Bruxelas admite que seca em Portugal é “um risco negativo” para crescimento

A Comissão Europeia admitiu hoje que a situação de seca na Península Ibérica é “um risco” para o crescimento económico em Portugal, dado o seu efeito nas cadeias de abastecimento e no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Pedro Sarmento Costa/Lusa

“As taxas de crescimento estão diretamente relacionadas com os preços da energia e os preços das mercadorias em geral e, por isso, [a seca] é um dos riscos negativos que temos em países específicos”, afirmou o comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni.

Respondendo a uma questão da Lusa na conferência de imprensa de apresentação das previsões macroeconómicas de outono, em Bruxelas, o responsável acrescentou: “Temos experiência, tanto em Portugal como em Espanha, do impacto sobre a energia hidroelétrica e o cabaz energético”.

Nas estimativas hoje publicadas, Bruxelas revê em baixa crescimento do PIB português em 2023 para 0,7%.

No capítulo referente a Portugal, a Comissão Europeia salienta que “os riscos para as perspetivas de crescimento permanecem significativamente do lado negativo à luz do ambiente global incerto e dos riscos específicos do país relacionados com a grave seca na Península Ibérica, que podem ter repercussões prolongadas no abastecimento alimentar doméstico”.

De acordo com Bruxelas, “após uma forte recuperação, espera-se que a economia portuguesa abrande substancialmente a curto prazo, limitada por uma procura externa fraca e preços de energia elevados”.

A Comissão Europeia reviu hoje em ligeira alta o crescimento do PIB português para este ano, para 6,6%, mas antecipa que em 2023 cresça somente 0,7%, muito abaixo das suas anteriores projeções e abaixo das do Governo.

Relativamente às anteriores previsões de verão, publicadas em meados de julho, Bruxelas acrescenta 0,1 pontos percentuais às perspetivas de crescimento da economia portuguesa em 2022, de 6,5 para 6,6% (o segundo maior do espaço da moeda única, apenas atrás da Irlanda, de 7,9%), mas revê em forte baixa as expectativas para o próximo ano, já que há quatro meses apontava para uma expansão de 1,9% e agora só espera 0,7%.

As previsões de Bruxelas para 2022 ficam ligeiramente acima daquela inscrita pelo Governo na proposta de Orçamento do Estado para 2023 (OE2023), de um crescimento de 6,5% – embora entretanto o ministro das Finanças, Fernando Medina, já tenha admitido que a economia portuguesa possa expandir-se este ano até 6,7% -, mas relativamente a 2023 são mais pessimistas do que as de Lisboa, que espera um crescimento do PIB português de 1,3%.

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