Bielorrussos voltam às ruas para exigir saída de Lukashenko

Em Minsk, os manifestantes marcharam divididos em vários grupos, uns com dezenas e outros com centenas de manifestantes, testemunhou no local um jornalista da agência de notícias francesa AFP.

Protestos na Bielorrússia após eleição de Lukashenko para o sexto mandato consecutivo | EPA/Tatyana Zenkovich/Lusa

Milhares de pessoas manifestaram-se hoje nas ruas da Bielorrússia para exigir a saída do Presidente Alexander Lukashenko e mais de 30 pessoas foram detidas na capital, Minsk, e noutras cidades, segundo o centro de direitos humanos Viasna.

Em Minsk, os manifestantes marcharam divididos em vários grupos, uns com dezenas e outros com centenas de manifestantes, testemunhou no local um jornalista da agência de notícias francesa AFP.

No total, mais de 30 pessoas foram detidas em Minsk e noutras cidades bielorrussas, segundo o Viasna.

A polícia patrulhava as ruas de Minsk com cães-polícia e utilizou canhões de água para afastar os manifestantes.

O Presidente Alexander Lukashenko, de 66 anos e no poder desde 1994, enfrenta um desafio sem precedentes desde a sua polémica reeleição no início de agosto, considerada pela oposição e pelo Ocidente como fraudulenta e que desencadeou desde então protestos nas ruas.

Apoiado por Moscovo, Lukashenko recusa-se a deixar o poder e apenas mencionou vagas reformas constitucionais para tentar acalmar os protestos, enquanto o movimento de protestos enfrenta repressão constante.

“O mundo inteiro está a ver o movimento de protestos na Bielorrússia e graças aos protestos, todos nos estão a apoiar”, afirmou Svetlana Tikhanovskaya, principal figura da oposição bielorrussa que se encontra refugiada na Lituânia.

“Cada nova marcha evita que o regime minta que os protestos acabaram”, acrescentou durante o discurso num vídeo divulgado na véspera das manifestações de hoje.

A Bielorrússia anunciou que iria banir, de forma temporária devido à pandemia da covid-19, as saídas do país por terra, com a medida a ser levada à prática a partir das 24:00 de hoje.

A oposição considerou, contudo, a medida, que inclui os cidadãos bielorrussos e estrangeiros com autorização de residência no país, como uma continuação disfarçada da repressão.

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