Bloco quer agricultura intensiva com avaliações de impacto ambiental e laboral

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, exigiu este domingo que as explorações agrícolas que usam o método intensivo e superintensivo sejam sujeitas a “avaliações de impacto” a nível ambiental e laboral.

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, fala aos jornalistas durante a conferência de imprensa para apresentação do programa eleitoral às eleições legislativas, na sede nacional do partido, em Lisboa, 21 de dezembro de 2021. MÁRIO CRUZ/LUSA

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, exigiu este domingo que as explorações agrícolas que usam o método intensivo e superintensivo sejam sujeitas a “avaliações de impacto” a nível ambiental e laboral.

“Se nada for feito e se esta lei não mudar, as estufas vão continuar a aumentar, a água vai ser cada vez menos e os trabalhadores vão continuar a ser explorados”, afirmou a coordenadora bloquista.

Catarina Martins propôs que passem a existir avaliações de impacto da agricultura intensiva e superintensiva, ao nível “do impacto sobre a água, de impacto ambiental, mas também sobre as condições dos trabalhadores”.

A dirigente do BE discursava no arranque de uma marcha integrada no “Roteiro pela Justiça Climática”, promovido pelo partido, realizada entre a zona dos Alteirinhos e a Zambujeira do Mar, no concelho de Odemira, distrito de Beja.

Com início junto a uma zona de estufas, a marcha contou com a participação de dirigentes e apoiantes do BE e, sobretudo, trabalhadores agrícolas imigrantes, que empunhavam cartazes com mensagens em defesa do ambiente e do trabalho com condições.

Durante o percurso de quase dois quilómetros, os participantes transportavam também uma faixa de grandes dimensões com o tema do roteiro e entoaram palavras de ordem como “mais trabalho, mais salário” e “igual trabalho, igual salário”.

Na sua intervenção, a coordenadora do BE manifestou apoio aos trabalhadores agrícolas imigrantes e salientou que a marcha serve para “lutar por uma lei contra o trabalho forçado e que garanta condições a todos os trabalhadores em Portugal”.

“E estamos aqui também a lutar pela gestão pública da água, porque o agronegócio da agricultura intensiva e superintensiva não pode continuar de forma irresponsável a retirar a água a estes territórios”, acrescentou.

Depois de fazer um discurso idêntico em língua inglesa, dirigido aos trabalhadores agrícolas imigrantes, Catarina Martins ouviu as queixas de um deles e voltou a dirigir-se aos presentes.

“Está aqui quem trabalha todos os dias e está a dizer-nos que para lá das horas de trabalho, que são longas demais, e das condições de trabalho, que são más demais, na verdade, não há regras nenhumas”, referiu.

Segundo a líder bloquista, estes trabalhadores queixam-se que uns “ganham mais do que outros sem se saber porquê” e que existe “uma chantagem permanente sobre a forma como recebem os seus salários”.

“Não há nenhuma progressão, estão completamente estagnados, independentemente das responsabilidades que as pessoas têm, da experiência que têm ou do que está acontecer agora com os preços, que estão a subir muito”, assinalou.

Alertando que a vida destes trabalhadores “está ainda mais complicada e insuportável”, a dirigente do BE considerou que a situação deve-se aos salários que são “muito baixos”, apesar das “muitas horas de trabalho”.

No final da marcha, os participantes almoçaram nas instalações da Associação Cultural Recreativa Zambujeirense, na Zambujeira do Mar.

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