Brexit pode não acontecer. Existem cinco razões que podem condicionar saída

Segundo o jornal online The Independent, o Reino Unido não precisa de se preocupar com as consequências da sua saída da União Europeia, nem com a saída em si. Esta pode mesmo nem vir a acontecer.

Paul Hackett/Reuters

A vitória do Brexit no referendo de 23 de junho levantou por toda a Europa uma onda crescente de preocupação quanto ao futuro da União Europeia, depois de mais de 52% dos britânicos terem votado a favor da saída de um dos primeiros países a mostrar interesse em juntar-se à comunidade de países fundadores do projeto europeu.

Durante os mais de 40 anos de adesão do país à Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), o reinado de Isabel II sempre foi uma força de bloqueio à transferência de parte da soberania britânica para Bruxelas e, desde a chegada de David Cameron a primeiro-ministro, a pressão de Westminster para recuperar o seu poder político aumentou notoriamente. A juntar-se às reivindicações internas, acumulou-se a crise de refugiados e a incapacidade europeia em encontrar respostas para solucionar este problema.

Desta forma, no país que desde o início se recusou a deixar a libra e a juntar-se ao Acordo Schengen, o adeus à União Europeia parecia ganhar terreno. O referendo em junho veio dar, ainda que com alguma surpresa, expressão à saída do país.

David Cameron saiu de cena e entrou a líder conservadora Theresa May, que havia feito campanha para defender o ‘Remain’ durante o referendo. Depois dos trâmites iniciais, o Reino Unido pretender acionar o 50º Artigo do Tratado de Lisboa até ao final de março do próximo ano.

No entanto, segundo um artigo publicado esta terça-feira pelo jornal britânico online The Independent, os britânicos não precisam de sair da União Europeia. Saiba as cinco razões apresentadas pela publicação. Shall we begin?

1- Marine Le Pen pode ganhar as eleições presidenciais francesas

Com data marcada para o final de abril e início de maio de 2017, as eleições presidenciais francesas vão coincidir de perto com o prazo imposto pelo Reino Unido para que o 50º artigo seja acionado. Até agora a candidata da Frente Popular (FN) aparece à frente das sondagens e é bem provável que vença a primeira volta das presidenciais. E com alguma margem.

Recorde-se que o partido de extrema-direita defende que, tal como os britânicos já fizeram, os franceses desencadeiem o processo de saída da União Europeia (“Fraxit”).

É claro que a saída de um dos membros fundadores da UE levaria à quebra de credibilidade da União, pelo que seria bastante provável que os líderes europeus exigissem uma reformulação da estrutura da comunidade, passando a integrar algumas das reivindicações dos eurocéticos: o fim da livre circulação de pessoas e o ‘repatriamento’ de alguns poderes para os parlamentos nacionais. Em contrapartida, as relações económicas manter-se-iam inalteradas.

2- Ou, pelo contrário, Marine le Pen perde a eleições presidenciais francesas

Mesmo que a direita leve a melhor sobre a candidata Le Pen, François Fillon vai necessitar de fazer algumas reformulações às medidas adotadas pela União Europeia, especialmente no que toca à forma da comunidade encarar na crise de refugiados.

Não nos devemos esquecer que a França foi um dos países que mais refugiados acolheu e foi na França que foi montado o maior campo de refugiados da Europa, símbolo do sonho de cerca de 7 mil refugiados de atravessar o Canal da Mancha para chegar ao Reino Unido.

Se François Fillon quiser manter a estabilidade política francesa, precisará de propor à União Europeia reformas para travar esta crise humanitária, deve ir de acordo com as linhas defendidas pelos eurocéticos.

3- Eleições alemãs: um “jogo duro” para Merkel

A popularidade da chanceler alemã está em queda. Os resultados das eleições regionais foram um golpe duro para Merkel, depois de ter sido perdido terreno para o partido de extrema-direita, Alternativa para a Alemanha (AfD), fruto da crescente insatisfação dos eleitores alemães face à política de asilo defendida por Merkel.

Mesmo que consiga o maior número de votos e ser indigitada para um novo mandato nas eleições gerais do próximo ano, Angela Merkel não se deve livrar dos, cada vez mais prováveis, primeiros assentos da extrema-direita no parlamento.

Nesse caso, uma vez mais, as políticas de livre circulação de pessoas devem entrar na mesa de negociações e afrontar as atuais políticas europeias em vigor, fazendo pressão para que as reivindicações dos eurocéticos façam parte da agenda da UE.

4- Theresa May pode ir a eleições antecipadas e perder a corrida

Uma parte dos britânicos parece já ter recuado na decisão de sair da União Europeia e outra parece estar a aceitar melhor as consequências desta saída. Com as opiniões baralhadas e o país novamente dividido, é provável que as próximas eleições gerais se tornem um segundo referendo sobre o Brexit, que tanto pode dar origem a uma vitória da saída, como a uma derrota, o que poderia colocar um ponto final a este capítulo na história britânica.

5- Partido Trabalhista começa a fazer oposição “sólida” o Brexit

Em algum momento, o Partido Trabalhista vai ter de decidir quem mais ama: a Europa ou Corbyn? O atual líder do partido parece ser incapaz de fazer frente ao avançar das negociações para a consolidação do Brexit.

Portanto, se a única coisa que está entre o partido e o avanço do Brexit é a atitude do líder atual, então mesmo que alguns dos eleitores mais devotados insistam em mantê-lo à frente do partido, uma nova liderança, que faça sobretudo uma oposição mais forte ao processo de saída da União Europeia, pode mudar o cenário político britânico. E pode mesmo impedir atempadamente que o artigo 50 seja ativado.

Recomendadas

Comunidades pedem a António Costa que resolva “discriminação” de pensionistas

O Conselho Regional das Comunidades Portuguesas na Europa (CRCPE) endereçou hoje uma carta ao primeiro-ministro de Portugal a solicitar a atualização das pensões e reformas para evitar perdas do valor futuro das pensões e reformas dos portugueses no estrangeiro.

JMJLisboa2023. Portugal terá retorno económico de cerca de 350 milhões de euros

A Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que se realiza no próximo mês de agosto em Lisboa, vai ter um retorno económico para Portugal de cerca de 350 milhões de euros, revelou hoje o coordenador do evento nomeado pelo Governo.

Câmara de Grândola aprova nova descida do IMI e alargamento do IMI familiar

A Câmara Municipal de Grândola aprovou, na passada quinta-feira, as propostas de redução do IMI de 0,34% para 0,33%, e de alargamento do IMI familiar para famílias com um dependente. Reduções que são para vigorarem em 2023.
Comentários