Brexit. Impactos negativos deverão sentir-se com maior intensidade a partir de 2017

Em causa está a desaceleração do crescimento do PIB, a diminuição da rentabilidade das empresas, o aumento das insolvências e o atraso nos pagamentos das empresas.

A economia do Reino Unido tem resistido ao resultado do referendo que decidiu a saída do país da União Europeia (UE), embora a longo prazo possam surgir problemas, alerta a Euler Hermes, acionista da COSEC e especialista em seguro de créditos. Em causa está a desaceleração do crescimento do PIB, a diminuição da rentabilidade das empresas, o aumento das insolvências e o atraso nos pagamentos das empresas.

Depois do referendo realizado em junho deste ano, o risco de recessão imediata foi adiado pela rápida nomeação da nova líder do governo, Theresa May, e por uma utilização eficaz da política monetária. A Euler Hermes estima que a economia se mantenha relativamente resiliente até uma saída formal da UE, em 2019. No entanto, os impactos negativos deverão começar a sentir-se com maior intensidade já a partir de 2017.

A este propósito, Ludovic Subran, economista-chefe na Euler Hermes, alerta: “A resiliência da economia do Reino Unido está a camuflar problemas como a queda da rentabilidade do sector não financeiro desde 2015, sectores e empresas altamente alavancados que estão particularmente vulneráveis a choques externos, atraso de pagamentos das empresas, problemas de insolvência e sobre-endividamento entre os consumidores”. Acrescenta ainda que “a incerteza na preparação para a saída do Reino Unido da UE só aumentará estes problemas”.

A depreciação da libra esterlina continuará a agravar o contexto das empresas. E este tende a piorar. Em 2018, os analistas apontam para uma descida da libra esterlina para valores semelhantes aos do euro. Importa referir que atualmente uma libra equivale a 1,12 euros.

A consequente redução dos fluxos de capital e dos lucros vai, provavelmente, atrasar os prazos médios de pagamento, referem os analistas, uma vez que as empresas tendem a preservar capital alargando os mesmos.

Depois de 16 trimestres consecutivos de declínio, no segundo trimestre de 2016 as insolvências de empresas no Reino Unido começaram de novo a aumentar. A Euler Hermes prevê que em 2016 o número seja semelhante ao do ano anterior: 20.000 (+1%). Este montante deverá passar para as 21.800 insolvências de empresas em 2017 (+8%), um valor que em 2018 chegará às 23.100 (+6%), sobretudo devido à incerteza em torno do Brexit. Para 2019, a empresa prevê um aumento ainda maior de insolvências: 25.170 (+9%), num cenário de “Brexit parcial” (em que apenas a Inglaterra sai da UE, mantendo-se a Escócia e a Irlanda na União) e 26,570 (+15%) num cenário de “Brexit total”. O aumento do número de falências de empresas levará também a uma quebra na confiança e a um abrandamento da procura interna.

Ludovic Subran, diz que ainda “se as diretrizes políticas para o sector privado permanecerem pouco claras, estamos a viver o período de aparente calma que antecede uma tempestade”. Isto porque, explica Ludovic, “o investimento é impulsionado pela confiança, e a incerteza é inimiga da confiança. As empresas têm de planear com antecedência os riscos futuros e perceber como é que o Brexit pode afetá-las”.

A indefinição em relação ao Brexit terá custos no futuro: “Adiar decisões importantes em sectores de investimento elevado, como aeronáutica, construção, equipamento e metais, e equipamentos tecnológicos representa uma redução da produção futura e de postos de trabalho. O sector automóvel, o químico e o do papel já estão a sentir o impacto dos maiores custos dos materiais de produção”.

 

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