Bolsa de Lisboa em terreno negativo com perdas da Jerónimo Martins, Greenvolt e BCP

A OPEP reviu hoje em baixa a sua previsão de crescimento na procura mundial de crude este ano, no meio da incerteza pela invasão russa da Ucrânia e das sanções impostas a Moscovo. O resultado é que o Brent disparou 6,55% para 104,9 dólares.

O PSI recuou 0,18% para 6.100,51 pontos em linha com as bolsas da Europa. As ações da Greenvolt que caíram 2,64% para 7,39 euros, lideraram as perdas. Seguiram-se as da Jerónimo Martins que fecharam a cair 2,19% para 21,48 euros e o BCP que foi à boleia das perdas dos títulos dos bancos europeus e recuou 1,91% para 0,1595 euros.

Destaque ainda para a queda da EDP Renováveis, de 0,65% para 22,90 euros e da Sonae que fechou em queda de 0,96% para 1,0350 euros. O outro título que fechou em terreno negativo foi o da Semapa (-0,16%).

Pela positiva destacaram-se a Mota-Engil que valorizou 3,15% para 1,374 euros; a Galp que avançou 1,31% para 11,97 euros; e a Altri que fechou em alta de 1,05% para 6,76 euros. Destaca-se ainda a EDP que subiu 0,69% para 4,67 euros.

Na Europa o sentimento foi maioritariamente negativo para o mercado de ações. O EuroStoxx 50 caiu 0,21% para 3.831,6 pontos e o Stoxx 600 recuou 0,31%. À exceção da Grécia, da Holanda, da Suécia, da Noruega e da Áustria, todas as bolsas fecharam em queda.

O FTSE 100 de Londres recuou 0,44% para 7.584,5 pontos; CAC 40 fechou a perder 0,25%; o DAX desceu 0,48% para 14.124,4 pontos; o FTSE MIB fechou a cair 0,36% para 24.659,3 pontos e o IBEX deslizou 0,10% para 8.576,5 pontos.

Ramiro Loureiro, analista de mercados da MTrader diz que “os ganhos de Wall Street foram insuficientes para motivar as bolsas europeias”.

“Os principais índices de ações europeus viveram um dia de queda, alheios ao sentimento positivo que se registava nas congéneres de Wall Street, depois de se ter ficado a saber que a inflação nos EUA até aumentou mais que o esperado em março (para 8,5%), mas em termos core houve um abrandamento do ritmo de subida e rubricas como os preços de automóveis usados até denotaram uma descida face a fevereiro”, refere a mesma análise.

“No início da manhã tinha sido revelado que a inflação na Alemanha atingiu os 7,6% no mês passado. Ainda assim há a destacar bons desempenhos em alguns setores, desde logo no Energético, que foi impulsionado pela subida superior a 6% nos preços do petróleo”, escreve Ramiro Loureiro.

Já a banca foi condicionada pelas quedas acentuadas de Deutsche Bank e Commerzbank, perante notícias de que um dos principais investidores vendeu posição. O índice alemão DAX acabou por ser o mais castigado. Isto porque o Deutsche Bank e o Commerzbank registam perdas expressivas, perante notícias de que um dos maiores investidores vendeu posição. Segundo as notícias de hoje, um investidor não identificado vendeu participações com valor total de 1,75 mil milhões de euros no Deutsche Bank e no Commerzbank, levando as ações dos dois maiores bancos da Alemanha a sofrerem fortes perdas na Bolsa de Frankfurt. O investidor mistério pretende receber 1,38 mil milhões com a venda de 116 milhões de ações do Deutsche bank e 508 milhões com as ações do Commerzbank. Atualmente há apenas dois investidores institucionais com um número de ações suficientes para uma venda desta dimensão, são eles a BlackRock e o Capital Group. Os fundos de private equity estão a sair da banca, pois a Cerberus tem vindo a reduzir e a Capital Group saiu do capital do Barclays.

O Morgan Stanley, que coordenou a venda, disse que o investidor se desfez de 116 milhões de ações do Deutsche Bank, a 10,98 euros por ação, e de 72,5 milhões de ações do Commerzbank, a 6,55 por ação.

As ações do Deutsche Bank fecharam a cair 9,36% e as ações do Commerzbank perderam 8,47%.

O movimento castigou também o setor da banca, no dia em que começou com a subida das yields de dívida soberana estão novamente a subir, um dado que penaliza o sentimento nos ativos de risco, mas que muitas vezes é favorável ao setor bancário.

Pela positiva, o setor energético foi impulsionado pela valorização dos preços do petróleo, depois da OPEP ter afirmado que é praticamente impossível substituir toda a oferta russa, segundo uma análise de hoje do BCP.

O sector de recursos naturais foi motivado pela subida dos preços de matérias-primas como o minério de ferro e por algum alívio dos bloqueios impostos na China para conter a evolução da Covid-19.

Em termos macroeconómicos, a Organização Mundial do Comércio disse hoje que as perspetivas do comércio mundial são pessimistas devido à combinação do impacto da guerra na Ucrânia, das sanções contra a Rússia e dos confinamentos impostos na China, que estão novamente a perturbar o comércio marítimo.

Já ontem, segundo uma análise divulgada hoje pelo secretariado da Organização Mundial do Comércio, foi revelado que a guerra na Ucrânia pode anular metade do crescimento do crescimento das transações internacionais esperado para 2022.

Também hoje ficou a saber-se que a taxa de desemprego na OCDE caiu em fevereiro para 5,2%, abaixo do nível pré-pandemia pela primeira vez, e o nível mais baixo desde que a série estatística começou em 2001.

Em termos de subida dos preços, a inflação homóloga da Alemanha atingiu 7,3% em março, o nível mais alto desde a reunificação alemã em 1990, disse hoje a agência federal de estatística alemã (Destatis), confirmando as primeiras estimativas baseadas em dados provisórios.

Já a inflação nos Estados Unidos acelerou para 8,5% em março, em relação ao mesmo mês de 2021, o nível mais elevado em mais de 40 anos, o que se deve essencialmente ao aumento de preços dos combustíveis.

O euro recua 0,28% para 1,0854 dólares.

Destaque ainda para o facto de o Governo russo estimar que o Produto Interno Bruto do país irá cair cerca de 10% este ano, disse hoje o ex-ministro das Finanças e atual presidente do Tribunal de Contas da Rússia, Alexei Kudrin.

Os juros da dívida soberana alemã a 10 anos caíram 2,61 pontos base para 0,79%. Já Portugal tem os juros em queda de 4,16 pontos base para 1,65%. Também Espanha tem os juros em queda de 4,24 pontos base para 1,71% e Itália com os juros a caírem 5,69 pontos base para 2,41%.

Os juros da dívida portuguesa estiveram hoje a subir durante a sessão, chegando a máximos de fevereiro de 2019. Mas já estão em queda.

A OPEP reviu hoje em baixa a sua previsão de crescimento na procura mundial de crude este ano, no meio da incerteza pela invasão russa da Ucrânia e das sanções impostas a Moscovo. O resultado é que o Brent disparou 6,55% para 104,9 dólares e o crude West Texas nos Estados Unidos escala 6,83% para 100,73 dólares.

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