Bolsas vão manter o rally em 2022? Saiba que fatores vão influenciar e que títulos podem valorizar

No mercado de ações há quem antecipe subidas na bolsa em 2022, como a EFG e o Goldman Sachs, mas há também quem espere precisamente o oposto. Saiba que fatores poderão afetar as bolsas no novo ano e que títulos têm mais potencial para valorizar.

As perspetivas para o mercado de capitais em 2022 estão indexadas à definição da política monetária pelos bancos centrais, que por sua vez está relacionada com a inflação.

Todos os especialistas consideram que a pandemia do coronavírus continuará a influenciar as economias, os mercados e as ações dos bancos centrais no ano que se inicia.

É também expectável, segundo alguns analistas, que a renda fixa (obrigações do tesouro) venha a ser uma boa opção para os investidores no primeiro semestre de 2022 por causa da alta esperada dos juros decorrente da inflação (que há quem defenda que é temporária e quem a veja como mais permanente). Recorde-se que, na semana passada, o BCE admitiu esperar uma taxa de inflação mais alta para a zona euro face às projeções de setembro e cortou ligeiramente as perspectivas de crescimento económico para o próximo ano, ainda que tenha melhorado as projeções para 2023. Quando a taxa de juros sobe, o preço de mercado dos títulos de renda fixa cai.

Analistas divididos

No mercado de ações há quem antecipe subidas na bolsa em 2022, como a EFG e o Goldman Sachs, mas há também quem espere precisamente o oposto. É o caso do analista da XTB, Nuno Mello, que defende que “estão reunidos os ingredientes para um primeiro trimestre negativo para o mercado acionista. A partir daí, apenas a evolução da pandemia o dirá”.

Nuno Mello considera que, “embora os mercados financeiros já estejam a incorporar nos preços a hipótese da Fed iniciar as suas subidas de taxas já em meados de Março de 2022 e do BoE aumentar de novo a taxa em Fevereiro de 2022, vemos como provável que essa incorporação de expectativas (com todas as consequência que isso trará para as empresas mais endividadas, sobretudo as do setor tecnológico) se prolongue um pouco mais no tempo, possivelmente até ao final do primeiro trimestre de 2022”.

Além disso, diz. “o aumento das restrições devido à nova variante Ómicron deverá continuar a pressionar a retoma da atividade económica e também o mercado de trabalho”.

O analista da corretora XTB lembrou que esta semana “os três principais bancos centrais (BCE, BoE e Fed) foram bastante hawkish nas suas reuniões de política monetária”.

Nuno Mello detalha que “a Fed decidiu acelerar a redução do ritmo de compra de ativos dos atuais 15 mil milhões de dólares mensais para 30 mil milhões de dólares, de modo a que o tapering esteja completo em meados de março (em vez de meados de junho como anteriormente)” e o “dot plot também foi revisto em alta, mostrando agora três aumentos da taxa de juro para o próximo ano, mais três para 2023 e mais dois para 2024”.

Por sua vez, lembra Nuno Mello, “o BCE também revelou o início do tapering onde espera agora atingir o ritmo pré-pandémico de aquisições líquidas de obrigações até ao último trimestre do próximo ano. Isto reforça a sua mensagem anterior de que as subidas de taxas estarão em jogo em 2023, na melhor das hipóteses. O novo caminho significa que o total das aquisições líquidas de obrigações será inferior a metade do nível deste ano em 2022”, defende.

“Nem todos os membros do Conselho do BCE estão convencidos de que a inflação voltará a descer rapidamente e ficará abaixo do objectivo ainda em 2024”, explica Nuno Mello.

Por último, “o Banco de Inglaterra surpreendeu o mercado com a sua primeira subida de taxas nos últimos 3 anos. Com as últimas restrições impostas pelo governo britânico e o número de casos pela variante Ómicron a subir, ninguém esperava que o banco central agisse desta forma. A inflação atingiu um pico de 10 anos e o banco central sentiu que já não podia dar-se ao luxo de fazer mais nada senão esperar.  O aumento da sua taxa de base de 0,1% para 0,25%  é um movimento pequeno mas significativo, ao iniciar um novo ciclo de subidas”, refere o analista.

Janeiro é “historicamente um mês negativo”

O analista da XTB lembra que “historicamente, o mês de janeiro tende também a ser um mês negativo para o mercado acionista. Nós calculámos os movimentos médios mensais do mercado entre 2000 e 2020, e durante esse período, tanto a mediana como a média viram efetivamente o S&P 500 diminuir em Janeiro”.

“Medido pela mediana, janeiro foi de facto o pior mês para as ações dos EUA durante esse período. No entanto, nos últimos cinco anos, o S&P 500 subiu três vezes, manteve-se flat uma vez e registou perdas apenas uma vez”, conclui o analista da XTB.

Também o EFG Bank, que publicou o seu Market Outlook refletindo já os mais recentes movimentos do Banco Central Europeu (BCE) e do banco central do Reino Unido, defende que a pandemia do coronavírus continuará a influenciar as economias, os mercados e as ações dos bancos centrais no ano que se inicia. De acordo com os especialistas em investimento e economistas do EFG, a forte e sincronizada recuperação económica global continuará em 2022, impulsionada em parte pela recuperação do consumo no rescaldo dos vários bloqueios.

No que diz respeito aos mercados financeiros, a visão do EFG é que as ações continuam a oferecer as melhores oportunidades para os investidores nos próximos seis meses ou mais, “devido aos estímulos nas economias avançadas, e às taxas de juro reais negativas”.

