Bloco de Esquerda vota contra o OE2022 caso Governo não faça alterações

A coordenadora do partido, Catarina Martins, lançou este domingo críticas à “bandeira” da reforma do IRS proposta pelo Executivo de António Costa e denunciou a falta de investimento nos serviços públicos. Dirigente bloquista disse ainda que “a proposta ignora a crise energética”.

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António Cotrim/Lusa

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) anunciou este domingo que o partido irá votar contra a proposta de Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) se o Governo liderado por António Costa não fizer alterações, mantendo-se assim disponível para negociar até quarta-feira.

“O OE2022 foi apresentado como um documento muito ambicioso, de resposta aos desafios do país, mas este anúncio não resiste à análise da proposta que o Governo entregou. O Governo excluiu do documento que entregou ao Parlamento todas as propostas entregues pelo BE, pelo que reflete somente as prioridades do Partido Socialista”, começou por referir Catarina Martins, na conferência de imprensa após a reunião da Mesa Nacional do partido.

“Se o Governo insistir em impor recusas onde a esquerda podia ter avanços o Bloco de Esquerda responderá pela sua gente, pelo povo que trabalha, pelo SNS que nos orgulha e votará contra o Orçamento do Estado para 2022. Não temos muito tempo, mas ainda há tempo”, afirmou.

Catarina Martins começou por lançar fortes críticas à “bandeira” da reforma do IRS (Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares) proposta pelo Executivo, que estabelece a criação de dois novos escalões. Para o BE, esta “grande reforma”, ironizou, têm um impacto na receita do Estado de 200 milhões de euros, abaixo dos 230 milhões de euros que teve em 2018 – ano em que, a par com outras medidas relacionadas com este imposto, perfez um total de 445 milhões de euros de impacto.

Apesar de o Governo propor o reforço do orçamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em 700 milhões de euros em 2022, o Bloco prevê que as taxas de execução das iniciativas para o sector da saúde continuem muito baixas, numa altura em que “existem mais de um milhão de utentes sem médico de família” e se “multiplicam os relatos de exaustão dos profissionais”.

“O Orçamento do Estado para 2022 não responde aos problemas relevantes dos restantes serviços públicos. Na educação, quando mais de 40 mil alunos estão sem aulas ou sem parte das aulas por falta de professores, não existe qualquer medida de valorização da carreira docente”, denunciou a dirigente bloquista, que fez ainda referência aos “irrisórios” 0,25% da despesa total consolidada para o sector da cultura.

Na segunda-feira, o BE entregou ao Governo nove propostas negociais para a viabilização do OE2022.

Notícia atualizada às 16h55

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