Brexit. Boris Johnson “muito satisfeito” com acordo que vale mais de 540 mil milhões de euros por ano

Depois de meses de impasse, Boris Johnson mostrou-se satisfeito pelo acordo, que permite ao povo britânico recuperar a sua soberania em vários assuntos, sobretudo económicos, de segurança e jurídicos, ao mesmo tempo que liberta o executivo para se concentrar no combate à pandemia.

Boris Johnson congratulou-se pelo acordo conseguido para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), apelidando o mesmo como “o maior acordo de comércio livre já assinado”. Numa conferência de imprensa na tarde desta quinta-feira, o primeiro-ministro britânico sublinhou que o acordo é bom também para os “amigos europeus”.

“As pessoas votaram para retomar o controlo do seu dinheiro, das suas fronteiras, das suas águas e para abandonar a UE”, começou por destacar Boris Johnson, que defendeu o esforço do seu Governo nos últimos meses para finalizar este acordo.

“Muitos disseram que os desafios que coloca a pandemia tornariam este processo impossível e, portanto, que deveríamos pedir uma extensão do prazo para a transição. Eu rejeitei essa possibilidade precisamente porque vencer a Covid-19 deve ser a nossa prioridade nacional número um”, justificou o primeiro-ministro, que argumenta assim que o seu executivo estará mais focado na luta à pandemia sem a preocupação do Brexit.

Boris Johnson afirmou estar “muito satisfeito” com a obtenção deste acordo, que “vale 660 mil milhões de libras (541,3 mil milhões de euros) por ano” num desenho semelhante ao firmado com o Canadá que permite proteger empregos e que os bens de cada bloco sejam vendidos no mercado “sem estarem sujeitos a tarifas ou quotas”.

“Não me parece mau para a UE ter, à porta de casa, um Reino Unido próspero, dinâmico e satisfeito. Será bom, será um motor para o emprego e para a prosperidade por todo o continente. Não me parece mau nós, no Reino Unido, termos uma abordagem diferente à legislação, porque em tantos pontos temos objetivos comuns”, afirmou Johnson.

“Seremos vossos amigos, vossos aliados e vossos apoiantes, nunca esquecendo que somos também o vosso principal mercado”, resumiu o primeiro-ministro, que antevê uma relação melhor agora do que a que se verificava enquanto o Reino Unido foi Estado-membro da UE.

Ainda assim, caso “qualquer um dos lados se sinta injustiçado”, há mecanismos de arbitragem por terceiros que permitem aos blocos, “enquanto semelhantes soberanos”, tomar ações para contornar esta situação, apesar do “tratado prever explicitamente que tais ações aconteçam pouco frequentemente”, esclarece.

Depois de meses de impasse, a UE e o Reino Unido conseguiram finalmente anunciar um acordo de saída para os britânicos, que haviam votado a favor deste desfecho em 2016. A partir de dia 1 de janeiro de 2021, o Reino Unido estará finalmente fora da UE.

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