BNI Europa entra na oferta digital. Objetivo: marcar a diferença

O BNI Europa tem nova liderança. Pedro Pinto Coelho é o CEO da instituição em Lisboa e tem um vasto curriculum. Em entrevista ao OJE confessa não poder concorrer com os grandes bancos, mas promete fazer a diferença nos próximos meses. A oferta para particulares e empresas nas relações com Angola ganha um novo patamar […]


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O BNI Europa tem nova liderança. Pedro Pinto Coelho é o CEO da instituição em Lisboa e tem um vasto curriculum. Em entrevista ao OJE confessa não poder concorrer com os grandes bancos, mas promete fazer a diferença nos próximos meses. A oferta para particulares e empresas nas relações com Angola ganha um novo patamar depois do sucesso do produto ligado à antecipação de fundos em Portugal, quer para empresas, quer para expatriados. Agora, a aposta passa pelo digital.

O BNI Europa tem pouco mais de 1 ano de vida. Tem autorização para todas as operações?
O BNI Europa é um banco universal e está apto para realizar todo o tipo de operações.

Qual o papel do BNI Europa no atual contexto das relações comerciais com Angola?
Dentro do contexto Portugal/Angola o que propomos é apoiar clientes empresas e clientes particulares não residentes em tudo o que sejam operações entre os dois países.

O que pode o banco fazer de diferente relativamente a outras instituições financeiras?
Temos condições de dar um serviço personalizado com uma equipa em Luanda e outra em Lisboa para apoiar esses clientes, quer do ponto de vista de crédito, quer de qualquer transação mais específica. Podemos “customizar” o produto às necessidades do cliente. Não somos um banco demasiado grande em que o cliente se perde nas mega estruturas. Isto significa, repito, que o cliente pode ter uma maior personalização dos serviços.

Como é que o BNI Europa trabalha o fenómeno de redução do volume de divisas cedidas ao sistema financeiro angolano pelo banco central?
Tal como outros bancos, não controlamos o fluxo de divisas cedido pelo Banco Nacional de Angola. Existe um regulador que também disponibiliza e orienta as divisas em função das necessidades do país, e nós como um dos players nesse mercado naturalmente também temos a nossa quota-parte de divisas que são adquiridas pelo BNI Angola. Dessa forma o BNI Europa trabalha com clientes na base do pressuposto das divisas disponibilizadas ao BNI Angola.

A atual conjuntura não retrai negócios e cria dificuldades nas relações comerciais?
O nosso papel é tentar desbloquear e agilizar essas relações comerciais, nomeadamente através da antecipação de fluxos monetários enquanto estão a aguardar a autorização do BNA para a aquisição de divisas. Há condições de fazer algum volume de operações que permitam criar a liquidez necessária em Portugal para conseguir ultrapassar esses bloqueios.

Antecipa a cedência de divisas?
Sim. Tem sido uma operação muito solicitada pelos clientes dadas as atuais circunstâncias.
O BNI é reconhecido pelas elevadas taxas de juro que oferece. Vai manter essa política?
Sim, claro, temos o objetivo de captar recursos através de uma política de taxas bastante atrativas. E, friso, dependendo das maturidades, estão entre as melhores taxas praticadas no mercado.

Para quando a expansão de balcões, dado que o BNI Europa só funciona com escritório e balcão no Marquês de Pombal, em Lisboa?
Acreditamos que estamos a entrar num momento em que queremos explorar canais não tradicionais. Não temos previsto, por enquanto, a abertura de balcões. Iremos apostar em canais alternativos para captarmos os clientes. São canais digitais.

Não está previsto abrir um balcão no norte onde estão presentes muitas empresa exportadoras para Angola?
A prazo poderá fazer sentido ter uma presença comercial no norte, não através do balcão tradicional, para estar mais próximo dos clientes. Avançaremos quando se justificar mas não está nos planos atuais.

