BlackRock e Credit Suisse vêem na eleição de Boris Johnson redução “significativa” de incertezas

O resultado eleitoral britânico determinou a continuidade do líder dos conservadores como primeiro-ministro britânico. Com a vitória reconhecida, Boris Johnson prometeu que o Brexit vai para a frente a 31 de janeiro, o prazo estabelecido pela União Europeia. “Vou pôr fim a este absurdo”, disse.

O Partido Conservador conseguiu a maioria dos assentos parlamentares nas eleições do Reino Unido e, por isso, o líder do partido, Boris Johnson, vai continuar como primeiro-ministro do país e tem caminho aberto para concluir o processo de saída da União Europeia. Para o banco Credit Suisse e para o fundo BlackRock, a eleição de Boris Jonhson representa uma “significativa” das incertezas inerentes ao Brexit.

Numa nota enviada à redação, o Chief Investment officer do Credit Suisse, Michael Strobaek, diz que a vitória conservador nas eleições representa uma “significativa redução das incerteza e torna muito improvável um brexit sem acordo”. Para Strobaek, Boris Johnson conseguiu à partida um ponto de estabilidade política com esta vitória eleitoral, que poderá espoletar “uma recuperação económica do Reino Unido”.

Esta é uma leitura partilhada pelo Chief Economist da BMO Global Asset Management, Steve Bell. “Uma grande parte da incerteza desapareceu”, diz numa igualmente enviada à redação. Para Bell, “as perspetivas para o Reino Unido são certamente melhores quando comparadas à paralisia que vimos há vários anos, no entanto, não se trata de um salto e estamos livres”.

O administrador da BMO Global Asset Management comenta que o resultado eleitoral “elimina a incerteza” sobre o Brexit. Contudo, “o país enfrenta agora um novo conjunto de desafios” pelo período em que o Reino Unido irá entrar de “negociações intensivas sobre o futuro relacionamento comercial com a Europa”.

Já o BlackRock, que partilha da segurança que Boris Johnson representa  para a concretização do Brexit, alerta para”um prazo difícil no final de 2020 para negociar um acordo comercial com a União Europeia [UE]”. “Esperamos uma extensão”, lê-se na nota do fundo norte-americano.

A libra e as ações do Reino Unido vão “beneficiar de uma maior certeza política e os rendimentos das yields subirão com uma perspetiva de crescimento mais brilhante”. Estabilidade política e fiscal trarão uma recuperação económica ao Reino Unido, segundo a BlackRock.

“Vemos o Reino Unido a entrar num período de relativa estabilidade política pela primeira vez em uma década. Johnson tem autoridade política e flexibilidade, mas enfrenta outro prazo difícil do Brexit: negociar um acordo comercial com a UE até o final de 2020, quando o atual acordo de saída terminar. Este é um prazo apertado que Johnson disse que não vê razão para estender, com o final do ano de 2020 a servir como varanda do precipício – se não houver acordo, poderá surgir uma saída desordenada nos termos da Organização Mundial do Comércio. Vemos isso como um risco, mas não é o nosso cenário principal”, aponta. “Uma maioria parlamentar, provavelmente dar-lhe-á maior liberdade para negociar com a UE e fazer algumas concessões sem alterar materialmente o que será um Brexit relativamente difícil. O resultado na Escócia será uma fonte de tensão e pressão para um referendo de independência, mas não esperamos que este governo conceda um”, resume a BlackRock na sua nota.

Cerca de 46 milhões de britânicos votaram na quinta-feira nas eleições legislativas antecipadas no Reino Unido, as terceiras em menos de cinco anos, convocadas pelo governo para tentar desbloquear o impasse criado no parlamento pelo processo de saída do país da UE. O resultado eleitoral determinou a continuidade de Boris Johnson, líder dos conservadores, como primeiro-ministro britânico.

O Partido Conservador garantiu maioria absoluta parlamentar. Pelas 8h00, com 648 dos 650 dos assentos atribuídos, o Partido Conservador garantia já 363, contra 203 do Partido Trabalhista (que perdeu 59), e 48 do Partido Nacionalista Escocês (SNP).

Com a vitória reconhecida, Boris Johnson prometeu já esta sexta-feira que o Brexit vai para a frente a 31 de janeiro, o prazo estabelecido pela UE. “Vou pôr fim a este absurdo e vamos consegui-lo até 31 de janeiro”, assegurou Johnson aos seus apoiantes. “[O Brexit] é agora uma decisão irrefutável, indiscutível e irresistível do povo britânico”, que “põe fim à miserável ameaça de outro referendo”, declarou.

Moody’s sobre eleição de Boris Jonhson: “É improvável que a incerteza relacionada com o Brexit diminua”

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