Bolsa brasileira regista melhor dia desde 2020. Investidores miram privatizações de Bolsonaro

Várias empresas públicas registaram disparos na bolsa brasileira com investidores interessados nos processos de privatização se Jair Bolsonaro ficar no poder.

Lula e Jair Bolsonaro – Evaristo Sa/AFP/Marcos Corrêa/PR

A bolsa de São Paulo fechou em alta na segunda-feira, na primeira sessão depois da primeira ronda das presidenciais brasileiras. Os investidores estão na mira de uma onda de privatizações por Jair Bolsonaro, se ficar no poder durante mais quatro anos.

A Bovespa fechou a valorizar 5,5% para 116.134 pontos, a maior subida diária desde abril de 2020.

Várias empresas fecharam a subir mais de 10%: Gol (13%), Azul (11%), Via (11%), Ecorodovias (10%) e Qualicorp (10%).

Os investidores apontam que uma vitória de Bolsonaro pode fomentar uma série de privatizações de empresas estatais: além da subida de 8% da Petrobras, o estatal Banco do Brasil também subiu quase 8% e a pública Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) com um disparo de 17%.

Depois da reeleição do governador mineiro pró-mercado Romeu Zema, a pública Minas Gerais (Cemig) e a empresa de águas residuais controlada pelo estado mineiro Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) subiram 11% e 18%.

Já as empresas da área da educação registaram perdas na Bovespa, pois são vistas como ganhadoras no caso de uma vitória de Lula da Silva que já prometeu o aumento de empréstimos públicos a estudantes. Além da educação, os sectores do retalho e de bens de capital iriam beneficiar com uma vitória da Lula da Silva, segundo os analistas da Guide Investimentos.

Lula da Silva (48%) ficou à frente na primeira ronda das eleições brasileiras, com uma vantagem de cinco pontos face a Jair Bolsonaro (43%). O resultado obriga à realização de uma segunda ronda, com o candidato do Partido dos Trabalhadores a ficar abaixo da vantagem prevista por muitas sondagens entre sete a 17 pontos.

O Partido Liberal de Bolsonaro obteve 99 lugares dos 513 deputados federais e 15 senadores (27 lugares foram a votos no domingo de um total de 81 senadores). Com este resultado, o partido de Bolsonaro torna-se na maior bancada do Parlamento brasileiro e os aliados do Partido Liberal também saíram reforçados.

Por sua vez, Gustavo Cruz analista da RB Investimentos apontou que “quem quer que seja o vencedor, não vai ter um cheque em branco do eleitorado”, isto é, sem políticas radicais, dada a competitividade da corrida eleitoral.

Apesar deste resultado, o Partido dos Trabalhadores “também cresceu, o que, somado à queda de outras legendas do centrão, dá margem para que em eventual vitória ele assegure governabilidade caso consiga alianças com partidos mais ao centro e à direita”, escreve a “Folha de São Paulo”.

Lula “vai ter de formar uma coligação alargada com a sua antiga oposição para poder governar com estabilidade”, destaca Marcos Casarin da Oxford Economics.

Já a revista “Veja” escreve que “com mais parlamentares na base radical e ideológica do governo, Bolsonaro renova o seu poder de fogo para ameaçar o Supremo Tribunal Federal (STF) com propostas que diluam o poder da Corte — seja criando novas vagas, seja mudando a Constituição”, segundo o colunista Robson Bonin.

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