Significa que estão a investir em novas plataformas digitais?
Estamos na fase de implementação da nossa própria plataforma e acreditamos que até ao final do ano estará em funcionamento a 100%, permitindo que qualquer um dos nossos clientes tenha acesso a todos os serviços financeiros. Acreditamos que será uma plataforma bastante evoluída e que será “user friendly”, quer a nível de internet banking, quer a nível de mobile banking. Sobre o investimento apenas direi que é um valor importante dentro da nossa estratégia.

A mudança de gestão que ocorreu há uns dias, significa nova estratégia no ataque ao mercado português?
Está em curso a identificação de uma estratégia e que tem por base o facto de sermos um banco novo e isso significar a vantagem de não termos custos associados a infraestruturas antigas e a processos que estão de alguma forma cristalizados, como acontece na maioria dos bancos que já abriram há uma série de anos. Temos condições de fazer um banco moderno, apostando na inovação e cuja relação custo/receita (cost to income) seja bastante baixo. Hoje em dia, com as tecnologias e a forma de trabalho e de interação com determinados parceiros, é possível ter uma plataforma fácil para os clientes e vamos repassar esse benefício para os clientes, ou seja, terão um custo mais baixo nas operações. Essa é a nossa base: sermos um banco apostado na inovação. A nossa primeira missão é apostar em empresas e em clientes não residente no eixo Portugal/Angola e que resulta da nossa estrutura acionista e da nossa ligação àquele país. Como complemento iremos apostar em determinados segmentos que poderão aproveitar o fluxo de depósitos que teremos. Achamos que há determinados segmentos na área do crédito que podem ser explorados em Portugal.

Nomeadamente…
Não quero avançar sobre essa matéria. Direi que são operações em cursos mas, obviamente que um banco novo e pequeno dentro do espectro nacional, não consegue concorrer de forma direta com os grandes. A nossa estratégia não passará pelo crédito tradicional que outros bancos oferecem, até porque esses bancos de maior dimensão têm custos de funding muito menores, quando comparados com um banco jovem como o nosso. Temos de ser mais inovadores e encontrar produtos cujas margens financeiras sejam atrativas para justificar a oferta de um custo de funding mais elevado. Atualmente já temos dentro da plataforma Portugal/Angola produtos como o trade finance, para além da antecipação da receita. De forma sucinta friso que na plataforma atual oferecemos créditos documentários (trade finance), a antecipação de salários para expatriados ou não residentes que tenham necessidades/pagamentos a fazer em Portugal e oferecemos antecipação de fluxos monetários que estão a ser licenciados e sobre os quais decorre o processo de compra de divisas em Angola. Esperamos que um dia aumente mais o apetite de investimento em Angola e aí os interesses serão superiores com o natural apoio da banca em Angola. Relativamente a novos produtos falamos de crédito cujas margens podem ser suficientemente interessantes e que permitam rentabilizar o funding que temos. Claro que não é o nosso target os empréstimos a grandes empresas porque estas têm ratings bons e custos de funding baixos, assim como retornos baixos para a banca em geral e para os bancos mais pequenos em particular. Logo, entraremos em novas áreas que podem fazer sentido e que o mercado não está tão explorado. Vamos ter produtos que evitem a concorrência direta com bancos grandes.

Quais as características do cliente tipo do BNI Europa?
Há dois tipos de clientes. Temos o cliente empresa que tem negócios em Angola e que faz negócios domésticos e internacionais, entre os quais com o mercado angolano. Depois temos o cliente particular não residente, aquele que tem relações com Portugal e que está a residir em Angola. Temos ainda o cliente interessado em ter um bom rendimento das suas poupanças e coloca aqui parte dessas poupanças, considerando a remuneração que oferecemos. Temos aqui o nosso conjunto de clientes mais alargado. São residentes em Portugal e querem esse benefício.

O recente processo de fusão do Millennium Angola com o BPA não antecipa uma tendência e que é a necessidade – para encontrar negócios – de deter bancos maiores para gerar escala e massa crítica em Angola?
É natural para um mercado que cresce rapidamente que exista um processo de consolidação, de forma a assegurar uma maior reforço das instituições financeiras. É um processo natural fruto do crescimento muito significativo do sistema bancário em Angola.