No entanto, “o recente surgimento da nova variante, no entanto, lembrou aos mercados que a incerteza da pandemia permanece e é necessária uma alocação de ativos cuidadosa para equilibrar os riscos e oportunidades”, ressalva o EFG.

Que títulos deverão valorizar?

Que títulos? Pode inferir-se os sectores que o EFG considera que terão um impacto positivo pela via do aumento do consumo. O banco de private banking defende que à medida que as preocupações com a covid-19 diminuem, os consumidores estão dispostos a gastar mais, sobretudo em lazer e saúde. A rapidez com que esses gastos acontecem depende da evolução da pandemia.

“No próximo ano, esperamos que o crescimento global continue sua recuperação, com o estrangulamento da oferta a diminuir e as pressões inflacionistas a caírem”, diz Moz Afzal, Diretor de Investimentos Global do EFG.

Os economistas do banco suíço alertam, no entanto que “existe o risco de os bancos centrais cometerem um erro de política monetária” se a inflação começar a abrandar mais depressa do que os bancos centrais antecipam. Ou seja, a política monetária pode tornar-se demasiado restritiva.

“Além disso, embora a redução gradual das compras de ativos seja esperada em 2022, a política fiscal geral será suporte de ativos de risco”, dizem os economistas do EFG.

“As valorizações das ações são mais preocupantes nos EUA, embora as empresas americanas provavelmente reportem o melhor crescimento de lucros. Isso significa que as ações dos EUA estão mais vulneráveis ​​a choques à medida que avançamos no ano”, defende o EFG.

Recentemente o Goldman Sachs também revelou o seu outlook para o mercado bolsista europeu para 2022 onde antevêem uma continuação do atual contexto de subida dos mercados, embora a um ritmo mais lento.

Os analistas mantêm “uma perspectiva positiva sobre as ações europeias para 2022, com um preço-alvo de 12 meses de 530 pontos para o Stoxx 600”. Como o índice hoje está a cotar nos 484,69 pontos isto significa um potencial de subida de 24%.

Os lucros das empresas que compõem o índice sustentam a análise do banco de investimento norte-americano.

“Vemos as nossas projeções de lucros como um suporte para as ações europeias e um reflexo de uma dinâmica de crescimento muito melhor no ciclo atual do que no último. Estamos acima do consenso sobre o crescimento dos lucros para o setor financeiro, impulsionado por melhores margens e economias fortes, o que significa provisões mais baixas e potencial para melhores retornos de receitas de comissões”, diz a análise de Sharon Bell; Peter Oppenheimer; Lilia Peytavin; Guillaume Jaisson e Francesco Grazian.

“Para o Stoxx 600, esperamos que os lucros cresçam 64% em 2021, 6% em 2022 e, em seguida, 4% ao ano até 2025. Isso revela que a recuperação dos lucros foi excepcionalmente rápida e esperamos que o ritmo de crescimento dos lucros no novo ciclo seja moderadamente mais alto”, defende o Goldman Sachs.

“Esperamos um crescimento de EPS acima dos 60% em 2021, seguido por 6% em 2022 e 4% em 2023”, dizem os analistas do banco norte-americano.

Já segundo os especialistas da BlackRock, existem três temas principais para serem acompanhados em 2022. O primeiro é a retoma da atividade económica. O desempenho será assimétrico, pois alguns sectores irão recuperar mais rapidamente que outros. Uma das possíveis razões para esse comportamento é o surgimento de novas variantes do vírus.

Além disso, houve uma disrupção da cadeia de suprimentos globais e isso pode ter vários impactos, dependendo do grau de internacionalização de cada setor económico.

Os conflitos geopolíticos têm provocado subidas da energia. Porque o preço do gás é afetado pelas sanções. Recentemente diplomacia de Berlim assegurou que o Nord Stream 2, uma parceria russo-alemã, não será autorizado a funcionar em caso de uma nova “escalada” na Ucrânia devido a um acordo de princípio concluído entre Berlim e Washington.

“Nesse ambiente é preciso estar preparado para conviver com os efeitos de um ambiente inflacionista mais persistente. A expectativa é que algumas empresas conseguirão repassar os aumentos de custos. Assim poderão manter, ou até mesmo ampliar, as atuais margens de lucro”, defendeu recentemente a BlockRock.

O segundo factor importante para ser considerado é a possibilidade de erros na condução da política económica, defende também a gestora de ativos norte-americana. “Se o ritmo de ajustes for mais lento ou mais rápido do que o ideal, a decisão pode provocar efeitos indesejados no ambiente de negócios”, defendem os analistas.

E, finalmente, o terceiro tema é a transição para uma economia com menor emissão de carbono. Mesmo com o potencial inflacionista dessa mudança, é um caminho irreversível.

De PSI-20 para PSI: Índice vai ter novas regras

No próximo ano a bolsa portuguesa tem uma alteração digna de registo, o PSI-20 passa a PSI e deixa de ter um número mínimo de empresas. As novas regras e designação entrarão em vigor a partir de março de 2022, por ocasião da revisão anual do índice.  “A metodologia do índice também será ajustada para melhorar a liquidez e a eficiência do índice e para melhor atender às necessidades dos utilizadores do índice”, diz a Euronext.

Os ajustamentos à metodologia do índice PSI incluirão a determinação de uma dimensão mínima para as empresas entrarem no índice aquando das análises trimestrais e anuais (capitalização bolsista free float de 100 milhões de euros) e a eliminação do requisito de um número mínimo de empresas cotadas participantes no índice. Esta regra fará com alguns títulos que hoje compõem o índice saiam, por falta de liquidez.

O novo nome e as mudanças na metodologia visam aumentar a atratividade do índice, melhorando sua qualidade e consequentemente a confiança dos investidores.

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