Bolsa de Lisboa. Galp, BCP e Semapa já cresceram mais de 35% este ano

O PSI termina o mês de maio com o valor de 6.258 pontos, que representa um aumento mensal de 5,5% num contexto anual de forte resiliência e volatilidade do índice de referência bolsista do país.

Cristina Bernardo

A Maxyield – Clube dos Pequenos Acionistas analisou o comportamento do mercado acionista no mês de maio deste ano. Nessa análise conclui que o PSI fechou o mês de maio com um crescimento mensal de 5,5% e aumento anual de 12,4% e que o crescimento anual do PSI foi suportado pelo desempenho dos meses de março e maio.

O reforço da resiliência do PSI face à evolução mensal dos mercados internacionais é também destacado pela Maxyield. O PSI continua em contraciclo com a forte quebra anual dos mercados internacionais.

“O PSI resistiu em maio ao natural processo de correção das cotações em função dos dividendos”, sublinha a associação.

A Maxyield realça que o comportamento anual do PSI esteve sujeito a forte volatilidade.

Por fim refere que o índice de Madrid (IBEX 35) teve pior comportamento mensal e anual em comparação com o índice da bolsa de Lisboa.

Evolução de 5,5% num mês

O PSI termina o mês de maio com o valor de 6.258 pontos, que representa um aumento mensal de 5,5% “num contexto anual de forte resiliência e volatilidade do índice de referência bolsista do país”, sublinha a Maxyield.

Em maio, 10 sociedades cotadas que integram o PSI, tiveram uma evolução positiva, sendo que a banda de variação mensal oscila entre a subida de 29,6% do BCP e a queda de 13% dos CTT. Sendo que 10 dos 15 títulos tiveram uma subida de valor em maio. O segundo título a subir mais em maio foi a Semapa (+20,6%).

As ações que fecharam maio em terreno positivo, e para além do BCP e Semapa, foram a Corticeira Amorim (+6,5%), a EDP (+5,2%), a EDP Renováveis (+0,9%), a Galp (+5,4%), a Sonae (+7,5%) , a GreenVolt (+3,4%), a Mota-Engil (+6,7%) e a Navigator (+6,2%).

Ao contrário, as cinco sociedades com quebras mensais na sua cotação foram a CTT (-13%), a Altri (-4,6%), a Jerónimo Martins (-3,7%), a NOS (-1,5%) e a REN (-0,2%).

“Relativamente a 31 de dezembro de 2021, o PSI apresenta um crescimento anual de 12,4%, com 11 cotadas em trajetória positiva e 4 em perda de valor”, acrescenta a associação.

No que toca à comparação anual (face a dezembro de 2021), as maiores subidas registaram-se na Galp (+43,9%), no BCP (+36,1%) e na Semapa (+35,2%).

Seguiu-se a Navigator (+24,2%), a NOS (+16,1%), a Greenvolt (+15,1%), a REN (+13,4%), a Sonae SGPS (+10,3%) a Altri (+8%), a Mota-Engil (+6,9%) e a EDP Renováveis (+4,3%).

Só quatro títulos tiveram quebras anuais. os CTT lideram destacados com um recuo de 17,8%, seguindo-se a Corticeira Amorim (-6,9%), a Jerónimo Martins (-5,1%) e a EDP (-3,3%).

Nos mercados internacionais, o índice S&P 500, composto pelas maiores 500 sociedades cotadas na NYSE, e que atingiu em 4 de janeiro o valor máximo de sempre, apresenta uma diminuição anual acumulada de -13,3%, refere a análise.

“O comportamento do mercado americano levanta sérias preocupações, devido à quebra em cadeia de -1,4% do PIB dos EUA no 1º trimestre de 2022, aumentos da taxa de juro e uma dececionante earning season com particular incidência no segmento tecnológico FAANG (Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google) que representa mais de 20% do S&P 500″, alerta a Maxyield.

