BPI com lucros de 286 milhões até setembro a subirem 18% (com áudio)

A atividade em Portugal contribuiu com 159 milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 25% face ao período homólogo de 2021. A rentabilidade em Portugal (RoTE) é de 7,3%, “ainda abaixo do custo de capital”, frisou o presidente executivo do banco.

Cristina Bernardo

O BPI obteve um resultado consolidado de 286 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, o que traduz uma subida de 18% em relação ao mesmo período de 2021. A atividade em Portugal contribuiu com 159 milhões, o que corresponde a um aumento de 25% face ao período homólogo de 2021. A rentabilidade em Portugal (RoTE) é de 7,3%, “ainda abaixo do custo de capital”, frisou o presidente executivo do banco.

O banco reportou que as participações no BFA (Angola) e BCI (Moçambique) tiveram um contributo de 102 milhões e 25 milhões para o resultado consolidado dos primeiros nove meses, respetivamente.

Os resultados explicam-se pelo produto bancário comercial que registou um crescimento de 9% face ao período homólogo, situando-se nos 614 milhões de euros. Em contexto de subida das taxas de juro, a margem financeira cresceu 10% para 374 milhões, suportada pelo crescimento do volume de crédito e a refletir já a subida das taxas de mercado. As comissões líquidas aumentaram 7% face ao período homólogo, para 219 milhões. Para este aumento contribuiu o aumento das operações de crédito, das comissões associadas a contas, intermediação de seguros, vendas de fundos de investimento e seguros de capitalização.

Do lado dos custos, verifica-se que os recorrentes aumentaram 3% num ano. Sendo que os custos com pessoal diminuíram 1%, os gastos gerais administrativos aumentaram 4% e as depreciações e amortizações subiram 11%, a refletir essencialmente o investimento realizado na transformação digital e obras em imóveis.

Os custos regulamentares foram já pagos, e somam 48,3 milhões, o que inclui a contribuição para o Fundo de Resolução nacional, para o Fundo de Resolução europeu, o adicional de solidariedade e a contribuição extraordinária sobre o sector bancário.

No final de setembro, o banco contava com 4.460 colaboradores, um número que se manteve estável no terceiro trimestre. Na mesma data a rede de distribuição totalizava 337 unidades comerciais, entre balcões (289), centros premier (15), centros private banking (3), balcão móvel (1) e centros de empresas e institucionais (29).

O ponto fraco do BPI tem sido o rácio de eficiência, o rácio core (cost-to-income core) continuou a melhorar, alcançando 52% em setembro de 2022 (últimos 12 meses), o que corresponde a uma descida de 2.2 pontos percentuais (p.p.) em relação a 2021.

O banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa, tem um rácio de Non-performing exposures (NPE, critérios EBA) de 1,4% (-0.2 p.p. de janeiro a setembro), e “é o melhor indicador no setor financeiro em Portugal”. A cobertura por imparidades e colaterais é de 153%. O rácio de Non-performing loans (NPL, de acordo com critérios da EBA) situa-se nos 1.7% (-0.3 p.p.). Os NPLs estavam cobertos a 154% por imparidades e colaterais no final do terceiro trimestre 2022.

O custo do risco de crédito é de 0,16% em percentagem do crédito e garantias nos últimos 12 meses.

As imparidades de crédito líquidas de recuperações situaram-se em 32 milhões no final de setembro de 2022 (a subir), para as quais contribuíram as dotações de imparidades de 62 milhões (igual ao período homólogo). Mas o banco libertou 3 milhões de euros com as recuperações de crédito (versus 7 milhões no período homólogo). Também libertou imparidades de 27 milhões (antes de impostos) com a venda de uma carteira de 141 milhões de euros de créditos não produtivos. No mesmo período de 2021, registaram-se também ganhos de 23 milhões com venda de créditos não produtivos.

Em setembro de 2022, o BPI mantinha um saldo acumulado no balanço de 50 milhões  de imparidades não alocadas. O CEO quer manter este volume por causa do contexto económico que se adivinha adverso por causa do impacto da subida dos juros no crédito das famílias. “Temos uma carteira preparada em termos de risco para situações mais adversas, se elas se verificarem”, disse João Pedro Oliveira e Costa, que lembrou que até setembro os imóveis recebidos por dação em cumprimento do crédito totalizam apenas três milhões de euros.

O CEO do BPI  diz que o banco “está preparado para continuar a dar um apoio decisivo às famílias, empresas e sociedade, num cenário de incerteza quanto à extensão e duração dos impactos da situação geopolítica e económica a nível internacional. Olhamos para os próximos exercícios com muita prudência, com a confiança de termos uma capitalização confortável, o melhor risco de crédito em Portugal, uma equipa focada e a capacidade de investir em tecnologia e inovação”.

No balanço, o BPI viu a carteira de crédito aumentar 1,8 mil milhões num ano, o que traduz uma subida de 7% para para 28,9 mil milhões. Sendo que a carteira de crédito à habitação cresceu 10% para 14 mil milhões e a empresas 4% para 10,9 mil milhões na comparação anual. A quota de mercado em crédito aumentou 40 pontos base, em termos homólogos, para 11.4% em setembro de 2022.

A contratação de crédito hipotecário cresce 24% para 2,1 mil milhões, o que significa que o BPI tem uma quota de mercado de 16,5% na contratação nos nove meses.

Os depósitos de clientes sobem 2,3 mil milhões, ou seja, 8%, para 30,4 mil milhões. Os depósitos de clientes representam 71% do ativo e constituem a principal fonte de financiamento do balanço.

O BPI cumpre por margem significativa os requisitos mínimos exigidos pelo Banco Central Europeu (BCE), apresentando rácios (calculados após estimativa de dividendos a distribuir) de CET1 de 13,5%. O Tier 1 é de 14,9% e o rácio de capital total é de 17,1%. O rácio de leverage situou-se em 6,5%. “O Buffer MDA – folga de capital sem limitações à distribuição de resultados – ascendia a 4,1% no final de setembro”, diz o banco.

O BPI “cumpre largamente os requisitos de MREL estabelecidos para 1 de janeiro de 2022 e, inclusive, os requisitos exigidos para 1 de janeiro de 2024”. O rácio MREL em percentagem dos ativos ponderados pelo risco RWA situa-se em 23,1%, versus o requisito intermédio de 19,18% estabelecido para 1 de janeiro de 2022. O requisito final de MREL a cumprir a partir de 1 de janeiro 2024 é de 22,4%.

O rácio MREL em percentagem da LRE (Leverage Risk Exposure) de 10,1%, versus o requisito final de 5,91% desde 1 de janeiro 2022.

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