Angola continua a ser uma oportunidade para os empresários portugueses?
Naturalmente que há melhores e piores momentos. A conjuntura económica não é fácil devido à queda do preço do petróleo, mas há um conjunto de investidores e empresários a apostar neste cenário de dificuldades, tentando tirar benefícios desta crise para se implantarem com um custo mais baixo, fazendo inclusivamente aquisições de empresas existentes em Angola para poderemos substituir importações por fabrico local. Há fábricas que já o conseguiram e começando a agregar valor nessas fábricas aumentará o valor acrescentado nessas indústrias. Considera ser esta uma boa oportunidade, assumindo que este tipo de investidor tem de ter uma visão de longo prazo.

A nova lei do investimento estrangeiro em Angola está a ajudar?
Houve uma redução na exigência de capital. É muito positivo. Da nossa parte, a divulgação das novas condições de investimento tem sido alvo de seminários e conferências realizadas em Angola.

Voltando à operação em Portugal, as novas diretivas europeias sobre os bancos estão a retirar rendibilidade às operações? E o BNI Europa já se adaptou à nova moldura?
As novas exigências centram-se nas áreas de controlo impostas pelo BCE e pelo BdP que incluem as áreas de auditoria interna, risco e complience. Isso é um esforço que todos os bancos a nível europeu estão a fazer e isso acarreta um aumento de custos para gerir um banco. Qualquer banco tem de cumprir aquelas diretrizes, independente da sua dimensão e é um custo adicional que pesa na rentabilização de uma licença bancária.

Quando é que a gestão do BNI Europa prevê levar o banco ao ponto de equilíbrio?
Estamos em fase de revisão do plano, mas a nossa expetativa é fazê-lo o mais rapidamente possível, nomeadamente depois desta fase inicial de investimentos que está a ser concluída.

Quais os objetivos a médio prazo a nível de “cost to income”?
O nosso “cost to income” é muito elevado pelo facto de estarmos ainda na fase de fortes investimentos. Esse rácio faz sentido divulgar quando estiver em velocidade de cruzeiro. Atualmente a receita é insipiente e claro que o “cost to income” atual será da ordem dos três dígitos, mas a expetativa é que a curto prazo passemos para os dois dígitos e dentro da casa dos 40 a 50%, dentro do benchmark internacional.

A aposta do BNI Europa em outras praças europeias não está a ser equacionada?
Não, mas qualquer banco na Europa pode usar o seu passaporte da União Europeia e trabalhar com clientes que não estejam necessariamente em Portugal. Nada impede que um nosso cliente em Angola, não português, possa abrir conta em Portugal e transacionar no mercado da UE. Não vemos necessidade de estar fisicamente presentes nas capitais europeias, pelo menos, nesta fase.

A experiência

Pedro Pinto Coelho possui uma vasta experiência internacional na Europa, África e América Latina, tendo ocupado diversas posições de destaque, nomeadamente como presidente da comissão executiva da Azure Wealth na Suíça, fundador e presidente da comissão executiva do Standard Bank Angola, membro do conselho de administração do Standard Bank Moçambique, membro da comissão executiva do CIB Africa no Grupo Standard Bank, presidente da comissão executiva da Amorim Global Investors, administrador executivo e “Global Head” de Assessoria Financeira no Banif, Banco de Investimento em Portugal, fundador e administrador executivo do Banif Investment Bank no Brasil, administrador executivo do Citigroup em Portugal e responsável para Portugal da área de banca de investimento no banco norte-americano Citigroup baseado em Londres. Pedro Pinto Coelho possui um MBA de HEC, School of Management, Paris, um mestrado em Sistemas de Informação de Gestão pelo ISCTE em Lisboa e uma licenciatura em Engenharia Industrial pela Universidade Nova de Lisboa.

Por Vítor Norinha/OJE

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