Boris troca as voltas aos Touros e Wall Street navega sem rumo

Para os próximos dias, não são de esperar grandes alterações ao panorama dos mercados financeiros, com a “estagnação” a ser provavelmente o cenário dominante, até pelo menos à derradeira semana do ano.

Sem grande surpresa os índices norte-americanos terminaram a sessão de terça-feira numa nota de indecisão, isto porque não obstante o volume ter sido ligeiramente mais elevado que a média do último mês, com mais de 7,28 mil milhões de negócios efectuados, o registo final acabou por se traduzir em variações sem grande expressão, devido à meia hora final que anulou quase por completo os ganhos conseguidos durante o resto do dia.

Os bons dados económicos que saíram do sector imobiliário nos EUA, com o número de novas habitações a atingir um máximo de 12 anos, bem como a surpresa verificada na retoma mais robusta da actividade manufactureira, não foram suficientes para que os investidores aguentassem muito mais risco numa sessão em que ainda assim Wall Street fechou em novos máximos históricos.

Na Europa o dia foi marcado por dois eventos, ambos com uma conotação pessimista, o aviso da Unilever relativo a um menor volume de vendas previsto em 2020, o que causou apreensão dada a relevância da empresa como barómetro do mercado interno, e da frente política as declarações de Boris Johnson sobre pretender efectuar o Brexit até Dezembro do próximo ano, com ou sem acordo com a União Europeia.

E se a saída do Reino Unido do bloco europeu foi quase um dado adquirido após as eleições da semana passada, os investidores não esperavam que a possibilidade de um corte de relações abrupto pudesse voltar a ser uma realidade, dado que Boris Johnson já tinha alcançado um entendimento, que depois não passou no Parlamento.

O regresso desta incerteza foi particularmente prejudicial para a Libra Inglesa, que tinha valorizado consideravelmente na quinta-feira assim que saíram as projecções à boca das urnas, contudo ontem esses ganhos deram lugar à desilusão e a moeda acabou o dia a perder -1,6% para os $1.3123, naquela que foi a maior desvalorização do último ano.

Para os próximos dias não é de esperar grandes alterações ao panorama dos mercados financeiros, com a “estagnação” a ser provavelmente o cenário dominante, até pelo menos à derradeira semana do ano, altura em que existem os últimos arranjos nos portefólios dos grandes fundos de investimento.

O gráfico de hoje é da Unilever, o time-frame é semanal.

 

 

Depois de um duplo topo formado entre julho e setembro (linha azul), os títulos da gigante dos produtos de consumo têm ainda alguma margem para continuar a correcção, pelo menos até à linha laranja.

 

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