Brasil. São Paulo, Minas Gerais e Bahia vão decidir segunda volta, dizem analistas

“A maior parte do que está em jogo” é São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais e a Bahia, explicou à Lusa o professor universitário de Sociologia Política Alexandre Camargo.

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Analistas ouvidos pela Lusa acreditam que os estados de São Paulo, Minas Gerais e Bahia serão preponderantes para a segunda volta das eleições presidenciais brasileiras de 30 de outubro entre Jair Bolsonaro e Lula da Silva.

“A maior parte do que está em jogo” é São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais e a Bahia, explicou à Lusa o professor universitário de Sociologia Política Alexandre Camargo.

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, registou 43,2% dos votos válidos na primeira volta das eleições, enquanto o ex-chefe de Estado brasileiro alcançou 48,43%. Os dois têm uma diferença de cerca de seis milhões de votos.

Em São Paulo, o Presidente brasileiro venceu o estado com mais de 1,7 milhões de votos do que Lula, enquanto o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) venceu em Minas Gerais com pouco mais de 600.000 votos e conseguiu uma vitória esmagadora na Bahia (um estado tradicionalmente petista) com mais de 3,8 milhões de votos.

No Rio de Janeiro, o terceiro maior colégio eleitoral, Jair Bolsonaro, de onde é natural, venceu o estado com quase mais de um milhão de voto que Lula da Silva, e já tem o seu apoio consolidado com a reeleição, no domingo, do Governador Cláudio Castro, que pertence ao partido do Presidente brasileiro.

“Lula da Silva não tem o palanque no Rio de janeiro”, lembrou o analista.

As segundas voltas das eleições para governadores em São Paulo, Minas Gerais e Bahia serão um fator determinante na campanha presidencial e poderão, eventualmente, ajudar a decidir as presidenciais.

O reeleito Governador de Minas Gerais, Romeu Zema, já declarou o apoio a Bolsonaro, dando “outro canal em Minas Gerais, que é um estado chave”, frisou o professor do programa de mestrado em Sociologia Política da Universidade Cândido Mendes (UCAM).

“Em São Paulo e Bahia haverá segundo turno, envolvendo justamente a polarização nacional”, disse, referindo-se a Tarcísio de Freitas (apoiado por Bolsonaro) e a Fernando Haddad (candidato de Lula da Silva).

“Em São Paulo a situação com Tarcísio de Freitas é bastante impactante. É o que mais fugiu à regra das pesquisas [sondagens], foram 8% a mais de apoio a Bolsonaro”, detalhou, frisando que “Bolsonaro vai ter um palanque de um candidato que talvez nem se esperasse que chegasse ao segundo turno e no entanto chegou na frente”.

Na Bahia, o candidato do PT, Jerônimo, vai disputar a segunda volta com ACM Neto, que na segunda-feira, tal como o já governador eleito de Minas Gerais, deu o seu apoio a Jair Bolsonaro, permitindo-lhe por isso mais um palanque de campanha num estado que lhe é altamente desfavorável e que pode ser decisivo para a eleição presidencial

“Agora se isso vai traduzir em votos para Bolsonaro é uma outra questão. Porque o que a gente está assistindo é que o ‘antipetismo’ também tem um limite”, considerou o analista.

Também ouvido pela Lusa em relação à Bahia, o professor permanente do programa de pós-graduação em ciência política e do programa de pós-graduação em comunicação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Emerson Urizzi Cervi, referiu que assistiu a um comportamento preconceituoso de membros da campanha de Bolsonaro a um dos estados mais pobres do país.

“Registei um comportamento de bolsonoristas muito negativo em relação ao nordeste, inclusive um comportamento bastante xenofóbico e preconceituoso”, disse.

“Isso pode gerar um efeito bumerangue, fazendo com que o nordeste se consolide ainda mais pró-lula e se Bolsonaro não avançar no nordeste ele vai ter muita dificuldade em tirar esses seis milhões de votos”, apostou.

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