Bruxelas alerta para novas crises com 100 milhões na UE e refugiados sem vacina

“Mais de 72% da população total da União Europeia recebeu a vacinação primária completa e mais de metade recebeu uma dose de reforço”, mas “mais de 100 milhões de europeus ainda não estão vacinados ou estão apenas parcialmente vacinados”, disse hoje a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides.

LUSA/OLIVIER HOSLET

A Comissão Europeia alertou hoje para “possíveis crises” no inverno com novas vagas de covid-19, numa altura em que 100 milhões de pessoas na União Europeia (UE) não estão vacinados ou estão parcialmente e quando chegam refugiados ucranianos.

“Mais de 72% da população total da União Europeia recebeu a vacinação primária completa e mais de metade recebeu uma dose de reforço”, mas “mais de 100 milhões de europeus ainda não estão vacinados ou estão apenas parcialmente vacinados”, disse hoje a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides.

Intervindo no Conselho de Ministros da Saúde da UE sobre a situação humanitária e sanitária na Ucrânia e também consagrado à covid-19, a responsável europeia pela tutela alertou que “a pandemia ainda está na Europa e as infeções estão novamente a aumentar”, pelo que os Estados-membros têm de “estar preparados para possíveis crises”.

“Temos de ter em conta os pedidos de cautela dos especialistas. A covid-19 ainda não terminou e a Ucrânia e o afluxo de milhões de pessoas [que chegam à UE] trazem uma camada adicional de urgência ao nosso trabalho para assegurar a sua proteção com a vacinação”, vincou.

Exortando os ministros europeus da tutela a preparar já o próximo outono e inverno, nomeadamente aumentando as taxas de vacinação anticovid-19, Stella Kyriakides alertou que “não há lugar para a complacência”.

“Muitos de vós estão a transitar para uma nova fase, uma possível fase endémica do vírus e a levantar as restrições ainda existentes e isto é compreensível porque as pessoas estão cansadas e as economias estão esgotadas”, mas “temos de ter cuidado ao levantar as restrições demasiado depressa”, disse Stella Kyriakides, dirigindo-se aos ministros europeus.

E pediu: “Temos de aumentar as taxas de vacinação que, em combinação com a imunidade natural de infeções passadas, nos levará de volta a uma normalidade sustentável”.

“Não podemos abrandar neste esforço e quanto mais aumentarmos a cobertura vacinal, mais pacífico será o próximo inverno”, salientou.

Até agora, a UE doou mais de 400 milhões de doses de vacinas anticovid-19 a países de todo o mundo, além de exportar mais de metade da sua produção.

Ainda assim, a cobertura vacinal em continentes como África, um dos principais destinos das vacinas doadas pela UE, situando-se agora em 14,9% de pessoas com esquema vacinal completo e 5,3% parcialmente vacinadas, com grandes diferenças entre países.

“A oferta global de vacinas aumentou agora ao ponto de haver relativamente pouca procura não satisfeita [pelo que] a capacidade de absorção e a procura por parte dos países beneficiários é também um problema”, apontou ainda Stella Kyriakides.

Defendo a vacinação anticovid-19 como “ferramenta número um no combate à pandemia”, a comissária europeia garantiu que a UE continuará a “mostrar a sua solidariedade, aqui na Europa e com os nossos países parceiros em todo o mundo”.

Recomendadas

Covid-19: Principal órgão de segurança da China quer “repressão” das “forças hostis”

O principal órgão de segurança da China apelou hoje à “repressão” das “forças hostis”, após os protestos dos últimos dias nas principais cidades chinesas contra as restrições sanitárias e limitações das liberdades individuais.

Covid-19: Universidades chinesas mandam estudantes para casa

Universidades chinesas estão a enviar estudantes para casa para tentar evitar mais manifestações de protesto contra as restrições anticovid, numa altura em que muitas cidades estão a pedir aos residentes que evitem viajar.

Narrativa triunfal de Pequim sobre ‘zero covid’ confrontada com protestos

Após ter passado dois anos a cultivar uma narrativa triunfal quanto à estratégia ‘zero covid’, apesar dos custos económicos e sociais inerentes, a liderança chinesa parece estar encurralada face aos novos protestos da população.
Comentários