management School (NOVA IMS) e na Escola 42, mas no futuro, a BI4ALL quer trabalhar as ligações entre as instituições de ensino superior portuguesas e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) através do Nuno Barboza, antigo vice-presidente da Johnson & Johnson.

As instalações e o novo hub tecnológico

De relembrar que, este ano, a multinacional inaugurou as suas novas instalações após um investimento de 8 milhões de euros, com a designação de “Cidade BI4ALL”. Com capacidade para mais de 500 postos de trabalho, a nova sede foi projetada para o crescimento sustentado da empresa nos próximos anos, a pensar nas expectativas dos clientes atuais e futuros, para além dos colaboradores.

“Estamos a criar as fundações para sermos o primeiro hub tecnológico em Portugal. Estamos a fechar condições para ter outras empresas, que se possam complementar connosco — mais uma vez a focarmos na capacidade de entrega do produto e não no cliente —,  porque quanto mais empresas tivermos juntas, mais energia vamos ter para ir lá para fora mais robustos”, declara José Oliveira. “A ideia é ter até mil pessoas” nas instalações, que tem as condições certas para tal, e raras no país, refere.

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