Boris Johnson e Charles Michel destacam “novo ponto de partida” em telefonema após acordo comercial

Chefe do governo britânico considera que este é um “novo ponto de partida” nas relações entre Londres e Bruxelas, enquanto o presidente do Conselho Europeu fala num “possível tratado sobre pandemias”. Já o Parlamento Europeu vai “escrutinar” o acordo pós-Brexit, assinado na véspera de Natal.

O primeiro-ministro britânico voltou esta segunda-feira a saudar o acordo comercial entre o Reino Unido e a União Europeia (UE), assinado na véspera de Natal depois de cerca de dez meses de negociações. Boris Johnson considera que este é um “novo ponto de partida” nas relações entre Londres e Bruxelas.

“Acabei de falar com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel. Acolhi a importância do acordo Reino Unido-UE como um novo ponto de partida para o nosso relacionamento, entre soberanos iguais”, escreveu, na rede social Twitter. “Esperávamos a ratificação formal do acordo e de trabalharmos juntos em prioridades comuns, como o combate às alterações climáticas”, referiu ainda o primeiro-ministro britânico.

A chamada telefónica também foi destacada por Charles Michel, que disse que pretende “cooperar na [luta contra a] Covid-19, num possível tratado sobre pandemias, no clima antes da COP26 e em questões de política externa como aliados que partilham valores comuns”.

Os embaixadores dos 27 Estados-membros aprovaram hoje, por unanimidade, a aplicação provisória do novo acordo entre a União Europeia e  o Reino Unido a partir do próximo dia 1 de janeiro – data em que o Brexit fica oficializado, com a saída do país da lista de países que compõe o bloco europeu.

A União Europeia e o Reino Unido chegaram a um acordo pós-Brexit a 24 de dezembro e no dia seguinte Michel Barnier esteve a informar os embaixadores e diplomatas sobre os termos específicos desse deal, que tem quase 2 mil páginas, incluindo aproximadamente mil páginas de anexos e notas de rodapé.

Para a presidente da Comissão Europeia, atingiu-se um acordo “justo e equilibrado”, ao fim da travessia de uma estrada “longa e sinuosa. “As negociações foram muito difíceis. Mas com tanto em jogo, para tantos, este era um acordo pelo qual valia a pena lutar. Temos de evitar grandes mudanças para os trabalhadores, empresas e viajantes depois de 1 de janeiro de 2020. Isso protegerá os interesses europeus. É também, creio eu, o interesse do Reino Unido”, referiu Ursula Von der Leyen na conferência de imprensa de quinta-feira.

Os deputados britânicos deverão fazer a votação do documento no Parlamento ainda esta semana, a 30 de dezembro.

Já o Parlamento Europeu anunciou que vai “escrutinar” o acordo pós-Brexit. “A conferência de presidentes decidiu também examinar com a presidência do Conselho [que Portugal irá assumir em 2021] e a Comissão Europeia uma proposta de ligeira prorrogação do período de aplicação provisória, permitindo uma ratificação parlamentar durante a sessão plenária de março”, argumentou a instituição liderada por David Sassoli.

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Os estados membros da União Europeia concordaram, por unanimidade, sobre a aplicação provisória do acordo anunciado na quinta-feira, dia 24 de dezembro, por Londres e Bruxelas para as futuras relações comerciais, enquanto o Parlamento Europeu concede a ratificação final já em 2021.
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