BPI vai vender carteiras de NPL no segundo semestre e gostava de se livrar dos Fundos de Reestruturação

O BPI tem uma exposição a Fundos de Reestruturação que totaliza 36 milhões e que o BCE tende a recomendar a venda. Questionado João Pedro Oliveira e Costa foi peremptório, “se houvesse uma solução para ficar zero amanhã eu adoptaria e teria zero amanhã”.

O presidente executivo do BPI disse, na apresentação de resultados semestrais que “no segundo semestre vamos ter uma redução significativa de NPL (Non-Performing Loans) porque vamos vender uma parte da carteira”.

Tal como o Jornal Económico noticiou, o BPI tem no mercado carteira “Citron”  – composta por 60 milhões de euros de créditos NPL com garantia e por 95 milhões sem garantia – e recebeu três propostas vinculativas.

Na corrida à compra da carteira de malparado do BPI estão a LX Partners, a Fortress e a EOS Group.

A carteira de NPL do BPI “Citron” é composta por créditos em incumprimento (NPL) com garantias (secured) no valor de 60 milhões. Segundo as nossas fontes, consiste “numa carteira granular de crédito em que os colaterais são do segmento residencial”.

Mas o portefólio inclui também créditos NPL unsecured (sem garantias) no valor de 95 milhões de euros e esta componente “é bastante mais mais complexa e com forte exposição a crédito a empresas (corporate)”, tal como noticiado anteriormente.

O BPI tem um perfil de risco baixo, com um rácio de Non-Performing Exposures) de 1,6% e uma cobertura por imparidades de 84%.

Já em imóveis o valor em balanço é residual. “O banco até tem desativado as áreas de recuperação”, por causa do reduzido volume de imóveis recebidos em dação por cumprimento de crédito, que no semestre somou 3 milhões de euros, referiu João Pedro Oliveira e Costa.

“Esta é a prova que sabemos fazer bem a concessão de crédito e nós encontramos soluções para os casos piores, e para as pessoas ficarem nas suas casas”, disse o CEO do BPI.

O BPI tem uma exposição a Fundos de Reestruturação que totaliza 36 milhões e que o BCE tende a recomendar a venda. Questionado João Pedro Oliveira e Costa foi peremptório, “se houvesse uma solução para ficar zero amanhã eu adoptaria e teria zero amanhã”.

“Nós como só temos 36 milhões, é uma carteira muito pequena e temos alguma dificuldade de reduzir porque somos um participante nos fundos de reestruturação muito pequeno em conjunto com outros bancos, estamos complemente nas mãos dos outros bancos. Mas vamos continuar a tentar vender [as unidades de participação]”, disse o CEO do BPI.

Sobre a exposição do BPI à dívida pública e o impacto negativo que o aumento dos spreads face aos juros da dívida alemã das dívidas periféricas tem nos capital próprio dos bancos, respondeu Ignacio Alvarez-Rendueles.”Tem-se mantido estável a nossa exposição a dívida pública”, disse o administrador executivo do BPI que revelou que para além do investimento do banco a dívida portuguesa, espanhola e italiana (onde o prémio de risco é maior) tem também dívida pública dos Estados Unidos.  Ignacio Alvarez-Rendueles disse que o “valor atual é de 4,6 mil milhões de euros a valores de mercado e que 25% disso impacta nos capitais próprios do BPI, ou seja 20 bp ou 25 bp”. O administrador do BPI lembrou ainda o impacto positivo esperado do instrumento anti-fragmentação do BCE.

“Chegamos ao fim da subida da tabela das comissões”, voltou a dizer o CEO do BPI.

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