Bolsas europeias negoceiam no vermelho pressionadas pela crise energética

As praças europeias estão hoje pressionadas pelo agravamento da crise de energia na Europa, que está a ser justificada pela paralisação sem fim à vista das entregas de gás russo à Alemanha e à Europa, segundo a agência financeira Bloomberg.

Dado Ruvic/Reuters

As bolsas europeias estão hoje a negociar no vermelho, à exceção de Frankfurt, reagindo ao agravamento da crise energética na Europa num contexto de abrandamento económico, alta inflação e políticas monetárias mais restritivas.

Pelas 08:15 em Lisboa, o índice Stoxx Europe 600 perdia 1% para 411,80 pontos, com Londres a recuar 0,67%, Paris a crescer 1,90% Madrid a cair 1,58% e Madrid a quebrar 2,24%, à exceção de Frankfurt que subia 3,30%.

Na sexta-feira, Wall Street encerrou pela terceira semana consecutiva com perdas, e o Dow Jones, o principal indicador, caiu 1,07% para 31.318,44 pontos devido aos receios de que a subida dos juros para combater a inflação leve a uma recessão.

O índice S&P 500 também fechou com perdas, ao cair 1,07%, para 3.924,26 pontos, enquanto o Nasdaq, que reúne as principais empresas de tecnologia, cedeu 1,31% para 11.630,86 pontos.

As praças europeias estão hoje pressionadas pelo agravamento da crise de energia na Europa, que está a ser justificada pela paralisação sem fim à vista das entregas de gás russo à Alemanha e à Europa, segundo a agência financeira Bloomberg.

O preço do gás natural subiu 31% na Europa e alguns países estão a lançar medidas especiais para conter os custos da energia, adianta.

Nesse sentido, a Alemanha anunciou um imposto extraordinário sobre os lucros das empresas do sector energético para financiar um plano de luta contra a inflação de 65.000 milhões de euros.

Além disso, os países-membros da Opep+ reúnem-se hoje (dia em que é feriado nos Estados Unidos e em que os mercados estão fechados em Nova Iorque), para decidir sobre os níveis de produção para o mês de outubro, com a Arábia Saudita a sinalizar que pode reduzir o seu fornecimento.

Os investidores estão ainda atentos a sinais vindos dos bancos centrais, incluindo o Banco Central Europeu (BCE), que esta semana deverá subir a sua taxa de juro diretora em pelo menos 50 pontos base para combater a inflação, refere a Bloomberg, chamando ainda a atenção para o confinamento na China devido ao novo surto de covid-19 no país.

No Reino Unido, por sua vez, os membros do Partido Conservador vão hoje nomear provavelmente Liz Truss para sua líder, abrindo o caminho para se tornar na primeira-ministra do país, o que está também a prender a atenção dos investidores, segundo a Bloomberg.

Na área cambial, o euro desvalorizou-se 0,7%, para 0,9884 dólares, enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) subiu 2%, para 88,57 dólares o barril e ouro cotava-se a 1.712,96 dólares.

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