Já na Europa, o índice Stoxx 600, que agrega as 600 maiores sociedades cotadas europeias, e que atingiu em 5 de janeiro o valor máximo histórico, sofreu no mês de maio uma diminuição de -1,7% e atingiu uma baixa anual acumulada de -9,2%.

“As bolsas dos diversos países europeus apresentam uma evolução bastante diferenciada, sendo que o índice alemão DAX30 e o índice francês CAC40 são aqueles que sofreram uma quebra mais acentuada”, refere o estudo.

“É de referir que o índice espanhol IBEX 35 e o londrino FTSE 100, ainda não atingiram os valores anteriores ao crash de 2020” e o “o mercado espanhol (IBEX 35) com um aumento anual de 1,6%,continua com grande afastamento da praça de Lisboa”, refere a Maxyield que acompanha a evolução mensal de 11 importantes sociedades do IBEX 35.

Em termos anuais, é de salientar o forte contributo positivo para o IBEX 35 da Repsol, da Telefónica e do CaixaBank. Na polarização oposta encontra-se a Merlin e a Mapfre com variações negativas.

“Merece ainda referência a ligeira recuperação do setor energético”, realça a associação liderada por Carlos Rodrigues.

“Mantém-se a existência de alguns títulos, cotados a nível inferior ao final de 2019, designadamente Santander, Telefónica, Mapfre, Endesa, Enagas e Merlin”, conclui.

Outlook

O mercado de capitais, vai ser marcado pelas pressões inflacionistas, aumento das taxas de juro e impacto das medidas conjunturais restritivas, designadamente dimensão e profundidade do arrefecimento económico, diz a Maxyield.

O aumento das taxas de juro já se iniciou nos EUA, no Reino Unido e nas yields das dívidas soberanas, sendo expectável o aumento das taxas de referência pelo BCE a curto prazo.

“A redução dos balanços através da diminuição das compras líquidas de ativos designadamente títulos de dívida soberana deverá ter o seu início no limiar do 2º semestre de 2022”, refere a Maxyield.

A associação destaca que “merece uma referência especial a evolução das taxas de juro reais (corrigidas da inflação) num contexto inflacionista, que poderá determinar uma evolução das taxas nominais com uma forte amplitude”.

Os índices bolsistas já incorporam alguns efeitos macroeconómicos deste Outlook, cujo movimento poderá representar uma antecipação da recessão da economia, defende a associação.

“O NASDAQ entrou em abril na situação de bearmarket, com uma quebra superior a 20% relativamente ao último máximo ocorrido em 22 de novembro de 2021” e “o S&P 500 atingiu o mercado urso em 20 de maio relativamente ao máximo de 5 de janeiro de 2022”.

Por sua vez, “a nível europeu a evolução do Stoxx 600 não deixa ninguém tranquilo, face às características da conjuntura e ciclo econômico no 2º semestre de 2022”.

A Maxyield diz que “estas tendências colocam interrogações sobre a capacidade de resiliência do PSI até o final do ano e a persistência duma evolução em contraciclo com os mercados internacionais”.

O clube de pequenos acionistas é constituído por 80 membros, “sendo que estamos a desenvolver um esforço de captação de novos associados, com vista à inscrição na CMVM como Associação de Defesa de Investidores, a qual exige um número mínimo de 100 membros, o que proporcionará um peso institucional da maior importância”.

“Esta meta constitui a guidance associativa para 2022, sendo que a Maxyield conta com o envolvimento de todos os associados na prossecução daquela meta”, conclui a entidade.

 

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Apesar da subida anual, em junho registou uma queda de 3,4%, com apenas cinco das 15 sociedades cotadas que integram o PSI a registarem uma evolução positiva, sendo que a banda de variação mensal oscila entre a subida de 8,8% da Jerónimo Martins e a queda de 16,7% dos CTT. A Maxyield destaca a forte capacidade de resiliência do PSI face às quebras mensal e anual dos mercados internacionais.

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