BPI e a venda de 2% do BFA: Grupo Violas vai decidir se impugna decisão

Representante do maior acionista português do BPI diz que negócio por 28 milhões de euros foi “ruinoso”.

Jose Manuel Ribeiro/Reuters

Tiago Violas Ferreira, representante do grupo Violas, disse no final da Assembleia Geral do BPI que ainda não decidiu se irá ou não a tribunal para impugnar a venda de 2% do banco de Fomento e Angola (BFA) à Unitel. Neste quadro, a AG de hoje – que aprovou essa venda por maioria qualificada – pode não ser o último episódio de uma novela que teve início há muitos meses.

Violas Ferreira, cujo grupo  detém 2,63% do BPI, disse que votou contra a venda dos 2% do BFA porque, desta forma, o BPI transferiu valor para Isabel dos Santos, que controla a Unitel, degradando o valor do banco português. “Venderam por 28 milhões de euros um activo que vale 1.400 milhões”, disse, adiantando que vai agora ponderar uma acção, eventualmente em tribunal.

Seja como for, Violas Ferreira voltou a afirmar que o preço proposto pelos espanhóis da CaixaBank para a OPA sobre o BPI continua a não corresponder àquilo que é o valor da instituição.

Na AG, Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, fez o historial mais recente da ‘novela’, explicando, grosso modo, aquilo que foi alvo de diversos comunicados do banco à CMVM – o pagamento dos 49% do BFA, a não oposição de diversas entidades reguladoras à operação de passagem do controlo da instituição angolana para a Unitel (nomeadamente o BCE e o banco central de Angola).

Ulrich afirmou que ainda não está concluído o pagamento dos dividendos a que o BPI tem direito da parte do BFA no que tem a ver com o exercício de 2014 – mas tal deverá suceder nos próximos dias.

Quanto à eventual impugnação da AG por parte do grupo Violas, o presidente executivo disse apenas que “não tenho comentários a fazer”.

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